NÃO HÁ CONVERSAS QUE CHEGUEM...
Há vidas tão cheias de histórias, peripécias e acontecimentos que não cabem numa entrevista, numa conversa por mais longa que seja, num livro até, por isso António Galopim de Carvalho, o professor, já leva mais de trinta livros publicados e para além das obras que versam sobre temas científicos muitos deles são de ficção e vão desde romance a ensaio, de memórias à culinária... E hoje, com 95 anos, parece não querer parar, disse-o há um par de semanas que se levanta todos os dias antes das galinhas, pelas quatro da madrugada, cheio de ideias e vontade de escrever, seja no computador seja no facebook, plataforma que considera a sua janela para o mundo e onde tem mais de 50 000 fiéis seguidores ávidos pela sua partilha de histórias e memórias, não admira pois ter sido distinguido com o Prémio Envelhecimento Activo em 2017, e já lá vai quase uma década e a actividade não parou...
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| "Galopim no Espaço Ciência", 2016 - Jean-Charles Forgeronne |
Em 2021, numa entrevista ao Público pela altura do seu nonagésimo aniversário, revelou porque começou a escrever, tarde, sentiu esse apelo em 1991 ou 1992 ao ler um livro de Zélia Gattai, "Anarquistas (Graças a Deus)" e que relata as vivências dos imigrantes italianos em São Paulo, histórias giríssimas, diz ele, e então pensou que também poderia escrever sobre tantas histórias antigas da sua meninice e adolescência, de tantas memórias de uma vida bem preenchida, e ainda bem que o decidiu fazer... Além disso, o professor catedrático jubilado Galopim de Carvalho continua a desenvolver acções de divulgação, defesa e valorização do património geológico e paleontológico nacional... E que deleite foi estar com ele há pouco no Espaço Ciência da Festa, foi um privilégio conviver com um comunicador por excelência e um gerador de afectos...
João Parte-Pedra
(Geólogo de Valmedo)