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| "Mural de VHILS (pormenor)", Barreiro - Jean-Charles Forgeronne |
Planando no Mundo Cão
sábado, 31 de outubro de 2026
UMA VOLTINHA POR... - XIII
... Barreiro... histórico; Começamos a voltinha no Largo da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, templo da padroeira e que actualmente é o ponto central das festas da cidade, e com a praia e os moinhos de Alburrica pelas costas partimos à descoberta da Rua Conselheiro Joaquim António de Aguiar, outrora também conhecida como a Rua Direita, rica em histórias e lendas e a mais importante e vibrante rua do Barreiro onde tudo acontecia, era lá o centro do comércio e onde se encontravam as gentes, onde se alinhavam negócios e que era berço de tertúlias e discussões e conspirações políticas... Por entre prédios vetustos a marcha a direito pela rua convém ser lenta para permitir respirar a história e o ambiente de outros tempos, depois viramos à esquerda em busca do passeio ribeirinho onde se abrem largas vistas sobre o Tejo, com Lisboa e suas pontes ao fundo...
O único senão, para não comprometer a marcha e o desafio, é ter que ignorar as esplanadas, cafés e restaurantes que nos desafiam para petiscos históricos e bebidas de antanho, como um capilé, por exemplo, coisas de outros tempos...
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| "Mural do VHILS", Barreiro - Jean-Charles Forgeronne |
Mais à frente, já em pleno centro do território da antiga "cidade" da CUF, salta à vista o grandioso e o maior mural criado por VHILS até hoje, com 150 metros de extensão, uma homenagem do artista à história fabril e industrial do Barreiro... E logo a seguir, embora um pouco recolhido e afastado da via mas bem defronte do antigo parque industrial, somos confrontados com um monumento que extravasa os cânones normais, nada menos que o gigantesco mausoléu de Alfredo da Silva, para o bem e para o mal a principal figura do Barreiro ou não tivesse sido ele o criador da Companhia União Fabril, de longe a principal empresa impulsionadora e sustento da economia da cidade durante décadas, até à sua nacionalização em 1975...
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| "Mausoléu de Alfredo da Silva", Barreiro - Jean-Charles Forgeronne |
João Palmilha
(Viajante de Valmedo)
domingo, 25 de outubro de 2026
A MISTERIOSA ORIGEM DAS PALAVRAS - XXVI
QUANDO O SOL SE ALBURRICA...
São três os moinhos de Alburrica, construídos há 164 (!) anos e há muito desactivados: o Nascente e o Poente, de tipologia lusitana comum, e o Gigante, belo exemplar de traça holandesa... O sítio de Alburrica, uma pequena península ribeirinha do Barreiro onde o rio Coina desagua no Tejo e outrora um importante centro moageiro, para além dos moinhos tem uma praia fluvial e constitui um belo cenário para uns bons e inspirados passeios, românticos ou não, para além de oferecer uma singular vista do perfil de Lisboa lá ao longe...
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| "Alburrica" - Foto: Grilos |
"Ah! E um pôr-do-sol magnifico, temos de vir cá ver o pôr-do-sol, é único!" - disseram em uníssono os Grilos, o João e a Isabel, barreirenses de gema e nossos queridos anfitriões... E na minha mais sincera e inocente ignorância pergunto-lhes: "Porque se chama a isto Alburrica?"... Ninguém sabia...
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| "Esplendor em Alburrica" - Foto: Grilos |
Pois bem, pesquisa aturada feita, o nome ALBURRICA deriva do árabe al-barriqâ, que significa brilho ou esplendor... E tudo ganha sentido quando assistimos a um pôr-do-sol em Alburrica e desfrutamos do magnífico reflexo dos últimos raios solares sobre a baía...
João Portugal
(Linguísta de Valmedo)
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
UMA VOLTINHA POR... - XII
Lisboa, Rua de Santa Marta... e imediações... Ainda sob o efeito da revolta popular contra o estado caótico do panorama habitacional português e que se revelou em toda a sua pujança na manifestação ocorrida em pleno Rossio, por exemplo, umas centenas de metros abaixo do sítio por onde agora deambulo, constato que de facto as coisas não estão bem, por ali tresanda a especulação imobiliária...
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| "Rua de Santa Marta" - Jean-Charles Forgeronne |
Por estes dias ouvi na radio alguém dizer que a última moradora na Praça D. João IV, vulgo Rossio, já tinha sido despejada há pouco tempo, ou seja, não mora lá absolutamente ninguém! E o mesmo deve acontecer por outras zonas de Lisboa, veja-se a Rua de Santa Marta, onde estou agora, a meia dúzia de passos da Avenida da Liberdade, são mais os prédios devolutos, entaipados ou em ruínas do que os habitados por gente comum, talvez à espera de um fundo imobiliário que invista em luxo ou em hotéis...
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| "Rua de Santa Marta" - Jean-Charles Forgeronne |
E tanta gente, tanta família e tanto jovem sem oferta de casa para comprar ou arrendar a preços decentes nesta cidade cada vez mais descaracterizada e a saque, uma autêntica capital-fantasma!...
João das Boas Regras
(Sociólogo de Valmedo)
domingo, 18 de outubro de 2026
TASCAS E ANTROS DE PRAZER - XLI
VIAJAR NO ELÉTRICO DO MARQUES
Não havendo tragédia no Teatro D. Maria II nem sequer muito drama na manifestação no Rossio contra o caos da habitação, trocados os planos e orfãos de cultura, decidimos sair de cena pela porta dos fundos e afogar as mágoas à mesa do Restaurante Marques, na Travessa do Forno, mesmo por detrás do teatro, a salvo da algazarra e da confusão, sugestão da Leonor e do Tom que já conheciam o antro...
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| "O elétrico" - Jean-Charles Forgeronne |
É inevitável chegar a pé, lá não chegam os carros, embora noutros tempos já tenha passado por ali o elétrico 15, os carris ainda lá estão no interior do Marques e a paragem é absolutamente obrigatória! O espaço é pequeno e embora quando em dias secos e amenos se instalem umas mesas cá fora em plena rua é sempre aconselhável chegar bem cedo ou fazer reserva ou não tivéssemos nós, nesta visita não programada, ter esperado quase uma hora por mesa, embora fruto também da presença de alguns manifestantes inflamados em pausa reaccionária...
Casa de comida tradicional e popular portuguesa servida generosamente e à boa maneira antiga, embora houvessem outras opções deliciamo-nos com as boas carnes, por exemplo o Bife à Marques, de molho ímpar, houve quem optasse por bife grelhado e até bitoque ou naco na pedra, tudo a preceito... Quanto a sobremesas o bolo de bolacha fez sucesso... Experiência a repetir em dia menos agitado, o Marques é um segredo bem escondido no coração da capital...
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| "Enquanto isso..." - Jean-Charles Forgeronne |
João Ratão
(Chef de Valmedo)
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