sexta-feira, 5 de junho de 2026

"Diálogo em Porto Pim" - Jean-Chales Forgeronne

 
QUARENTA ANOS DE MARINA!

Inaugurada a 3 de Junho de 1986, a Marina da Horta, localizada no sudeste da ilha do Faial e com capacidade para 300 embarcações, é hoje uma das mais importantes marinas do mundo, sendo a quarta mais visitada em todo o globo! A sua localização permite um excelente abrigo contra os ventos, venham eles de onde vieram, e faz dela uma escala quase obrigatória para os veleiros que cruzam o Atlântico Norte ou aqueles que viajam das Caraíbas em direcção ao Mediterrâneo...

"Marina da Horta" - Jean-Charles Forgeronne

A Horta, apesar de pequena, é uma cidade lindíssima e quem passeia ao longo do passeio à ilharga da marina apercebe-se que está a respirar espíritos marinhos, esta cidade foi feita de lendas que o mar criou... Os muros da marina não têm espaço para pintar, tudo está coberto de pinturas feitas pelos iatistas em busca de boa fortuna para o resto da sua viagem, é que segundo a lenda quem não pinta no molhe fica mais sujeito a sofrer graves acidentes... 

"Rocinante marítimo" - Jean-Charles Forgeronne

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)

quarta-feira, 3 de junho de 2026


E porque hoje é o Dia Mundial da Bicicleta...

O cross matinal ainda vai no início, saí nem há dez minutos do hotel em ritmo lento como convém para poder contemplar a baía e, aproveitando as ruas das Angústias ainda desertas, estudar com tempo as pinturas no muro em frente ao Café de Porto Pim em busca de alguma mensagem interessante... Deixei a igreja para trás e agora à minha esquerda jaz a marina adormecida, os mastros das embarcações quase que tocam o nevoeiro que teima em dissipar, por impulso olho em frente e ao longe em busca do Pico mas a montanha hoje acordou escondida...

"Pantónio na Horta" - Jean-Charles Forgeronne

Mais uma centena de passadas e reparo numa meia dúzia de frondosas figueiras ainda estéreis que parecem descer a encosta, questiono-me se o mestre Euclides Rosa aqui terá vindo arrancar-lhes os ramos jovens para deles extrair o miolo e trabalhá-lo com paciência de ourives nas suas delicadas e minuciosas obras... E depois, assim que faço uma curva ganho o prémio do dia, ao longo do muro surgem uns traços esguios, umas linhas entrelaçadas e umas andorinhas tão peculiares que só podiam ser do Pantónio, o artista terceirense que descobri já há alguns anos num moinho no Moledo lourinhanense e agora também presente aqui pela Horta, numa obra sob o signo da bicicleta... E agora, olhando para o alto, hesito em subir ao cimo do Monte da Guia, ainda se tivesse uma bicicleta à mão...

"As bicicletas do Pantónio" - Jean-Charles Forgeronne

João Pena-Seca
(Escritor de Valmedo)
 E porque hoje é o Dia Mundial da Bicicleta...

"A verdade é que, por culpa da bicicleta, as mulheres deslocavam-se por conta própria, desertavam do lar e desfrutavam do perigoso sabor da liberdade. E por culpa da bicicleta, o opressivo espartilho, que as impedia de pedalar, saiu do roupeiro e foi para o museu."

Eduardo Galeano
in "Os filhos dos dias"

 A MARAVILHOSA BICICLETA

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Bicicleta, instituído pela Organização das Nações Unidas há seis anos com o intuito de lembrar não só a importância da bicicleta na sociedade tanto a nível de transporte como de lazer, por um lado, mas também salientar os benefícios do seu uso regular para a saúde e para o ambiente...
Para mim, que tive a sorte de ter alguém que me ensinou a andar de bicicleta aos cinco anos de idade, desde esses primórdios infantis que a associei sempre a uma sensação e experiência de liberdade...
Por isso partilho da opinião de quem se sentia um herói quando de bicicleta se aventurava à descoberta...

"BD de Luís Louro"
João das Boas Regras
(Sociólogo de Valmedo)
 
TASCAS E ANTROS DE PRAZER - XXXIX

UM MERGULHO NOS SABORES ATLÂNTICOS

Quem chega a Santa Cruz das Flores a necessitar de repasto, seja petisco ou refeição, pode ser desagradavelmente surpreendido pois a oferta é manifestamente escassa, e então se calhar a um domingo como foi o nosso caso o cenário ainda piora pois vários cafés e restaurantes fecham a esse dia ou encerram cedo, culpa de não haver mão-de-obra, "ninguém quer trabalhar" confidenciou-me um gerente, chef de cozinha e empregado de mesa, tudo ao mesmo tempo e que sozinho no seu café tem que encerrar às 8 da tarde, mas nem tudo está perdido quando o visitante agoniza de sede e fome no deserto de opções, basta procurar "O Mergulhador", um simpático restaurante à beira do Porto das Poças e dar um delicioso mergulho nos sabores atlânticos...


Casa de comida tradicional e simpático atendimento, valem a pena tanto a carne como o peixe, a ementa é variada e merece mais do que uma visita; a hora era já um pouco adiantada para a rotina açoriana mas valeu a pena esperar pela grelhada mista para dois, a carne no ponto, a batata da terra deliciosa e um pormenor inédito na minha experiência gastronómica: a mistura de carnes inclui frango, de grelha irrepreensível e molho delicioso, um toque especial inspirado no "frango da guia", confidenciaram-me, mas que fica bem lá isso fica... A condizer muito bem também estava o vinho branco da casa, à temperatura certa... 


João Ratão
(Chef de Valmedo)
 CURIOSIDADES DO MUNDO-CÃO - LXV

A LENTA VIAGEM DO CAMIÃOZINHO

Estamos no extremo noroeste da ilha das Flores, na Ponta do Albarnaz, atrás de nós impera o farol construído há 101 anos e à nossa frente vislumbramos através do nevoeiro o recorte da costa e dois ilhéus, um mesmo aqui à beira, o Ilhéu de Maria Vaz e ao longe outro que daqui parece bem mais pequeno, talvez por estar a cerca de 1,6 milhas náuticas de distância, o Ilhéu de Monchique e que na realidade é um enorme rochedo com 30 metros de altura!... Ouvi com graça a um florentino de gema chamar a este último "o nosso camiãozinho" e de facto, reparando bem, a silhueta do calhau faz lembrar um camião estacionado sobre as águas...
Ora sendo a ilha das Flores o extremo europeu mais ocidental daí decorre que o Ilhéu de Monchique, sendo o ponto mais ocidental da ilha, é simultaneamente o ponto mais ocidental da Europa e curiosamente a cada ano que passa mais ocidental vai ficando! 

"O camiãozinho" - Jean-Charles Forgeronne

O que acontece é que, viajando à boleia da placa tectónica americana, as Flores e o ilhéu de Monchique se vão afastando não só da Europa como do resto do arquipélago, sendo esse afastamento de alguns centímetros por ano... É uma viagem muito lenta esta da ilha e do seu camiãozinho mas, quem sabe, daqui a uns milhões de anos talvez deixem de ser europeus!

"Farol de Albarnaz" - Jean-Charles Forgeronne

Mas desengane-se quem pensar que o Ilhéu de Monchique não passa de um calhau perdido no oceano, ele não se resignou a esse papel tão modesto e o certo é que serviu como ponto de referência para acerto das rotas e calibração dos instrumentos náuticos...

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)