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domingo, 5 de julho de 2026

 
O CLUBE DE LEITURA CANINA - II

Ainda não o consigo descortinar mas pressinto que o J.C vem lá e os meus sentidos não me enganaram, aí está ele saindo da porta da cozinha em direcção ao canto à sombra onde estou refastelado há já algum tempo para me proteger deste anormal calor tórrido que se faz sentir aqui por Verde-Erva-Sobre-o-Mar e ao reparar que traz um livro na mão sei o que se vai seguir, uma sessão de leitura canina... Pensava eu, amigos caninos, que essa coisa já tinha passado à história pois muitas luas tinham passado desde aquela primeira longa e exigente experiência, embora engraçada, admito, mas já estou acostumado a que vários projectos do J.C sejam ou efémeros ou esquecidos, por exemplo aquela promessa adiada de um dia pegar em mim e ir mostrar-me a mítica cidade de Lisboa...


-Pois bem, James - disse ele autoritariamente - voltamos às nossas leituras, aposto que já tinhas saudades, certo? - e eu, para não arranjar sarilhos antes de mais, é verdade, mas também por gostar das leituras, ainda que impostas, respondi com o olhar e com as orelhas que sim...
- Ora, hoje vamos ler um trecho de um livro de Baptista Bastos e que penso que vais gostar... Antes de mais é importante saberes que o autor, já falecido, foi jornalista e escritor e ficou famoso com uma pergunta que fazia a todos os seus entrevistados num programa que tinha na televisão: "Onde é que tu estavas no 25 de Abril?"... 
- O que é isso do 25 de Abril? - perguntei de cenho franzido.
- Isso fica para outra altura, o Baptista Bastos e o 25 de Abril, vamos agora ao que interessa, o livro fala sobre as aventuras de um menino nascido na Ajuda, um bairro de Lisboa, aliás como o escritor, e que após uma série de tragédias familiares, especialmente a morte do avô, seu grande amigo e confidente, decide aventurar-se à descoberta da grande cidade lá em baixo, e ouve só esta passagem do romance:  


"...o nosso avô era um cão velho entre flores, e morreu assim, como um cão velho a apreciar as flores, e a gente agora lembra-se dele porque era um velho sem deixar de ser homem, sem deixar de apreciar as coisas que fazem a vida de um homem, a valentia, isso era como as flores para os cães velhos, os cães velhos dos campos, quando pressentem que estão à morte, procuram as terras onde há flores, ele sabe que vai morrer mas procura o sítio ideal para morrer..."

- "Mas não te preocupes, James, tu já não vais para novo mas ainda não és um cão velho..." - disse o J.C talvez para não me desassossegar mas que fiquei a matutar naquilo lá isso fiquei...

James
(Cão de Valmedo)

segunda-feira, 29 de junho de 2026

 
O CÃODUTOR


"Sabes James, ele tinha razão ao ter tocado ao de leve o cláxon, afinal eu distraidamente tinha parado o carro em segunda fila no parque de estacionamento da concorrida superfície comercial e não me tinha apercebido que a viatura à qual tinha bloqueado a saída se preparava para sair... Até levantei a palma da mão aberta em sinal de tréguas e até cheguei a berrar pela janela aberta um pedido de desculpas mas apenas recebi de troco um breve latido, o suficiente no entanto para perceber que o cãodutor deveria ser um canino de bem..."
Vejam bem, amigos caninos, esta foi a conversa com que o J.C me chegou à bocado, até aí nada de extraordinário, o pior é que agora plantou na cabeça que me há-de dar aulas de condução naquelas máquinas enormes e barulhentas que as pessoas idolatram e usam para se deslocar para qualquer sítio e a qualquer hora e tudo com o intuito de fazer de mim um cãodutor, à semelhança de outros que parece ir havendo por aí...


"Talvez possas ser muito útil quando alguém da família não puder conduzir por qualquer razão!" - diz ele com um ar tão convicto que me dá a certeza de que desta ideia maluca não terei escapatória... E como que para atestar a necessidade insofismável do seu projecto mostra-me a fotografia do cãodutor com que ele se cruzou... E por acaso até tem estilo, não acham amigos caninos?

James
(Cão de Valmedo)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

 O CLUBE DE LEITURA CANINA

O J.C está sentado à minha frente e não tira aquele olhar fulminante de mim até eu, depois de ter ignorado quatro ou cinco ordens "Senta, James", finalmente me sentei, um pouco aborrecido porque não entendia porque é que era obrigado a sentar-me, primeiro não me apetecia tal coisa e depois não enxergava o objectivo mas, como sempre, havia uma explicação: - "Então, James, hoje é um dia especial para nós: vamos dar inicio à primeira sessão do nosso clube de leitura! Excelente ideia, não achas? Sempre que tivermos um tempinho disponível vamos ler uns livrinhos sobre aventuras com cães, vais adorar, tenho a certeza..." Como devem calcular, amigos caninos, fui apanhado de surpresa, não esperava esta coisa da leitura, não fazia ideia se iria gostar ou não, poderia ser interessante ou então uma grande seca mas só experimentando e depois poderia ser que houvesse uma recompensa no final de cada sessão...
E então o J.C. disse que tinha trazido dois livros de mistérios policiais, qual deles o melhor, de dois autores famosos e que para começar eu é que ia escolher o primeiro com que íamos inaugurar o nosso clube e pôs-me bem à frente do nariz como se eu fosse míope um livro de bonita capa amarela e preta dizendo: - Ora então, James, primeira opção: "Maigret e o cão amarelo", de um escritor belga chamado Georges Simenon e vou fazer-te uma breve apresentação: Maigret é um jovem comissário da Polícia de Rennes, uma cidade no norte da França, e é encarregue da investigação sobre uma série de crimes cometidos em circunstâncias muito misteriosas. Os crimes parecem insolúveis, o tempo vai passando com os polícias à nora e só  quando Maigret se apercebe do papel desempenhado por um certo cão amarelo, que farejara o cadáver de um mendigo assassinado numa noite de tempestade, é que o caso fica enfim resolvido. Promete, hein James
E eu assenti baixando a cabeça, de facto estava curioso em saber mais sobre aquele cão que ajudou a resolver o mistério...

- Mas espera, ainda falta ver o outro... - e mostrou-me um livro com uma capa colorida e que mostrava uma cadela de ar bem cuidado, também amarela como o outro - Chama-se "Resgate por um cão", é de Patricia Highsmith, uma escritora norte-americana e é uma intrigante história sobre "Lisa", uma caniche que pertencia a um casal bem instalado na vida e que desapareceu misteriosamente durante o seu habitual passeio nocturno. Pouco depois, os seus donos receberam quatro cartas anónimas exigindo um resgate e, ocupada com inúmeros casos, como poderia a Polícia de Nova Iorque encarar o rapto de um cão? 
E agora o J.C., de braços abertos e um livro em cada mão, olhava para mim com impaciência:
 - Então, qual vai ser? 

James
(Cão de Valmedo)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

MAS QUE LINDO É O MEU CÃO INVISÍVEL! 

Amigos caninos, nem sei bem como começar esta minha história e asseguro-vos que não é por falta de matéria, palavras ou imaginação, antes é por ainda me sentir em estado de choque...  Então não querem lá ver que que ontem assisti a uma cena que tem tanto de surreal como de chocante: ao demandar o meu sitiozinho de alívio para verter umas águas dou com o J.C. a passear um cão invisível! Sim, leram bem, amigos caninos, ali andava ele com a minha trela e a minha coleira de um lado para o outro e ainda por cima a falar sozinho, dizendo coisas incompreensíveis como "Vá lá James, calma! não é preciso correr!" ou então depois de assobiar "Pára, James! Vem lá um carro, está quieto!"... E foi então que levei as patas à cabeça, o homem enlouqueceu de vez! "E agora, que vai ser de mim?" - pensei logo a seguir a um calafrio... É que ainda por cima ele chamava James ao seu cão invisível, e comigo mesmo ali ao seu lado, eu tinha sido substituído!

"J.C. e o James invisível"

E foi então que num raro segundo de discernimento o J.C., parecendo voltar à realidade e liberto de um feitiço, me encara e diz:
- Olá bicheza! Que tal? Não te assustes, estou só a tentar perceber essa nova moda que veio da Alemanha chamada HOBBY DOGGING e que consiste passear por ruas e parques com uma trela e coleira mas sem cão! Dizem os praticantes desta coisa que que é uma actividade divertida e que é uma forma engraçada de socializar e praticar exercício. Bem, queres mesmo saber a minha opinião, James? Acho que isto não tem piada nenhuma e que é coisa de maluquinhos que não têm mais nada que fazer.... Esta sociedade está a ficar mesmo muito doente, é o que é!

"WTF?"

Amigos caninos, conseguem imaginar o meu alívio depois destas palavras do J.C., afinal parece que ele ainda não está louco mas não fico totalmente descansado em relação a isso, imaginem que estas ideias absurdas se começam a espalhar como os vírus e a coisa descamba numa epidemia? É que isto não é um fenómeno isolado, lembro-me de há uns tempos ele me ter falado com ar perplexo de outras manias que andam por aí como o HOBBY HORSING, ou seja praticar equitação com cavalos de pau, ou ainda o caso dos REBORN BABIES, bonecos realistas de bebés que substituem os filhos e que são tratados como tal! Sinceramente, amigos caninos, acho que o nosso mundo-cão está ameaçado e corre o perigo de ser substituído por um mundo de alienação virtual!

James
(Cão de Valmedo)

quarta-feira, 5 de março de 2025

EU, MODELO IMPACIENTE


- Assim não, James! Mantém-te quieto! - vociferava o J.C, debruçado de forma intimidatória sobre o meu nariz, com um papel numa mão e um lápis na outra - Vá lá, bicheza, isto é rápido, não queres ficar mal no retrato pois não?... E enquanto ele, ora olhando para mim ora traçando freneticamente riscos no papel, eu ia ficando mais e mais impaciente, já não estava a achar muita piada à ideia de fazer de modelo... Tudo tinha começado umas horas antes quando o J.C, nas suas deambulações matinais, tinha descido à vila e visitado a Galeria Municipal onde estavam expostas obras de uma jovem e promissora artista, Sara Rosa, de apenas 16 (!) anos de idade... 
- Olha só para isto, James, já viste a paixão com que estes dois amigos teus foram retratados? Sem dúvida que a artista adora cães! O que achas hein? - e eu ia olhando para uma e para a outra pintura que ele me mostrava naquele aparelho diabólico que todas as pessoas trazem na mão e por vezes à orelha, parece-me ter sido inventado para alienar as pessoas tantas são as vezes que tento entabular uma conversa, ou pedir um biscoito ou apenas uma pequena atenção, uma festinha às vezes e ninguém nos liga, atarefadas para lá e para cá com aquela coisa e, pior, a falarem sozinhas!
- E olha para este, não está tão querido? Sabes, acabei de ter uma ideia! - disse então o J.C. enquanto ia cofiando a barba e olhando bem fundo nos meus olhos...  E aí, amigos caninos, arrebitei as orelhas devido ao desconforto que às vezes as ideias dele me provocam, "O que vai sair daquela cabecinha?", interrogava-me eu... E o que saiu foi: - "Vou fazer um retrato teu, James! Não é uma boa ideia? Afinal tu até és bastante fotogénico e a mim apetece-me dar azas à minha criatividade, só precisas de ficar quieto uns minutos, ok? Tu até tens pinta de ser um bom modelo..." E depois de longo longo tempo, quando ele me mostrou o meu retrato, até esqueci a seca que foi ser modelo, a coisa até ficou engraçada, ou não acham?





James
(Cão de Valmedo)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

 
VIDA EXTRA COM SABOR A VACA!

Estava eu ainda a gozar do quentinho da minha caminha quando ouço sobre mim a voz entusiasmada do J.C.:
- Bom dia, sua bicheza! E bom ano também! Pois é, James, já reparaste que hoje começou um novo ano e que este ainda por cima vai ser muito especial para ti?
Ao ouvir a voz entusiasmada do J.C. desenrolei-me e levantei a cabeça na sua direcção, intrigado, é claro que me tinha apercebido que algo de extraordinário tinha acontecido durante a noite tanto foi o foguetório aqui pelas redondezas, mas que queria ele dizer com aquilo de o novo ano ser especial para mim?
- Olha só para esta notícia, James, - disse ele apontando para o jornal que tinha na mão - em 2025 vai ser lançado um comprimido que poderá estender a vida dos cães em pelo menos mais um ano! Extraordinário, não achas?
Talvez por me ter apanhado ainda um pouco sonolento aquela informação lançada assim de chofre deixou-me sem reacção e ele, talvez interpretando a minha apatia como um pedido de esclarecimento, desatou a especificar a notícia...


Então, amigos caninos, para o facto de ainda não terem reparado, fiquem sabendo que os cães das raças maiores vivem menos tempo, em média, do que os cães pequenos e desconfiam os cientistas que isso se deve à IGF-1, uma hormona que controla o crescimento e o metabolismo nos animais. Ora, ia acrescentando o J.C., testes realizados em laboratório demonstraram que ao inibir-se a IGF-1 em ratinhos se conseguia aumentar a longevidade dos bichos... Daí até à produção do LOY-002 foi um ápice e aí está o milagroso comprimido para nós cães tomarmos e que ao abrandar alterações metabólicas devido ao envelhecimento nos permitirá uma vida extra... Oxalá!


- E olha que sortudo és, James! Não só o comprimido é apetecível porque vai ter sabor a vaca como tu preenches os requisitos para a sua toma, ele vai ser disponibilizado só para cães grandes e com mais de dez anos de idade! É o teu caso, sabes que já não vais para novo... 
E disse-me ainda o J.C. que toda a gente está a fazer figas para que resulte connosco porque se isso acontecer dar-se-á o próximo passo: depois dos ratos e dos cães  a coisa estender-se-á aos humanos já que nós e eles partilhamos as mesmas doenças provocadas pelo envelhecimento...
- Quem sabe James se daqui a uns trinta anos ainda andaremos por aqui os dois, já imaginaste?
É melhor não imaginar, pensei eu, amigos caninos, logo se verá... 

James
(Cão de Valmedo)

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

 

O FOGUETÓRIO MALVADO!

Pronto, amigos caninos, lá chegou esta maldita época do ano em que aqui à volta desata tudo a lançar foguetes e fogo de artifício como se o mundo fosse acabar amanhã e de facto é bem possível que ele acabe mesmo em breve mas para mim, tal o alvoroço em que já me encontro, há dois dias que perdi o apetite e não tenho dormido lá muito bem, acreditam que já cheguei ao ponto de acordar madrugada cerrada com aqueles medonhos barulhos das explosões e depois vai-se a ver e foi tudo obra do meu subconsciente, uma partida da minha imaginação porque só hoje à noite, último dia do ano para os humanoides, é que a coisa vai mesmo acontecer? Sofro por antecipação, é o que é!
-James, o que se passa? Não me digas que já te estás a esconder dos foguetes, calma, sua bicheza, vai correr tudo bem, afinal vou cá ficar contigo e vamos fazer os dois uma festa bem fixe... - ouvi para meu espanto o J.C. dizer quando me descobriu enroscadinho bem debaixo da lareira do grelhador, um dos meus esconderijos de eleição porque aí os sons chegam abafados...
E de facto, amigos caninos, disse-me o J.C., todo este stress que nos é causado pelo fogo de artificio resulta do nosso apurado instinto de sobrevivência, afinal quem não relaciona estrondos e barulhos intensos repetidos como uma ameaça, um perigo iminente? E sabem vocês que nós temos uma audição muito mais sensível que as pessoas e que conseguimos identificar barulhos a distâncias muito maiores, antecipando o perigo? 


E não menos importante, amigos caninos, nem todos nós sofremos de igual modo com os foguetórios mas sabiam que há muito cão que sofre mesmo muito com isso, desde vómitos, diarreia e incontinência a casos mais graves como episódios de pânico e até ataques cardíacos fatais? E eu que vos diga, já passei muito mal em anos anteriores...
Mas agora não ides acreditar, o J.C. chama por mim e entro em casa, tenha a minha caminha pronta em plena sala, mesmo ao lado da televisão e da iluminada árvore de natal, portas e janelas fechadas para não ver relâmpagos nem ouvir explosões, uns biscoitinhos para me alegrar e uma música ambiente para relaxar... 
E enquanto penso o que fiz eu para merecer todas estas mordomias o J.C., descendo do primeiro andar depois de ter espreitado o fogo pirotécnico na Areia Branca, esclarece:
- Sabes, bicho, já não vais para novo e tive medo que o teu coração não aguentasse...
E não aguentei, elevei-me o mais que pude e dei-lhe um abracinho...
Um bom ano novo para todos vós, queridos amigos caninos... 

"Areia Branca"

James
(Cão de Valmedo)

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

 

OS PARVOS E OS VÍRUS

E pronto, amigos caninos, algum dia tinha que voltar a acontecer, ontem, a primeira coisa que ouvi, ainda sacudia eu os resquícios de sono que teimavam em desaparecer e enquanto me preparava para uma bela espreguiçadela, foi o J.C a provocar-me: - "Olá, sua bicheza, passou bem a noite? Toca a preparar que hoje é dia de vacina! Já tinha saudades, hein?" 
- "Mas já levei tantas vacinas, ainda é preciso mais? - perguntei sem muita esperança e com o olhar mais desconsolado que consegui arranjar...
- "Pois é, bicho, já passou um ano desde a última vacina, agora é altura de levares a das parvoviroses!"



Ainda estava eu a pensar nestas palavras estranhas e complicadas que as pessoas arranjaram para chamar às coisas e parece que o J.C me leu o pensamento:
 - "Sabes, James, os parvovírus são uns vírus, isto é, uns bichinhos perigosos, muito pequeninos que não se conseguem ver e que atacam cães e também pessoas que não estão vacinadas e quando isso acontece as vítimas ficam parvas... Ora, não queres ficar parvo e com dores de barriga, pois não? Para que isso não te aconteça tens que levar a vacina! É que gente muito parva e cães parvos é que não faltam por aí!" 



E pronto, lá me levaram qual prisioneiro num carro celular até às Papagovas para levar a bendita vacina, a sorte é que não me chateia muito, não dói nada, é rápido e depois há sempre a recompensa de um passeio para esquecer o sacrifício... E já me disseram que para o ano é a da raiva, penso que muito importante também porque passo a vida a ouvir o J.C a dizer que para além de muita gente parva também há cada vez mais gente raivosa por aí... 



James
(Cão de Valmedo)

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

 

DIA MUNDIAL DO CÃO




Parece que hoje é o meu dia! E foi um bom dia, por acaso, passado com a família...


James
(Cão de Valmedo)

sábado, 10 de agosto de 2024

 

O MELHOR REMÉDIO QUE HÁ!

Ouço o barulho inconfundível da máquina ainda ela vem lá ao longe a descer a ladeira e como sempre dirijo-me alegremente para o muro, penduro-me na grade e aguardo a chegada do J.C para as saudações habituais... Só que desta vez, amigos caninos, algo se passa aqui, é uma situação especial, a começar pela festa um pouco mais expressiva que ele me fez, depois pela guloseima inabitual, um snack de vaca delicioso que ele sabe que é a minha perdição e depois também pelo que disse com um ar convincente, tal o seu olhar brilhante e expressivo: - "Olá, sua bicheza! Sabes, James, acho que estou em falta contigo, não te tenho valorizado tantas vezes como devia!"
- "Como assim?" - perguntei-lhe apenas com os olhos arregalados e inclinando um pouco o focinho...
E então ele, para minha surpresa, desbroncou-se todo: na sua ida diária ao supermercado deparou-se com uma banca da JAVA (Jovens, Animais, Vida, Ambiente), associação sem fins lucrativos já com um quarto de século de existência na Lourinhã e que surgiu com o objectivo de resgatar à rua cães abandonados, tratá-los, alimentá-los e recuperando-os para uma futura adopção, e hoje em dia são quase duas centenas de cães aguardando um novo lar, à espera de uma família carente de amor e dedicação eterna...




 E com esse bendito folheto na mão, amigos caninos, leu J.C (apenas) algumas das muitas boas razões para ter um cão ao seu lado, senão vejam: 
 - aumenta a sensação de felicidade, 15 a 30 minutos de contacto com um cão faz uma pessoa sentir-se mais calma e relaxada, reduz o stress e melhora o seu estado de humor; (comprovo);
- passear o cão ajuda na sociabilização e a fazer novas amizades; (não aplicável ao J.C);
- ter um cão faz bem à saúde: reduz o risco de depressão e a tensão arterial, combate o stress, para além de as pessoas que têm um cão viverem mais tempo!; (em parte comprovo, quanto à longevidade vamos a ver...);
- ter um cão combate a solidão, reduz o tédio e recompensa a necessidade de afecto; (comprovo);
- é um amor incondicional! Leu no folheto o J.C que os cães são animais extremamente inteligentes e de uma extrema lealdade, estabelecendo vínculos inquebráveis, sendo amigos para toda a vida... (comprovo);




E se a gratidão de um cão quando adoptado é infinita, que dizer da minha gratidão para com a minha família, amigos caninos? E que dizer de todos aqueles que ainda não têm família ou amigos? E ao ver as fotos de quem espera por uma nova casa emocionei-me e entre desejos de me tornar activista perguntei:
- E fizeste ao menos uma contribuição em meu nome, não?
- Claro, James! - quase gritou ele enquanto me dava um abraço tão apertado como não o fazia há muito - Afinal tu és o meu melhor remédio para combater as pragas deste mundo-cão...


James
(Cão de Valmedo)

domingo, 17 de dezembro de 2023

 

TEM MEDO? COMPRE UM JAMES!


"Quem tem medo compra um cão!". A cada dia que passa, o velho provérbio ganha mais sentido e pouco falta para ser considerado uma verdade absoluta deste louco mundo-cão tantas são as evidências que o comprovam, desta vez foi validado por um estudo sueco de 2018 em que durante 12 anos se estudaram 3,4 milhões de pessoas entre os 40 e os 80 anos de idade e as conclusões apuradas apontam inequivocamente para a realidade de que "ter um cão reduz o risco de morrer de doença cardíaca!"...  
De facto, parece que as pessoas que têm apenas como companhia um cão têm menos 23% de hipóteses de morrer de ataque cardíaco, enquanto que na generalidade das pessoas, aquelas que vivem com outras pessoas e um cão também, a probabilidade de morrerem do coração se reduz em 20%! Raios, é muita coisa! Já sabíamos há muito que ter um cão como companhia anulava os riscos do isolamento social e prevenia estados depressivos mais ou menos graves, agora que fazia tão bem ao nosso coração é uma excelente notícia, basta apaixonarmo-nos por um cão e assim vivermos mais tempo e mais felizes e isso é a coisa mais fácil neste mundo tantos são os cães dispostos a amarem-nos e a cuidarem de nós! 
 



E este estudo não é inocente pois segundo uma das suas autoras, sueca, claro, a Suécia é um dos países com mais baixa taxa de propriedade de cães! Tudo bem, pensamos nós que já desconfiávamos que os suecos eram altos, louros, de olhos azuis e com muita queda para a depressão!... Tem medo que o seu coração pare sem aviso? Arranje um cão!!!


João das Boas Regras

(Sociólogo de Valmedo)

"My self(ie)"

James

(Cão de Valmedo)

domingo, 8 de outubro de 2023

 

O MONSTRO DE VALMEDO


-Olha só, James! Lembras-te de eu te dizer há tempos que tinha ouvido uns rumores de que andava por aí um bicho estranho, um monstro nunca visto antes, quiçá uma criatura de outro mundo?
Sim, amigos caninos, eu lembrava-me de ter ouvido aquela história da boca do J.C. mas também de o ter ouvido dizer, e é bem provável que ele já nem se lembre do que disse, de que não acreditava nessas fantasias, que era fruto da crendice popular em cenas paranormais tipo aquela história da loba, alguém talvez com miopia viu uma cadela de grande porte e depois do relato ter dado a volta à freguesia já o bicho se tinha transformado numa terrível loba que dizimava rebanhos e capoeiras... E parecendo que estava a ler os meus pensamentos, sensação das mais desconfortáveis que se pode ter, voltou o J.C. à carga:
- É que desta vez, James, parece não ser apenas uma história a passar de boca em boca e que muitas vezes descamba numa autêntica invenção, alguém conseguiu fotografar o monstro a espreitar de um buraco duma casa, olha só!




E quando ele vira para mim aquele artefacto tecnológico a que todos andam agarrados como se fizesse parte do seu corpo eu, confesso, abri os olhos de espanto, na imagem via-se a cabeça de uma criatura assustadora, com uns olhos demoníacos e uns dentes ameaçadores prontos a devorar... Talvez para me sossegar um pouco disse então o J.C ao reparar no meu desconforto que o que valia é que parece que a estranha criatura ainda só fez estragos nalgumas capoeiras das redondezas, não há relatos de incidentes com pessoas ou cães... Valha-nos isso e a esperança de que entretanto alguém consiga exterminar o bicho para que a tranquilidade volte...

James

(Cão de Valmedo)

terça-feira, 5 de setembro de 2023

 

AGUENTA QUE ÉS CÃO!


Já me tinha cheirado que estava para breve mais uma ausência da família para breve e que não era daquelas curtas originadas pelo trabalho ou idas à capital, algo em grande estava prestes a acontecer... Os sinais começaram quando o J.C e a N. foram buscar aquelas caixas com rodas onde eles metem roupas e outras coisas e que fazem um barulho tão irritante que se me eriça o pêlo...


A confirmação absoluta não tardou quando numa das minhas incursões não autorizadas ao escritório encontrei o J.C. concentrado numas imagens de umas ilhas distantes e com um guia de viagens à ilharga... "Que fazes aqui, bicho?", largou ele sem desviar os olhos daquela coisa diabólica que as pessoas inventaram e que parece ter como função principal roubar-lhes tempo e atenção, e quando eu esperava uma ordem militar para retirada que geralmente surge quando ele me chama bicho, sou surpreendido: 



"Olha só, James, lindas estas flores, não achas?" - e eu concordei enquanto me sentava. "São hortênsias, como aquelas que temos ali no nosso jardim, embora de outras cores. Pronto, agora já sabes que vamos estar fora uns dias mas passa rápido, vais ver, não tarda nada estamos de volta, como sempre." - e tive direito a uma festa... E depois saímos para ir ver as nossas hortênsias, "Vês, quando as saudades te apertarem vens aqui e é como se estivesses nos Açores connosco!"...



Treta, claro que não é a mesma coisa, não é amigos caninos? Não basta imaginar que estamos lá, muito mais do que eles imaginam vai-me custar não ir também a essas ilhas distantes e depois não entendo outra coisa, porque raio vão para tão longe para ver flores que temos cá em casa?


James

(Cão de Valmedo)

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

 

QUAL HIGIENE, QUAL QUÊ!!!!?


Eu sabia, ó se sabia! Quando as duas mulheres cá de casa se juntam e me aparecem pela frente depois de terem mudado ambas repentinamente de indumentária, roupa normal trocada por vestimentas velhas a precisar de reciclagem, cheiro imediatamente o sarilho, amigos caninos, ou seja,  aquilo a que elas chamam de banho!  "Precisas mesmo de um banho, James!", lança a N., "Ai James, cheiras tão mal, cheiras tanto a cão!", carrega a L., como se um cão devesse cheirar a outra coisa qualquer que não a cão, percebem? E claro, depois de ter conseguido fugir a várias investidas dou-me  finalmente por vencido e deixo-me banhar, coisa que não sendo assim tão má também não é agradável por aí além... E depois também já percebi que banho tomado mimos a dobrar, um biscoitinho extra, uma permissão especial para me refastelar bem cheiroso com elas na sala e por aí fora... 



Hoje tive direito a um novo shampô e até a uma água de colónia bem cheirosa mas, amigos caninos, não sei se acontece convosco também mas é-me estranho e custa-me durante algum tempo a habituar-me à falta do nosso cheiro natural... Bem, do mal o menos, ouço dizer que faz bem à pele e ao pêlo...




E ainda bem que não viram a minha figura ensopada depois do banho a andar para cá e para lá num abananço frenético a tentar expulsar a maldita água do meu pêlo, aquela sensação tira-me do sério e da compostura, o que vale é que o próximo banho ainda vem longe...


James

(Cão de Valmedo)

terça-feira, 4 de julho de 2023

 

OS OSSOS E O PESO DA IDADE


Pois é, amigos caninos, algum dia teria que acontecer! Falo daquela sensação com que ficamos depois de a realidade, sem aviso, nos cair em cima e mostrar-nos à evidência que o nosso corpo já não vai para novo e que requer alguns cuidados e limites ao seu uso...  O dia até tinha começado muito bem quando me apercebi que, após um longo e penoso jejum, iríamos vadiar pelos campos selvagens de Verde-Erva-Sobre-o-Mar, de repente vejo-me atrás das grades do velhinho Corsa do M., evidentemente aos saltos de contentamento e eles foram tantos que mais tarde, como justificação para o que aconteceu, o J.C ter dito que "ele de tanto saltar até chegarmos às Cezaredas já estava cansado e de língua de fora, o esforço se calhar foi maior do que o da própria corrida!"...   

Prisioneiro em viagem...

Reconheço que é uma coisa superior ao meu controlo, amigos caninos, antecipo tanta excitação sempre que saímos de Valmedo que só acalmo depois de estar mesmo de rastos, e esta aventura não foi excepção, depois de chegarmos a casa passei a tarde e a noite em modo de merecido descanso, o problema foi a manhã seguinte, não podia mexer-me tantas eram as dores, especialmente na mão esquerda que nem conseguia apoiá-la no chão...


Correndo
  Foi um sofrimento que vos digo, amigos caninos, só me arrastando em três apanhados membros me podia deslocar e claro, quando a N. me viu naquele lastimoso estado entrou em desespero, ainda a oiço a falar ao telefone com o J.C que haveria de chegar mais tarde depois de uma noite a trabalhar no hospital: "Ele não se pode mexer, está prostrado, coitadinho, será que comeu qualquer coisa envenenada sem tu te aperceberes durante o passeio?"... "Não, mesmo quando ele saiu do meu campo de visão não teve tempo para isso... É estranho, ele ontem à tarde conseguia andar bem apesar do cansaço, será que são cãibras?" - ouvia eu do outro lado... "Lembras-te de quando eu chegava a casa depois de uma maratona e não conseguia sequer sair direito do carro?", "Pois, vocês são uns exagerados, é o que é! Ontem abusaste e agora ele nem se mexe! Vou mandar-te uma foto dele para veres a sua tristeza..." E lá me tiraram o retrato para diagnóstico do meu sofrido estado... "O que me preocupa é aquela pata que ele nem mexe... - continuava a N. - É a mesma da qual ele coxeia de vez em quando e já a observei, não vejo lá nenhuma ferida nem nenhum espinho..."  


Prostração

Vieram depois longas e estranhas horas, se por um lado fui contemplado com comida de tacho confeccionada com o intuito exclusivo de me animar, eu que até tinha perdido o apetite pela ração desde a véspera, por outro lado assustava-me o ar com que me olhavam a toda a hora, eu deveria estar mesmo com um aspecto miserável... E também não gostei mesmo nada de ouvir a provocação do J.C., embora se calhar com razão: "Então bicho, estás a ficar velho!? Agora somos dois..." E depois para a N.: "Bem, mesmo que ele entretanto recupere daquela pata, como sempre recuperou e rapidamente, temos que tirar a coisa a limpo para ver se tem alguma fractura ou uma fissura ou seja lá o que for..." E lá fomos ao médico, amigos caninos, a minha primeira ida às urgências, aliás, até agora só tinha tido necessidade de ir ao veterinário por causa das vacinas, uma vez ao ano...


A caminho do RX
Consulta efectuada, radiografia tirada e que não acusou nenhuma lesão na mão problemática, prescrição de comprimidos para as dores e outros para fortalecimento das articulações, agora já ando, corro e salto como antes e a minha existência vai decorrendo aqui por Valmedo com a normal tranquilidade... Apenas uma coisa me vai tirando ao de leve o sono, fui pesado e acusei 4 quilos a mais para o meu peso ideal, estão a ver, será que me vão cortar nos petiscos? E muito convencido também não ficou o J.C, apesar de a simpática doutora tivesse logo afirmado que não acreditava serem cãibras, ele continua a desconfiar disso e quando me apanhou a sós lançou: "James, porque não podes tu também teres cãibras como eu? Até a formação da palavra é sugestiva, cãi (cão) mais bras (abrasado), ou seja, cão abrasado..."... Não sei se estava a brincar...    


JAMES

(Cão de Valmedo)

quinta-feira, 2 de março de 2023

 

UM OSSO DURO DE ROER


Nem de longe imaginava o bico de obra em que entretanto se tornou a minha existência por estes dias, amigos caninos, os últimos tempos tinham até sido bastante pacatos e rotineiros aqui por Valmedo, grande parte deles passados refastelado ao sol que o frio não tem dado tréguas...  Há três luas atrás fui até à cozinha fazer companhia ao J.C, atraído pelos aromas irresistíveis que me chegavam da panela -"Vai sair daqui um belo minestrone, James!" dizia-me ele enquanto mandava mais umas coisas para a panela...
-" E se te portares bem ainda ficas com este belo osso do chambão para te entreteres, que tal?"
E eu concordei na boa, amigos caninos, afinal aqueles pedaços de carne que ele ostentava cheiravam-me bem e que saudades eu tinha de roer um belo osso... Assim sendo, fiz-me de esfinge sonolenta encostado à parede aguardando pelo prémio prometido mas a coisa não se tornou fácil, é que o pitéu exigia muita manobra e tempo de cozedura e foi com disfarçada impaciência que aguentei quedo até ao momento em que o chef, depois de ter minuciosamente desprendido a carne de dois ossobucos, se abeirou de mim e disse: -"Toma, hoje mereceste!"


"Eu, encarando o ossobuco..."

O problema, amigos caninos, é que me parece ter sido vítima de uma armadilha, aqueles dois pequenos ossos depressa viraram problema! A primeira impressão que tive ao olhar para eles e depois de os cheirar é que seriam um belo repasto, ainda para mais com um buraco no meio seriam de rápida e saborosa roedura mas depois de ter lhes ter chupado o gostoso tutano é que foram elas, duros como cornos se revelaram e mesmo os abocanhando a toda a força apenas lhes fazia eu umas leves incisões e ainda por cima tinha que ouvir as palavras gozonas do J.C:
-"Então, James, estás a fazer cócegas ao osso ou quê? 


  
"Mesmo a dormir..."


- "Fica sabendo que esse é um osso especial, é cortado da perna da vaca e é muito saboroso, não achas?"
E eu claro que concordava com os olhos, saborosos e bem cheirosos lá eles eram mas não havia meio de se desfazerem e, reparem bem, amigos caninos, no meu orgulho nunca deitei a toalha ao chão, o problema é que já lá vão três dias de abocanhadelas minhas e os ossos continuam inteiros, até já sonho com eles e cheguei a levá-los para a cama com o intuito de os estraçalhar enquanto dormia...
- "Hummm... Já percebi, James, o que estás a fazer é uma escultura em osso, tipo aqueles artistas que gravam figuras em ossos de baleia, certo?"
E eu, sem saber se era provocação ou incentivo, ainda por aqui continuo obcecadamente a tentar desfazer os malditos ossobucos... 

 

James

(Cão de Valmedo)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023


CURIOSIDADES DO MUNDO-CÃO - XL 

 

A PONTE DO DEMÓNIO CANINO


- Eh! James!!!! - gritou o J.C de uma forma inusitada que até comecei a tremer... - Queres ver que também te vais suicidar? - E enquanto eu tentava perceber o que se passava com ele, amigos caninos, sai-se ele com esta: - Que raio se passa contigo? Mas estará esta ponte também amaldiçoada ou quê? - E não fosse ele, já um pouco mais calmo e enquanto me puxava pela trela para o meio da inofensiva ponte do Toxofal a explicar a razão da sua exaltação e ainda agora estaria eu a colocar em causa a sua sanidade mental... Não é que não continue a ter dúvidas sobre isso mas desta vez escapou, ainda que por pouco...

   

     

"Eu na ponte do Toxofal" - Jean-Charles Forgeronne

Então, amigos caninos, fiquei a saber pelo J.C. que existe uma ponte de arquitectura clássica e com arcos góticos situada numa pequena cidade da Escócia, chamada OVERTOUN BRIDGE e que desde o século passado se tornou num mistério de pasmar! A ponte foi construída em 1895 e manteve-se pacífica até 1950, altura em que, sem explicação alguma, centenas de cães (fala-se em 600 até agora) desataram a saltar de cima dos 15 metros de altura da ponte até se estatelarem lá em baixo, alguns nas rochas, tendo mais de cinquenta morte imediata... O extraordinário é que os sobreviventes da experiência voltavam a tentar saltar novamente na primeira oportunidade! "DOG SUICIDE BRIDGE", a "ponte dos cães suicidas", assim passou a ser conhecida desde então a ponte Overtoun...   


"OVERTOUN BRIDGE"

Será uma ponte assombrada por fantasmas, crê inabalavelmente a população da zona e embora um veterinário tivesse afirmado há tempos ter decifrado o mistério, coisa que não convenceu muita gente, disse ele que os cães se lançariam para o abismo devido ao cheiro enlouquecedor de um animal que viveria lá em baixo, uma espécie de vison americano, isso não explica porque saltam os cães sempre do mesmo lado da ponte e porque voltam a saltar à primeira oportunidade... Pois bem, talvez a melhor explicação esteja mesmo no simbolismo local, afinal "OVERTOUN" significa em linguagem ancestral "o lugar onde o céu e a terra estão muito perto", aquilo que para muitos místicos é um "THIN PLACE", um lugar místico onde os vivos e os mortos se encontram... Terão tido então os cães suicidas vislumbres do divino, de algo transcendente? Uma força superior irresistível? O certo é que depois do passeio de ontem passei inquieto, não dormi lá muito bem a pensar se a explicação para o mistério não será a existência de demónios caninos que nos tentam atrair para o abismo, para o outro misterioso lado... Tenham pois muito cuidado, amigos caninos...


JAMES

(Cão de Valmedo"