quinta-feira, 30 de abril de 2026

 
UMA VOLTINHA POR... - VIII

ÓBIDOS, em modo aeroporto global... Todas as latitudes convergiram neste Abril para Óbidos, reconhecida cidade literária por excelência e daqui depois viajou-se para qualquer lado ou para outra ponta de mundo através da literatura, era só escolher o destino e a porta de embarque...


De passaporte na mão, apenas necessitamos de dar azo à imaginação e à curiosidade e com elas, ao mesmo tempo que se partilham histórias e experiências com escritores viajantes, tentamos perceber este mundo tão vasto, tão estranho e tão maravilhoso... 



Exposições (com destaque para a de Nadir Afonso), ateliers e workshops, conversas com escritores, animação de rua e música, tanta coisa boa para tornar estes dias mais belos... 


Visito este aeroporto ainda deserto, o sol nasceu há pouco nesta latitude e inspiro ao máximo a serenidade da vila ainda adormecida, logo será bem diferente, especialmente ali na Porta G05, onde um acontecimento extraordinário terá lugar e eu teria vindo de qualquer parte do mundo para estar presente... E sorte a minha, já cá estou e pertinho de casa...


João Vírgula
(Leitor de Valmedo)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

 ESCRITO NA PAREDE - LII


Jean-Charles Forgeronne
(Fotógrafo de Valmedo)


QUANDO OS MOINHOS CONTAM HISTÓRIAS... 

São cinco os moinhos mas para a história contam apenas quatro porque um deles, apesar dos esforços feitos para reverter o processo, foi transformado num anexo de uma habitação, talvez uma questão de vazio legal e de oportunidade e com isso tudo ficou a perder o património histórico e social da região... Mas ganha-se muito mais do que se perde ali no alto da Pinhoa, dali vê-se Montejunto e em dias claros um linha de Atlântico à beira da Areia Branca mas o que interessa mesmo não está na linha do horizonte, está mesmo à nossa frente: quatro magníficos moinhos, todos bem conservados e estimados e de portas abertas a visitas, não só em datas especiais como o Dia do Moinho mas também a visitas de estudo por parte das escolas ou simplesmente por marcação prévia, basta contactar a Vera, que para além ser descendente dos originários moleiros e proprietários dos moinhos é uma apaixonada e dedicada defensora da preservação da historia e da tradição do parque eólico...

"Pinhoa" - Jean-Charles Forgeronne

Recuperados há 25 anos, três dos moinhos estão em funcionamento e um outro foi transformado em bar, por isso mesmo apelidado de "MOINHO BAR" embora hoje já não sirva bebidas e o espaço atrás do balcão seja mais uma loja de artesanato...

"Moinho-Bar" - Jean-Charles Forgeronne

Depois temos o moinho do "Francisco da Antónia", o mais antigo de todos, construído na última década do século XIX, a seu lado está o moinho do "Xico", com 104 anos de idade e depois, mesmo em frente ao bar, o moinho "Santa Maria", da primeira década do século XX e assim baptizado desde 1961 porque reza a história que no mesmo dia em que o paquete Santa Maria foi sequestrado por um grupo armado que queria chamar a atenção internacional para as injustiças perpetradas pela ditadura então vigente o moinho foi seriamente danificado por um temporal e as pessoas da terra, olhando para a desgraça que era ver o moinho destruído, começaram a dizer "parece o Santa Maria", e a coisa pegou... Pormenor curioso, o moinho ostenta hoje na sua parede uma imagem da Santa, considerada a sua madrinha...  

"Molino" - Jean-Charles Forgeronne

Depois, lá mais em baixo na vila de Moita dos Ferreiros ainda há para ver o "Moinho do Boneco" assim chamado porque o moleiro era mesmo pequenino, parecia um bonequinho... E se a fome apertar não seja passarinho, procure conforto no dito cujo, cozinha típica de excelência e em boa conta...

"Moinho do Xico" - Jean-Charles Forgeronne

 João Alembradura
(Historiador de Valmedo)

terça-feira, 7 de abril de 2026


E porque hoje se celebra o Dia Nacional do Moinho...

 

"Moinhos" -  Pinhoa
Jean-Charles Forgeronne
(Fotógrafo de Valmedo)

quarta-feira, 1 de abril de 2026

sábado, 28 de março de 2026




02:41:58

Pelas duas e quarenta
e um e cinquenta e oito
nos Cucos um cuco anunciou
o início da mais bela estação...
E acordam primaveris criaturas.

Plana além a cegonha, lenta,
saltita ali o esquilo, afoito,
num carvalho o pica-pau se fincou
e numa campânula pousa o abelhão,
saem coelhos das suas luras...

Quão efémera é a doce beleza
desta natureza tão exuberante
e aqui todos sabem com certeza
de que a vida é apenas um instante...

J.C
(Poeta de Valmedo)

"Un chalet aux Coucous" - Jean-Charles Forgeronne