CURIOSIDADES DO MUNDO-CÃO - LXV
A LENTA VIAGEM DO CAMIÃOZINHO
Estamos no extremo noroeste da ilha das Flores, na Ponta do Albarnaz, atrás de nós impera o farol construído há 101 anos e à nossa frente vislumbramos através do nevoeiro o recorte da costa e dois ilhéus, um mesmo aqui à beira, o Ilhéu de Maria Vaz e ao longe outro que daqui parece bem mais pequeno, talvez por estar a cerca de 1,6 milhas náuticas de distância, o Ilhéu de Monchique e que na realidade é um enorme rochedo com 30 metros de altura!... Ouvi com graça a um florentino de gema chamar a este último "o nosso camiãozinho" e de facto, reparando bem, a silhueta do calhau faz lembrar um camião estacionado sobre as águas...
Ora sendo a ilha das Flores o extremo europeu mais ocidental daí decorre que o Ilhéu de Monchique, sendo o ponto mais ocidental da ilha, é simultaneamente o ponto mais ocidental da Europa e curiosamente a cada ano que passa mais ocidental vai ficando!
O que acontece é que, viajando à boleia da placa tectónica americana, as Flores e o ilhéu de Monchique se vão afastando não só da Europa como do resto do arquipélago, sendo esse afastamento de alguns centímetros por ano... É uma viagem muito lenta esta da ilha e do seu camiãozinho mas, quem sabe, daqui a uns milhões de anos talvez deixem de ser europeus!
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| "Farol de Albarnaz" - Jean-Charles Forgeronne |
Mas desengane-se quem pensar que o Ilhéu de Monchique não passa de um calhau perdido no oceano, ele não se resignou a esse papel tão modesto e o certo é que serviu como ponto de referência para acerto das rotas e calibração dos instrumentos náuticos...
João Palmilha
(Viajante de Valmedo)


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