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sábado, 25 de julho de 2026

 
CURIOSIDADES DO MUNDO-CÃO - LXV

O OURIÇO, O FILÓSOFO E A LANTERNA

O ouriço-do-mar é um equinoderme, isto é, um invertebrado cuja pele tem espinhos venenosos que lhe conferem não só protecção mas também a capacidade de locomoção. É uma criatura exclusivamente marinha que pode ser encontrada por todo o mundo-cão, agarrado às rochas ou em poças nas zonas entre-marés ou então em liberdade nos oceanos e até 5000 metros de profundidade! O ouriço não possui olhos mas tem o corpo coberto de células fotossensíveis que ao detectarem luminosidade o leva a proteger-se cobrindo-se de conchas, seixos e algas... Junto à boca, na face inferior do corpo, possui  uma estrutura de cinco dentes que formam um bico e com os quais raspa as rochas para se alimentar de algas e outros invertebrados; esses dentes, que também servem para escavar abrigos nas rochas, estão ligados a um complexo sistema de ossículos e músculos chamado a "Lanterna de Aristóteles"!?

"Ouriço-do-Mar", Praia do Porto da Areia Norte - Jean-Charles Forgeronne

Dele disse Dante na sua "Divina Comédia" ser o "Mestre dos que sabem", e de facto Aristóteles, juntamente com o seu mestre Platão, esteve na origem de toda uma corrente de pensamento que propulsionou e influenciou a filosofia por todos os séculos seguintes, ou seja, fazendo jus à sua "teoria das causas", com o seu conhecimento causou a filosofia moderna... Mas Aristóteles não era apenas um filósofo, era um sábio de vários saberes, da filosofia à retórica, da lógica à política, da psicologia à poesia, da ética à biologia... Sim, à Biologia!  Num dos seus exílios pelas margens do mar Egeu, ainda muito jovem, apaixonado pela natureza e pelo mar, inicia a investigação dos animais, especialmente os marinhos, e onde, ensinado pelo pai, médico, fez as primeiras dissecações... 

"Aristóteles" - Códice medieval

A designação "Lanterna de Aristóteles" surgiu no livro "Historia Animalium" que o filósofo escreveu no século IV a.C. e onde ao dissecar o ouriço-do-mar comparou essa estrutura do animal com as lanternas que então iluminavam Atenas e a Grécia antiga e que também tinham forma pentagonal... Muitos séculos depois, os modernos biólogos adoptaram o termo para denominar essa famosa estrutura dos ouriços-do-mar, os quais, já agora, apesar da sua carapaça de espinhos venenosos, são um petisco apreciado  por estrelas-do-mar, sapateiras e até alguns peixes, como o sargo...

João Abelhudo
(Pesquisador de Valmedo)

quinta-feira, 23 de julho de 2026


 PEIXE MORTO, CIÊNCIA VIVA

"Laboratório na praia"

Ao chegar-se à Praia do Porto da Areia Norte não fica mal um minuto de silêncio e reflexão, afinal foram aqui que foram enterrados, em valas comuns, os cerca de 400 náufragos do navio de guerra espanhol San Pedro de Alcantara, carregado de tesouros e vindo do Peru com destino a Cádiz, afundado ali à frente junto aos rochedos da Papoa a 2 de Fevereiro de 1786, naquele que constitui um dos acontecimentos mais marcantes da história trágico-marítima de Peniche e de Portugal... Mas hoje viemos aqui por outro motivo: viver a ciência! E lá ao fundo, iluminada por um azul celeste imaculado, já vejo montada uma banca com microscópios, é que, inserida no projecto Ciência Viva de Verão está prestes a começar uma actividade intitulada "A Vida na Maré Baixa" e que permitirá conhecer muitos e diversos organismos que ocorrem na zona entre marés e com observação detalhada da sua morfologia com o auxílio de lupas binoculares, tudo sob a orientação de biólogos e professores da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar...  
"Praia do Porto da Areia Norte"
Apesar da sua aparente tranquilidade, esta é uma praia arenosa que na maré vaza exibe uma plataforma horizontal rochosa que cria várias poças onde um mundo fabuloso de estranhas e minúsculas criaturas se revela na luta feroz pela sobrevivência, muitas delas sésseis, isto é, que vivem fixas às rochas... Com alguma sorte é possível observar muitas espécies, para além de uma grande variedade de algas e com predominância das verdes que muitas vezes chegam a sufocar a praia, mostram-se ouriços, estrelas e lesmas, todos ostentando o apelido "do mar", cracas, lapas, percebes, mexilhões, camarões minúsculos, burriés, caranguejos, ínfimos chocos, polvos imberbes, pequenos peixes como um caboz de apenas 12cm de comprimento, o peixe-sugador ou até uma solha transparente, de tudo se pode encontrar...  

"Maravilhoso Mundo-Cão minúsculo"- Jean-Charles Forgeronne

Mas estava-me destinado, e o destino tem muita força até na biologia marinha, calhou-me em sorte reparar num pequeno peixe inerte numa poça, aproximei-me de balde e camaroeiro para a captura mas não houve resposta, notei então que a criatura estava cadáver, talvez tivesse sido ferida num ataque predatório ou tenha sofrido um despiste contra uma rocha porque a sua barbatana caudal estava desfigurada... Viro-me então para o Paulo e pergunto: "Coitado, que peixe é este?". "Parece-me um peixe-aranha, vamos ali observar melhor" - respondeu-me ele enquanto nos dirigíamos para os microscópios...

"O meu peixe-aranha" - Jean-Charles Forgeronne

E de facto era um peixe-aranha, essa criatura mítica e assustadora, para aí com uns míseros 15 cm de comprimento, e tal ficou comprovado depois de, utilizando uma pinça, se terem posto em evidência os seus espinhos dorsais e o seu dente superior com os quais envenena a vítima ejectando o seu veneno ao ser pisado enquanto escondido sob a areia e apenas com os olhinhos de fora... E acreditam que foi o primeiro peixe-aranha que conheci pessoalmente em toda a minha vida, por sorte morto?... 

João Abelhudo
(Pesquisador de Valmedo)

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

 

ZBY, O DINOSSAURO E O CÃO...


Enquanto os caminhantes se dispunham em semicírculo para ouvir Octávio Mateus falar sobre uma grande descoberta que ocorrera mesmo à nossa frente, na arriba de Vale de Pombas, a praia mais pequena, mais secreta e agora ainda mais inacessível de todo este jurássico litoral da Lourinhã, senti um roçar húmido nas minhas pernas e instintivamente voltei-me para deparar com um pequenito cão a olfactar-me com uma curiosidade extrema...

   
 - Apresento-vos o ZBY! - atalhou o Octávio apontando para o cão... - Chama-se assim em homenagem a um grande paleontólogo, GEORGES ZBYSZEWSKI, russo de origens polacas e naturalizado francês e carreira académica feita na Sorbonne de Paris e que tendo vindo a Portugal efectuar pesquisas geológicas e paleontológicas para um trabalho nunca mais de cá saíu, virou português até ao último suspiro! Mas como ninguém em França ou em Portugal conseguia dizer facilmente o seu nome era tratado simplesmente por ZBY. E ali mesmo à vossa frente descobrimos em 1996 um dinossauro que baptizámos por Zby atlanticus...  E depois começa-se a fazer luz no meu espírito, tudo se encadeava agora e se tornava maravilhosamente lógico, simples e natural, vinham-me à lembrança aquelas fotos na primeira página do jornal que retratavam as escavações que trouxeram o bicho à luz do dia.

Foto : Jornal Público

E o simpático bicho era um gigante saurópode herbívoro com 19 metros de comprimento e 4 de altura, de pescoço longo e elegante que viveu no Jurássico Superior, ou seja há 150 milhões de anos...

Zby - Museu da Lourinhã

E claro, muitas vezes passei ao lado do Museu da Lourinhã e olhava para aquela enorme pata de dinossauro e apenas via eu uma enorme pata de um qualquer dinossauro mas agora sei-o que é uma réplica do membro anterior do Zby atlanticus descoberto em Vale de Pombas, mesmo à beirinha do Atlântico...


João Tio Rex
(Paleontólogo de Valmedo)

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

 

QUANDO UM SIMPLES PASSO VALE MILHÕES DE ANOS...

Embora a manhã dominical estivesse farrusca e antevendo eu grande afluência à praia se o céu descobrisse um pouco que fosse, estacionei cá em cima e desci a pé a pequena ladeira que leva ao parque de estacionamento de Vale de Frades e aí chegado aos tropeções enquanto confirmava o conteúdo da mochila guarnecida à pressa depois de uma noite mal dormida reparei então que já estava um pouco atrasado, culpa da obrigatória ida ao Lidl para as compras para o almoço porque, dos muitos grupinhos de caminheiros equipados a rigor que aguardavam alguns já denotavam impaciência para com os atrasados, valeu-me que mesmo assim não fui dos últimos e nem sequer tive tempo de me desculpar pelo ligeiro atraso porque alguém mascarado imediatamente me abordou, era o Simão, presidente da Lourambi e jovem de causas, a confirmar a inscrição e a alertar-me para a importância de votar no projecto "Planalto das Cesaredas" no que respeita ao Orçamento Participativo 2021...   

Octávio Mateus e a descoberta

A "Caminhada dos Fósseis" organizada pela Lourambi tinha como objectivo a observação das arribas, de fósseis e de eventos geológicos característicos deste Oeste especial e a parte da divulgação científica estava a cargo dos especialistas Francisco Costa, João Russo e também, claro, do Octávio Mateus, a maior personagem científica da Lourinhã e uma das mais importantes do mundo inteiro no que à Palentologia e aos dinossauros diz respeito... E ali andava ele misturado no meio dos curiosos caminhantes, sempre afável e disponível, prova viva de que a humildade acompanha o sábio, de chapéu à Indiana Jones, afinal outra coisa não seria esperar de um explorador e de um aventureiro!

"A vértebra"

E ainda não tínhamos tido tempo para passar para a praia do Caniçal quando ainda em Vale de Frades o Octávio pede ao grupo para voltar um pouco atrás, é que, com a ajuda da mais jovem caminheira do dia, uma menina Rita para aí de uma meia dúzia de anos de idade, tinha encontrado uma vértebra de dinossauro incrustada numa rocha! "Raios, isto é uma vértebra de dinossauro?" - lembro-me de ter pensado e ainda por cima eu tinha estado ali na véspera a apanhar um banho de sol a escassos metros daquele calhau... 

- "Temos que vir cá logo com as ferramentas buscá-la!" - disse o Octávio para os seus pares e depois para nós, privilegiadas testemunhas da descoberta: -"Estão a ver porque a Lourinhã é a capital dos Dinossauros?"




Então era assim tão simples e natural amaneira como aconteciam as grandes descobertas arqueológicas e paleontológicas, interroguei-me enquanto prosseguimos em direcção à praia de Paimogo, ia sorrindo  para mim próprio lembrando-me da advertência que um amigo me fez quando para aqui vim viver há tanto tempo que agora me parece ter sido no Jurássico, dizia-me ele para ter cuidado onde punha os pés, é que a qualquer momento e sem darmos por isso podemos tropeçar numa tíbia ou num dente cariado de dinossauro!  


João Tio Rex
(Paleontólogo de Valmedo)

sábado, 30 de novembro de 2019


O GLORIOSO SACRIFÍCIO DAS LEVEDURAS



Chamam-se-lhes LEVEDURAS porque em latim levare significa crescer e apesar de serem fungos microscópicos constituídos por apenas uma célula é gigantesca a sua importância em toda a história da sociedade humana e o mundo, sem elas, não teria a mesma piada... Já eram conhecidas no Antigo Egipto e usadas na fabricação do pão e da cerveja devido à sua extraordinária capacidade de conseguirem obter energia e de se multiplicar até em condições em que não haja oxigénio! Nesta situação de anaerobiose, num processo chamado fermentação as leveduras obtêm energia a partir dos hidratos de carbono presentes nos cereais como a cevada ou em frutos como a uva e libertam água, álcool etílico e grande quantidade de dióxido de carbono...


Obrigado, leveduras...

No caso do pão, a fermentação é levada a cabo pela levedura Sacharomyces cerevisiae presente no fermento de padeiro e que a uma temperatura ideal de 27ºC decompõe o amido da farinha em CO2 e etanol; irá ser a libertação das bolhas de dióxido de carbono que faz crescer a massa e o processo de panificação fica completo quando o calor do forno mata as leveduras e provoca evaporação do álcool... E pronto, incineraram-se as nossas amigas leveduras mas ficamos com um belo pãozinho  quente...
Quanto ao vinho, as uvas são esmagadas e tratadas com enxofre para inibir o crescimento de outros organismos que poderiam atrapalhar o trabalho das leveduras e o mosto, em repouso, irá criar as condições ideais para fermentação; quando o vinho "ferve" é libertado o dióxido de carbono para a atmosfera ao mesmo tempo que a concentração de álcool vai aumentando e quando atingir os 12º C torna-se tóxica para as próprias leveduras, que mais uma vez são exterminadas...
Quanto ao fabrico de cerveja, a principal diferença para o vinho é que o dióxido de carbono produzido durante a fermentação do malte não é eliminado para a atmosfera e é graças a ele que a bebida tem gás e espuma; a cerveja é então armazenada durante alguns meses para que as leveduras e outras substâncias sejam eliminadas, desta vez por precipitação... 




Ou seja, as nossas amigas leveduras fartam-se de trabalhar e bem para depois lhes darmos um destino atroz e traiçoeiro, queimadas no pão, envenenadas no vinho e lançadas para o abismo na cerveja... Inglório destino tem de ser o delas para que o nosso seja menos pesado!


João Alquimista
(Investigador de Valmedo)

terça-feira, 24 de setembro de 2019




Pilares da Criação

Não há palavras e é bom que ninguém as queira arranjar, poucas ou muitas, inteligentes ou estúpidas, a mais ou a menos, seja o que for, para descrever esta beleza... Que é isto, afinal?
Uma pintura surrealista de um abstracto artista?
Não.
Uma elaborada criação artística fruto de um programa de computador?
Não.
Que raio então?
É apenas uma foto enviada pelo telescópio HUBBLE há 25 anos atrás ao passar pela constelação da Águia e que retrata os PILARES DA CRIAÇÃO, aglomerados de poeira e gás que constituem uma maternidade de estrelas... 
Parece que pode ser uma imagem falsa, isto é, os Pilares da Criação podem até já não existir porque a imagem que nos chegou através do Hubble demorou milhões de anos a chegar até nós e chegada aqui, muita coisa entretanto aconteceu pelo universo... O que vemos hoje pode não existir há séculos! E se os extraterrestres que alegadamente nos visitaram no passado entretanto morreram todos pelo caminho?


João Plutónico
(Astrofísico de Valmedo)

sexta-feira, 10 de maio de 2019


CÉREBRO, ESSE LOUCO MISTÉRIO DO MUNDO-CÃO...


Não haverá neste mundo-cão coisa mais misteriosa, fascinante, complexa e apaixonante do que o CÉREBRO humano e o seu funcionamento, tanto quando funciona bem como quando funciona mal... Que se passa na cabeça que nos permite ver e ouvir, que acontece naquela massa cinzenta que nos permite pensar, aprender, recordar ou esquecer, ganhar consciência de nós próprios e do cosmos, ter emoções? E o que é isso da loucura? Ou do génio? Ou da alma? Há muito que filósofos e cientistas tentam entender as relações entre o cérebro e a mente e apesar do grande desenvolvimento que as neurociências tiveram nas últimas décadas, estimulado também pelo boom tecnológico, a verdade é que o funcionamento dessa nossa pequena e vital "caixa-negra" continua a ser simplesmente um mistério colossal... 

"Cérebro estimulado" - Jean-Charles Forgeronne - (Exposição Mais vasto que o Céu - Gulbenkian)

São loucos os números que o cérebro apresenta: contém cerca de 100 mil milhões  de neurónios, os quais estão rodeados de células gliais, dez vezes mais numerosas, tudo junto mergulhado num meio líquido à semelhança das outras células do organismo; cada neurónio está integrado num sistema de interligações com outros neurónios e esses contactos, as sinapses, serão 10 000 vezes mais que o número de neurónios! É ao nível das sinapses que, em menos de um milissegundo, ocorrem reacções químicas e eléctricas que permitem ao cérebro, através de uma autêntica auto-estrada de dois sentidos, receber informações de todo o sistema nervoso, por um lado, e ordenar reacções, por outro... O cérebro é então o centro de controle deste bicho Homo nervosus que habita este mundo-cão e parece evidente que o mundo vai tornando-se cada vez mais cão exactamente devido às taras mentais e deficiente funcionamento do cérebro que muitos exemplares da humanidade padecem, em especial os poderosos líderes mundiais... E a coisa já lá não vai nem com as drogas que estimulam e alteram o cérebro, sejam as naturais como a dopamina ou a serotonina, sejam as outras que vão aparecendo por aí todos os dias... 

Homo nervosus

João Alquimista
(Investigador de Valmedo)

sexta-feira, 3 de maio de 2019


O ROBOT, O TRABALHO E O FUTURO...


Quando em 1920 KAREL KAPEK criou o termo ROBOT estaria longe de imaginar que iria ser uma das palavras mais visionárias de sempre e que, como nenhuma outra, à medida que a humanidade galga futuro vai ganhando importância e peso na consciência colectiva da humanidade, seja a nível ficcional, científico, filosófico, social ou prático...
Na sua peça "R.U.R Robots Universais de Russum", o escritor, dramaturgo, tradutor e jornalista checo inventa o termo robot a partir da palavra ROBOTA, a qual, nos idiomas eslavos, significa trabalho forçado, escravo... Na história, Russum é um brilhante cientista que descobre uma substância que lhe permite a construção de humanoides, os tais robots, obedientes e aptos para realizar todo o trabalho físico!



E como a ficção, científica e não só, se antecipa muitas vezes à realidade, apetece perguntar por onde andam os robots no dia de hoje, passados 99 anos... Bem, sabe-se que numa das encostas do Monte Fuji, no Japão, uma fábrica aí instalada fabrica todos os meses 5000(!) robots industriais, eles cortam, soldam, montam, pintam e, por exemplo, não se queixam nas linhas de montagem de automóveis... Consta também que numa fábrica de uma multinacional holandesa trabalham lá mais de 100(!) robots que produzem mais de 15 milhões de máquinas de barbear anualmente; nessa mesma fábrica, apenas 9 trabalhadores são humanos! As consolas Xbox, os computadores da HP e os IPhone são fabricados por uma empresa que tem ao seu dispor 40 mil (!) robots; o objectivo dos seus gestores é automatizar a breve prazo toda a estrutura! Muitos outros exemplos haverá mas fiquemos por agora com os avisos dos especialistas na área: o Fórum Económico Mundial prevê que os robots irão eliminar 5 milhões de postos de trabalho na próxima meia dúzia de anos e a consultora McKinsey prevê que quase metade das actividades feitas por pessoas mediante pagamento podem já hoje ser desempenhadas pela tecnologia robótica; há até quem vá mais longe e afirme despudoradamente que daqui a 25 anos as máquinas poderão desempenhar qualquer trabalho!  Depois da razia que os computadores fizeram no mercado de trabalho nas últimas décadas aí vem o anunciado apocalipse!
     
Robot NAO (Instituto Superior Técnico) - Foto: Jean-Charles Forgeronne

Que futuro então para as pessoas num mundo sem trabalho? Como sobreviver? Certamente que não será a ideia peregrina do Rendimento Mínimo Universal que resolverá o problema até porque, para além de ser mínimo, tem comprometido o seu financiamento por parte dos governos, sem trabalho não há impostos e sem estes não há dinheiro para soluções sociais... É tempo de os decisores mundiais trabalharem no assunto, mas sem recurso a máquinas, apenas com a cabeça!

João das Boas Regras
(Sociólogo de Valmedo)

quarta-feira, 11 de julho de 2018



O PONTO, A ESFERA E O ABSURDO... - III


Imaginemo-nos reduzidos ao tamanho minúsculo de um insecto, um pequeno escaravelho, por exemplo, a calcorrear uma imensa superfície com centenas de metros de extensão, sem podermos ver nenhum fim à coisa... Como poderemos saber se aquela superfície por onde avançamos será integralmente plana ou se, pelo contrário, será a superfície de uma esfera? O pequeno escaravelho, ou nós, só teria uma possibilidade: levantar voo e observar de longe toda a superfície... Mas como o escaravelho não tem asas e não pode voar ficará sempre sem saber por onde anda, já nós, mesmo que também não possamos voar, podemos sempre conjecturar com a matemática! Foi o que fez POINCARÉ: conjecturou, isto é, teorizou sem ter qualquer prova disso, que todo o espaço tridimensional fechado sem buracos tem uma forma esférica ou pode transformar-se numa esfera; esta conjectura é hoje válida após Grigori Perelman ter solucionado o problema que passou mais de um século na gaveta dos enigmas matemáticos insolúveis...  Para isso foi necessário fazer como o escaravelho, levantar voo para observar de cima e poder ver toda a superfície, isto é, fazer cálculos a partir de uma dimensão superior.


As Esferas de ESCHER


A conjectura de Poincaré também pressupõe que a ESFERA será o único espaço fechado  tridimensional em que todos os seus contornos, a partir da superfície, podem ser encolhidos até se chegar a um simples PONTO! Não é inocente esta teoria ou não tivesse tido o sábio francês um papel importante na elaboração da Teoria da Relatividade e, portanto, na TEORIA DO BIG BANG, que a meu ver bem se podia chamar a TEORIA DO ABSURDO, independentemente de estar certa ou não...
O certo é que, actualmente, é a teoria mais aceite entre a comunidade científica como explicação para a origem e caracterização do Universo, afirmando que no instante zero havia um ovo cósmico infinitamente pequeno, infinitamente denso e infinitamente quente, concentrado num tamanho inferior a um ponto feito por uma caneta numa folha de papel, inferior mesmo ao tamanho do núcleo de um átomo! No instante seguinte esse ovo cósmico explode e começa a expandir-se, dando origem a tudo o que conhecemos hoje: espaço, matéria e energia! ABSURDO? Claro que sim, digo eu, mas o certo é que foram encontradas provas que sustentam esta mirabolante ideia: primeiro, HUBBLE descobriu que as galáxias estão constantemente a afastarem-se uma das outras, para onde irão ninguém sabe - a própria Terra, embora nos pareça quietinha no seu cantinho do Sistema Solar, está a deslocar-se no espaço à velocidade de 15000 quilómetros por segundo! - e segundo, foi provada a existência de uma radiação de fundo emitida por essa suposta explosão primordial e que ainda hoje está a a passar por nós...





E se o Universo for um sistema fechado, como sustentam alguns, então a sua expansão terminará um dia devido à força da gravidade e começará a contrair-se, até chegar ao BIG CRUNCH, o colapso total num ponto infinitamente pequeno, infinitamente denso e infinitamente quente. Absurdo? Claro, mas que dá força à ideia de Poincaré, um Universo obrigatoriamente esférico que se reduz a um ponto e que, posteriormente, quem sabe, poderá dar origem a outro Big Bang, e a outro Universo novinho em folha...
No meio de tudo isto poder-se-á perguntar: qual foi a galinha cósmica que pôs este ovo? Mas o absurdo não fica por aqui, aliás é coisa que abunda neste mundo e muitas outras teorias cosmogónicas existem: há quem preconize um UNIVERSO ABERTO, outros elaboraram a TEORIA DOS UNIVERSOS BÉBÉS nascendo uns dos outros qual maternidade, outros ainda, talvez de formação mais ecológica, defendem a TEORIA DOS UNIVERSOS RECICLADOS, e pasme-se, há também muitos que estão convencidos de que o Universo é PLANO!!!!
Irónico como passados séculos sobre a teimosia dos nossos sábios ancestrais em jurarem que a Terra era plana e tendo ela depois ter-se revelado esférica, eis que na actualidade da tecnologia e da matemática computorizada e evoluída, vem alguém jurar que o Universo é plano quando até dá mais jeito que ele seja esférico... De absurdo em absurdo, a nossa TERRA vai viajando pelo espaço fora e girando, com relativa certeza e segurança e enquanto assim for podemos continuar a contemplar os milhões de estrelas lá no alto e imaginar quais serão a forma e a razão de existir de tudo isto...






João Plutónico
(Astrofísico de Valmedo)

segunda-feira, 9 de julho de 2018



O PONTO, A ESFERA E O ABSURDO... - II


Sabe-se, ou antes, pensa-se saber já muita coisa acerca do Universo e dúvidas não existem de que são dados mirabolantes, por exemplo o facto de ter surgido há 14 mil milhões de anos ou o de estimar-se que contém 100 mil milhões de galáxias, muitas delas bem maiores que a nossa VIA LÁCTEA! Respiremos fundo, são apenas números, mas assustam se pensarmos em nós e no nosso cantinho terreno, aqui escondidos num insignificante Sistema Solar: a TERRA foi formada já o Universo era velho de 9000 milhões de anos, o nosso SOL é uma estrela entre biliões de outras, com morte anunciada e apenas faltando a data do funeral e nós, seres humanos que nos julgamos especiais e divinos nesta imensidão absurda somos uma criação de última hora, talvez um acaso.... Carl Sagan teve a brilhante ideia de nos apresentar estes números incompreensiveis de um modo sedutor e simples: representou a história do Cosmos num ano terrestre e assim, o BIG BANG deu inicio a tudo a 1 de Janeiro, a formação do Sistema Solar terá acontecido a 24 de Agosto enquanto o aparecimento do Homo sapiens apenas teve lugar a 4 minutos do final do ano, às 23:56 horas do dia 31 de Dezembro. Pergunta-se: tanto tempo para quê? O que terá acontecido entretanto? Se a ideia foi o nosso aparecimento, que desperdício de tempo e matéria!




Mas a curiosidade humana não tem limites e ainda bem que assim é. Podíamos baixar a cabeça e limitar-nos ao nosso quotidiano, não perder tempo com a extravagância universal, mas queremos descobrir, a ânsia de saber domina-nos e bem aventurados sejam aqueles que continuam a ousar sair da nossa pequenez e compreender as coisas infinitas. EINSTEIN e outros revolucionaram o nosso conforto ao desvendarem um Universo em constante transformação, relativizando tudo, espaço, tempo, matéria e dimensão, e até ameaças como os buracos negros, mas para que todas estas variáveis ganhem sentido, há uma questão essencial: "qual a forma, a geometria, do Universo?"
Será possível a nós, civilização evoluída do século XXI, repetirmos o feito que os antigos gregos conseguiram em relação à forma da Terra e conseguirmos, apenas pelos cálculos, descobrir qual a forma deste Universo? Eles nunca viram a Terra do espaço e nós nunca veremos este Universo do lado de fora mas se eles conseguiram porque não tentarmos também? Foi o que pensou HENRI DE POINCARÉ, matemático, físico e filósofo, ao apresentar a sua celebérrima conjectura, um dos maiores problemas matemáticos apresentados e que demorou 100 anos a ser resolvido por um obscuro e anti-social matemático russo...


Observatório do CCV de Constância


João Plutónico
(Astrofísico de Valmedo)


O PONTO, A ESFERA E O ABSURDO... - I


Não foi preciso esperar pelo século XX e pelo advento do foguetão para que o Homem tivesse a certeza de que a Terra é redonda, embora fosse essa a maneira mais fácil de o comprovar, bastava levantar voo e observar do alto o planeta lá em baixo, azul e redondinho...
A ideia da redondeza do planeta nasceu 600 anos (!) antes de Cristo, na Grécia Antiga, pelas contas dos matemáticos gregos, especialmente de PITÁGORAS que, além de filósofo, dedicou-se ao estudo e desenvolvimento da aritmética, da geometria e da astronomia, para além de ser poeta nas horas vagas.... Um revolucionário no seu tempo...
E foi preciso esperar 300 anos para que as suas ideias sofressem um impulso através de outro grande pensador, ARISTÓTELES, o qual apresentou uma série de argumentos que sustentavam a ideia da esfericidade da Terra e que culminou no seu cálculo da circunferência terrestre, errando por pouco...
Mas pelos séculos fora predominaria ainda a ideia da Terra plana, faltavam provas e reinava o modelo criacionista que colocava a Terra imóvel no centro do mundo divino... Foi preciso GALILEU sacrificar-se afirmando que "No entanto, ela move-se..." e outros cientistas e astrónomos morrerem na fogueira para alterar o paradigma da imobilidade!




E quanto à forma da Terra, foi um português que apresentou a prova cabal e indesmentível que ela é bem redonda...  FERNÃO DE MAGALHÃES, com a sua circum-navegação, deu a volta ao globo e chegou em 1521 ao ponto de onde partira, se a Terra fosse plana ainda hoje as suas naus poderiam estar a navegar.... A matemática dos gregos estava certa e se serviu para adivinhar a forma da Terra, porque não aplicá-la a questões mais vastas como, por exemplo, a forma deste misterioso Universo que tanto nos fascina como nos desorienta? E se este COSMOS nos parece infinito tal a sua dimensão, afinal pode não o ser, como também pode ser apenas um de muitos outros, pode ainda ter muitos irmãos gémeos paralelos e pode até um dia morrer... Para complicar mais as coisas parece que as leis pelas quais ele se rege não são nada absolutas mas antes muito relativas e elásticas, quase imprevisíveis, o que implica ser pouco o que sabemos desta vastidão de espaço, energia , densidade e tempo, de tal forma que às vezes damos connosco a pensar no absurdo que é toda esta existência....




João Plutónico
(Astrofísico de Valmedo)

quarta-feira, 4 de julho de 2018



A matemática de ESCHER, à semelhança do Universo feito de relatividade, pode ser uma ilusão...



O CÉU, A SOMBRA, O SOL E O TEMPO... - III


E quando o Sol se esconde e a luz foge para o outro lado do mundo, as trevas que sucedem ao crepúsculo não impedem que o brilho do Universo chegue até nós depois de muitos quilómetros galgados nalguns casos, noutros depois de longos anos-luz e noutros ainda, pasme-se, após incontáveis parsecs...  O que vemos então ao levantar a cabeça para a abóboda celeste estrelada? Uma ilusão! Muitas daquelas estrelas que observamos esta noite já se extinguiram há milhões de anos, outras já estarão a definhar e o seu brilho será muito menor, outras poderão já ter nascido e só daqui a milhões de anos as poderemos observar, ou seja, o céu é uma mentira e uma ficção e a realidade só a veremos quando, evitando cair nos terríveis buracos negros, conseguirmos ir ao encontro dela através dos túneis feitos pelas minhocas relativas de EINSTEIN, aquele génio que nos tirou o tapete da certeza e nos mostrou que tudo é relativo, o tempo, o espaço, a matéria, o céu, o homem...  E assim, possível será viajar até ao passado e, quem sabe, até ao futuro... Estranho? Sim, mas tudo isto é estranho, o universo, a vida.... 





Mas nem tudo o que luz no céu são estrelas, os planetas também brilham e bastante ao reflectir os raios solares... Para nós, terráqueos, apenas cinco planetas são visíveis a olho nu ( MercúrioVénus, Marte, Júpiter e Saturno) e agora que passámos há pouco pelo Solstício de Verão, todos eles brilham em simultâneo para nós no céu durante o mês de Julho, o que nem sempre acontece ao longo do ano.... Há que aproveitar, portanto...




Logo ao anoitecer, é possível observar Vénus (o astro mais brilhante no céu até Agosto), Mercúrio e Saturno, Marte (identificável pela sua característica luz avermelhada) estará exposto de madrugada e Júpiter, um gigante gasoso que é o maior planeta do Sistema Solar, estará visível durante toda a noite... Um espectáculo grandioso, bem perto de nós, estejamos onde estivermos, basta levantar a cabeça do chão e viajar pelo tempo e pelo sonho....  Do mesmo já não se poderia gabar um marciano pois as nuvens de ácido sulfúrico e as poeiras à superfície da Estrela d'Alva são tão densas que impedem a observação das estrelas! 

O Céu de Valmedo

João Plutónico
(Astrofísico de Valmedo)

domingo, 24 de junho de 2018

Relógio de Sol e água - Lourinhã

E este é não é apenas um relógio de sol nem é apenas um bebedouro, é as duas coisas ao mesmo tempo! Por um pequeno orifício do gnomon sai o esguicho de água que mata a sede... Quantos já se dessentaram ali sem saberem que o estavam a fazer num relógio? Curioso também o facto de o relógio só funcionar da parte da tarde porque como foi colocado à sombra de árvores, o sol só lhe incide a partir das 15 horas... Talvez quem o instalou estivesse convencido que aquilo era apenas um bebedouro! Mas como estamos no Oeste, terra da qual o Sol emigra por longas temporadas, não vem grande mal ao mundo e a inusitada localização do monumento passa despercebida....


João Plutónico
(Astrofísico de Valmedo)

sábado, 23 de junho de 2018



O CÉU, O SOL, A SOMBRA E O TEMPO...II


Que melhor nome para esta terra do que LUSITÂNIA, a terra da luz? Quando os Romanos colonizaram a Península Ibérica já os Lusitanos eram velhos por cá, descendentes dos CELTAS que consigo tinham trazido o culto ao deus LUGH (ou LUC - luz) e que simbolizava exactamente o triunfo da luz sobre a escuridão... Os LUSITANOS eram então o povo ou a tribo (tanus) da luz! E graças a Luc, luz é coisa que não tem faltado na actual Lusitânia e, exceptuando um pequeno enclave conhecido hoje como o OESTE e que teima em combater tanta iluminação (a fazer lembrar a antiga GÁLIA do ASTÉRIX), o SOL brilha e aquece com generosidade este território abençoado... E à semelhança dos druídas dos Celtas da Bretanha que honravam o deus Lugh em Stonehenge, por cá  também se praticava o culto pelo Sol e pela Luz, e assim, com tanta luminosidade, não admira que estejam referenciados em Portugal mais de 700 relógios de sol, em torres, campanários, paredes ou jardins mas também os há portáteis, mais ou menos sofisticados, mais ou menos valiosos, mais ou menos belos e, curiosamente, datando os mais antigos dos tempos em que os romanos por cá andavam...



Que horas são no Reguengo Grande?


Mas já no ano 1450 a.C., no Egipto e na China, eram usados GNÓMONES (ponteiros) para medir o tempo e efectuar observações astronómicas. E tudo terá começado quando os humanos da Antiguidade, tentando perceber a origem dos fenómenos que ocorriam foram observando e registando, encontrando uma lógica nos eventos que aconteciam não só por cima das suas cabeças como também ao nível do chão, por exemplo repararam que as sombras das árvores diminuíam ou aumentavam conforme a altura do dia e até que chegavam a desaparecer  numa fase específica...  Arranjaram então uma "árvore" à medida (o tal gnomon - ponteiro em grego) que instalaram numa superfície com símbolos marcados -partes do dia ou quadrantes- e trataram de medir assim o dia (o tempo) pela sombra que o sol provocava...


Qual o relógio que está certo na Serra D'El Rei?

Tudo isto veio a dar origem, hoje em dia, a uma ciência de nome bizarro - a GNOMÓNICA - que estuda os relógios de sol e se, à primeira vista, pode parecer um assunto curto, depois de começarmos a olhar bem para eles, ali naquela torre ou acolá naquela casa antiga, por onde passávamos todos os dias sem reparar neles, e depois de tomar contacto com todo o saber, ciência, história e curiosidades que o universo destes objectos esconde, então valerá a pena medir o tempo e o mundo através deles.... 


Desde 1676 a marcar horas na Zambujeira....


E entretanto está na hora de ir andando, pela sombra, porque está muito luminoso e tórrido este dia de Verão...


João Plutónico
(Astrofísico de Valmedo)

quinta-feira, 21 de junho de 2018


O CÉU, O SOL, A S OMBRA E O TEMPO... - I


Para o hemisfério norte, o Verão chega hoje às 11 horas e 7 minutos, quando o Sol estacionar no ponto mais alto do céu ao travar o movimento diário de afastamento em relação ao plano equatorial e incidir verticalmente os seus raios sobre o Trópico de Câncer, fenómeno conhecido por solstício (do latim solstitium - estacionamento do sol) e que desde os primórdios fascinou a humanidade... E durante os próximos 93,66 dias, duração do Estio, e devido à inclinação do eixo da Terra, o Sol iluminará mais o hemisfério norte até ao Equinócio de Outono que acontecerá a 23 de Setembro. Hoje será também o dia mais longo do ano, com as suas 14 horas, 53 minutos e 7 segundos de luz solar, apenas mais um segundo do que no dia de ontem e até ao Outono os dias irão perder consecutivamente segundos...




E que melhor sitio para observar o solstício de Verão (e também o de Inverno) do que o mítico e místico STONEHENGE? O monumento que é constituído pelas ruínas de um templo que existiu durante 3500 anos e que foi construído para a observação de fenómenos celestes vive o seu ponto alto exactamente nestas duas ocasiões especiais onde o movimento do Sol provoca um alinhamento perfeito nas pedras de 5 metros de altura e dezenas de toneladas de peso... Romarias são esperadas em Junho e em Dezembro para viver uma experiência transcendental à boa maneira dos druídas e apesar de receberem 1 milhão de turistas anualmente, só nos solstícios é permitido o acesso ao interior dos círculos mágicos de Stonehenge e tocar nas pedras...


Observatório Astronómico de Lisboa - um Stonehenge moderno...

Mas hoje, e a propósito, dia de culto ao Sol por excelência, também se celebra a GNOMÓNICA e os RELÓGIOS DE SOL...


Relógio de Sol  no CCVC


João Plutónico
(Astrofísico de Valmedo) 

quarta-feira, 20 de junho de 2018




No meu relógio de Valmedo o Sol diz que são onze horas, o que significa que daqui a 24 horas estaremos em pleno solstício de Verão... Até lá....


João Plutónico
(Astrofísico de Valmedo)

quarta-feira, 14 de março de 2018


NUM  UNIVERSO PARALELO...


Noutro universo, paralelo ou não, e perante as ilimitadas probabilidades quânticas e relativas, talvez o génio de STEPHEN HAWKING merecesse outra sorte... Mas porque raio uma das mentes mais brilhantes que a humanidade já conheceu teve este destino atroz de estar confinada a um corpo quase cadavérico? Castigo divino por ter ele tido a coragem e o discernimento de se assumir ateu? Ou apenas um azar do caraças e vejam só, que pode acontecer a qualquer um? Sim, tudo é possível, assim ditam as leis das probabilidades, mas porquê logo teria que calhar a uma das mentes humanas mais brilhantes? E tudo isto soa a conspiração, meus amigos, disso não haja dúvidas, mais uma conspiração da Inquisição para impedir o acesso da humanidade ao conhecimento....




Um dos maiores cientistas, físico teórico e cosmólogo que a humanidade já conheceu, nasceu, estranha e quase religiosamente, exactamente 300 anos após a morte de GALILEU, o tal que morreu prisioneiro e de tédio apenas porque recusou a inquisitória fogueira onde tinha sido cremado, pouco tempo antes, GIORDANO BRUNO, outro génio revoltoso cujo pecado capital foi acreditar na existência de um universo infinito povoado de milhões de estrelas....  Já para não falar da rejeição de certos dogmas católicos como a virgindade de quem dá à luz ou na ressurreição, que pelos vistos, por nunca mais ter acontecido, só está ao alcance dos filhos dos deuses....


Giordano Bruno

Honra a STEPHEN HAWKING, um cientista ímpar e imortal, uma mente brilhante e única que venceu todos os limites, que compreendeu o universo como poucos e se tornou um símbolo de coragem e dignidade... E acabaria por partir para as estrelas exactamente 139 anos após o nascimento de outro génio galáctico, Albert Einstein... A matemática do cosmos está sempre a surpreender-nos....

E talvez, quem sabe, num universo paralelo a este, sem deuses nem milagres, não possamos todos ser mais felizes?


João Plutónico
(Astrofísico de Valmedo)

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018



" Hoje os astrofísicos pedem-nos que desenvolvamos tecnologia que responda à seguinte questão: qual a composição da atmosfera de um planeta situado a 11 anos-luz? É a mesma coisa que olhar para um candeeiro situado a 10 Km de distância e poder dizer qual a cor das asas de uma borboleta que então passava defronte do foco de luz! Temos 2 anos para apresentar o projecto, e vamos conseguir!"


Nuno Martins

(Engenheiro Espacial) , Deimos Engenharia
DEIMOS  - Lua de Marte