Depois de Saramago partiu o outro Nobel da língua portuguesa... É lógico e expectável esta minha afirmação ser imediatamente rotulada de mentirosa, reduzindo-a a um vómito de uma mente ignorante ou então catalogá-la como mais uma fakenew da modernidade, mas, tentando parabolizar a nefasta ocorrência e argumentando em defesa própria mesmo consciente de que chegado a esta linha já muitos ou quase todos desistiram de continuar a ler, até porque cada vez mais rareiam o tempo e a disponibilidade para a leitura de meia dúzia de palavras, quanto mais de um texto como este que já vai longo, não será verdade que foi atribuído pelo mundo da literatura o prémio Nobel honoris causa da Literatura a António Lobo Antunes? Ele que, ao contrário do José da Azinhaga que se viu reconhecido em vida, foi sendo sempre ao longo de meia vida sistematica e injustamente esquecido pelos ilustres notáveis que decidem a coisa, apesar de meio mundo achar que ele merecia a distinção a todo o ano que passava, é para o ano pensava-se todos os anos... Agora é tarde demais e mesmo assim não importa muito, o próprio António, qual cú-de-judas, devia estar-se a cagar para o prémio...
Mais importante para ele do que o Nobel era o BENFICA, esse amor que os dois, tanto ele como Saramago, embora este menos exuberante no que diz respeito às nuances técnico-tácticas dentro das quatro linhas, nutriam pelo "glorioso" e por tudo aquilo que o mítico clube significa a nível social, político ou cultural, o clube de todos, do povo e dos burgueses, dos miseráveis e dos remediados, mas acima de tudo uma casa universal onde se luta pela liberdade, pela igualdade de direitos e pela esperança, por uma sociedade mais justa e inclusiva, um sítio (ou um spot para os mais modernos se se quiser) onde não há excluídos nem elites, et pluribus unum sempre na luta contra a injustiça social e divina, sempre com um abraço pronto para o próximo... Não foi então essa afinal a essência que os dois grandes mestres da língua portuguesa nos deixaram, ambos denunciadores e acusadores da tremenda ditadura social e económica que desvirtua a humanidade?
E que orgulho enorme sinto eu enquanto lampião (mas um lampião esclarecido, afianço!) ao saber que António Lobo Antunes pediu para que fosse tocado o hino do Benfica na sua última viagem, ele que um dia disse que o sonho dele sempre fôra ser o Águas da literatura... Pois bem, António, nunca nos conhecemos pessoalmente nem lá perto mas aqui digo "MUITO OBRIGADO", pela humanidade e pela sabedoria, e depois também pelo derradeiro poema que quis que dissessem no seu adeus a este podre mundo, o seu poema preferido, julgo, do açoriano Antero de Quental e que a partir de agora e mais pelo poema (que não conhecia antes, admito) do que por si, entrou nos meus "poemas de vida", por isso outra vez obrigado... E já agora, o meu Nobel 2026 vai para si!








