domingo, 1 de novembro de 2026

 
SINAIS DO DESTINO?

Claro que tudo poderia não passar de uma mera coincidência, como tantas outras afinal, mas que fiquei a matutar forte na matéria cinzenta lá isso fiquei: então porque raio é que numa trattoria chamada Verona, no Barreiro e a meio continente de distância da bota italiana, vou encontrar, um pouco disfarçadas no corredor de acesso aos lavabos, duas envelhecidas imagens de Veneza emolduradas em rústica madeira do tempo de Marco Polo? Ainda se fossem da famosa varanda da Julieta, tudo bem, mas porque raio de Veneza?



Só poderia ser um sinal, convenço-me facilmente, daí a duas semanas eu e N. iriamos viajar até Veneza para conhecer a encantada e idolatrada cidade das ilhas, das pontes e dos mil canais, não era coincidência, convenci-me, era mesmo um postal vindo do futuro, tudo estava programado e a acontecer segundo o oráculo...


"Então até já Veneza!", imaginei-me gritando enquanto pensava nessa coisa estranha e perigosa do destino...

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)
 
TASCAS E ANTROS DE PRAZER - XLII

VERONA, OU A VARANDA DOS SABORES...

Voltinha dada pelo passeio ribeirinho do Barreiro eis chegada a hora do repasto e estava eu muito longe de imaginar que num ápice, qual viagem supersónica pelo espaço e pelo tempo, me acharia em Verona, palco da mais famosa e maravilhosa história de amor de todos os tempos, a tragédia de Romeu e Julieta... A entrada da trattoria, leia-se tasca ou restaurante, pode passar despercebida aos mais distraídos mas como íamos guiados pelos Grilos estávamos tranquilos e esperançosos de que tudo se comporia, e de facto, depois de atravessarmos um manhoso e singelo corredor e depois passar por uma apelativa esplanada interior desaguamos num ambiente intimista e acolhedor.... 


"Íntimo Verona" - Jean-Charles Forgeronne

Depois de uns fantásticos croquetes de camarão e polvo com molho tártaro como entrada aconselham o João e a Isabel - "Os risottos são fantásticos!" - mas como já alguém ia pedi-los eu optei, na minha teimosia de experimentar o diverso possível ("depois provo só do teu risotto"! - estão a ver?) por uma porcheta, ou seja, barriga de porco servida com molho pesto, batata rústica e nozes, deliciosa, já agora.... Depois, os vários risottos, especialmente o de tomate seco, rúcula e  mozzarella fresca, de facto são deliciosos....

"Il risotto..." - Jean-Charles Forgeronne

A pizza que veio para a mesa também não desiludiu e as sobremesas também foram aprovadas... E depois, ao contrário da trágica história de Romeu e Julieta que se encontravam através da famosa varanda dos amores, que bom é saber que é possível ter um final feliz na varanda de aromas do Verona...

João Ratão
(Chef de Valmedo)

sábado, 31 de outubro de 2026

"Mural de VHILS (pormenor)", Barreiro - Jean-Charles Forgeronne

 
UMA VOLTINHA POR... - XIII


"Nossa Senhora do Rosário", Barreiro
... Barreiro... histórico; Começamos a voltinha no Largo da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, templo da padroeira e que actualmente é o ponto central das festas da cidade, e com a praia e os moinhos de Alburrica pelas costas partimos à descoberta da Rua Conselheiro Joaquim António de Aguiar, outrora também conhecida como a Rua Direita, rica em histórias e lendas e a mais importante e vibrante rua do Barreiro onde tudo acontecia, era lá o centro do comércio e onde se encontravam as gentes, onde se alinhavam negócios e que era berço de tertúlias e discussões e conspirações políticas... Por entre prédios vetustos a marcha a direito pela rua convém ser lenta para permitir respirar a história e o ambiente de outros tempos, depois viramos à esquerda em busca do passeio ribeirinho onde se abrem largas vistas sobre o Tejo, com Lisboa e suas pontes ao fundo...
O único senão, para não comprometer a marcha e o desafio, é ter que ignorar as esplanadas, cafés e restaurantes que nos desafiam para petiscos históricos e bebidas de antanho, como um capilé, por exemplo, coisas de outros tempos... 

"Mural do VHILS", Barreiro - Jean-Charles Forgeronne

Mais à frente, já em pleno centro do território da antiga "cidade" da CUF, salta à vista o grandioso e o maior mural criado por VHILS até hoje, com 150 metros de extensão, uma homenagem do artista à história fabril e industrial do Barreiro... E logo a seguir, embora um pouco recolhido e afastado da via mas bem defronte do antigo parque industrial, somos confrontados com um monumento que extravasa os cânones normais, nada menos que o gigantesco mausoléu de Alfredo da Silva, para o bem e para o mal a principal figura do Barreiro ou não tivesse sido ele o criador da Companhia União Fabril, de longe a principal empresa impulsionadora e sustento da economia da cidade durante décadas, até à sua nacionalização em 1975...

"Mausoléu de Alfredo da Silva", Barreiro - Jean-Charles Forgeronne

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)

domingo, 25 de outubro de 2026

 
A MISTERIOSA ORIGEM DAS PALAVRAS - XXVI

QUANDO O SOL SE ALBURRICA...

São três os moinhos de Alburrica, construídos há 164 (!) anos e há muito desactivados: o Nascente e o Poente, de tipologia lusitana comum, e o Gigante, belo exemplar de traça holandesa... O sítio de Alburrica, uma pequena península ribeirinha do Barreiro onde o rio Coina desagua no Tejo e outrora um importante centro moageiro, para além dos moinhos tem uma praia fluvial e constitui um belo cenário para uns bons e inspirados passeios, românticos ou não, para além de oferecer uma singular vista do perfil de Lisboa lá ao longe...

"Alburrica" - Foto: Grilos

"Ah! E um pôr-do-sol magnifico, temos de vir cá ver o pôr-do-sol, é único!" - disseram em uníssono os Grilos, o João e a Isabel, barreirenses de gema e nossos queridos anfitriões... E na minha mais sincera e inocente ignorância pergunto-lhes: "Porque se chama a isto Alburrica?"... Ninguém sabia...

"Esplendor em Alburrica" - Foto: Grilos

Pois bem, pesquisa aturada feita, o nome ALBURRICA deriva do  árabe al-barriqâ, que significa brilho ou esplendor... E tudo ganha sentido quando assistimos a um pôr-do-sol em Alburrica e desfrutamos do magnífico reflexo dos últimos raios solares sobre a baía...

João Portugal
(Linguísta de Valmedo)

sábado, 24 de outubro de 2026

 
OBRAS DE ARTE NATURAL - III

"Darth Vader vindo do futuro..." - Lourinhã - Jean-Charles Forgeronne

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

 
APANHADO NA REDE - VIII

Querem ver que um dia destes ainda descobrem que o Rio Almôndega alimenta o Paúl do Hambúrguer e que desagua no Rio Rolo de Carne Picada, o qual, por sua vez, desagua em pleno estuário de Lisboa?