quarta-feira, 3 de junho de 2026


E porque hoje é o Dia Mundial da Bicicleta...

O cross matinal ainda vai no início, saí nem há dez minutos do hotel em ritmo lento como convém para poder contemplar a baía e, aproveitando as ruas das Angústias ainda desertas, estudar com tempo as pinturas no muro em frente ao Café de Porto Pim em busca de alguma mensagem interessante... Deixei a igreja para trás e agora à minha esquerda jaz a marina adormecida, os mastros das embarcações quase que tocam o nevoeiro que teima em dissipar, por impulso olho em frente e ao longe em busca do Pico mas a montanha hoje acordou escondida...

"Pantónio na Horta" - Jean-Charles Forgeronne

Mais uma centena de passadas e reparo numa meia dúzia de frondosas figueiras ainda estéreis que parecem descer a encosta, questiono-me se o mestre Euclides Rosa aqui terá vindo arrancar-lhes os ramos jovens para deles extrair o miolo e trabalhá-lo com paciência de ourives nas suas delicadas e minuciosas obras... E depois, assim que faço uma curva ganho o prémio do dia, ao longo do muro surgem uns traços esguios, umas linhas entrelaçadas e umas andorinhas tão peculiares que só podiam ser do Pantónio, o artista terceirense que descobri já há alguns anos num moinho no Moledo lourinhanense e agora também presente aqui pela Horta, numa obra sob o signo da bicicleta... E agora, olhando para o alto, hesito em subir ao cimo do Monte da Guia, ainda se tivesse uma bicicleta à mão...

"As bicicletas do Pantónio" - Jean-Charles Forgeronne

João Pena-Seca
(Escritor de Valmedo)

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