O MUNDO-CÃO PELO OLHO DO ARTISTA - IV
Planando no Mundo Cão
sexta-feira, 8 de maio de 2026
LIVROS 5 ESTRELAS - XLIII
À VOLTA DE BORGES...
Em 1964, em Buenos Aires, um escritor cego convidou um jovem livreiro de apenas 16 anos para lhe ler em voz alta. E foi assim que durante quatro anos Alberto Manguel, o jovem, hoje um dos mais conceituados bibliófilos do mundo, frequentou o apartamento de Jorge Luís Borges, o escritor, e com ele conviveu intimamente...
Este maravilhoso livro, pequeno em tamanho mas enorme em essência, é não só um livro de memórias mas também uma homenagem à personagem desconcertante que foi Borges, nele se divulgam a partilha de momentos domésticos, de leituras, de conversas e reflexões, sobre livros e sobre a vida... E há tantas curiosidades a descobrir sobre sobre o autor de "A Biblioteca de Babel"...
João Vírgula
(Leitor de Valmedo)
VIAGEM À LITERATURA GLOBAL...
E ali estava eu, chegado cedo que seria imperdoável não arranjar um lugar nas poucas cadeiras disponíveis, sentado admirando o belíssimo cenário da Livraria do Mercado, esperando pela hora certa para ver e ouvir a lenda... Faltavam ainda uns minutos e a coisa anima, alguém dispõe numa mesinha ali ao lado uns copos e um aparato de chá, claro, tudo a condizer, afinal também todaa gente estava ali para ouvir falar de chá... E à hora certa, só faltou o gongo oriental para a anunciar, duas figuras até então escondidas num canto da primeira fila se levantam e ocupam as duas cadeiras de palestrantes... Uma, com o seu característico chapéu, é Alberto Manguel, a lenda, a outra, que se viria a revelar também um excelente conversador e especialista em chá, é Sebastien Filgueiras, autor das ilustrações do livro que irá ser apresentado...
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| "Livraria do Mercado, Óbidos"- 19/04/26 |
Alberto Manguel, escritor, ensaísta e erudito bibliófilo, está ali mesmo à minha frente para apresentar o seu último livro, "Contos do Chá", uma colectânea de contos em que o denominador comum é, obviamente, o chá, essa mítica bebida que acompanha a humanidade há séculos, e onde, entre um sorvo e outro, nos podemos deleitar com pérolas de Agatha Christie, Hans Christian Andersen, Saki ou Anton Tchékov, entre outros... E se juntarmos ao chá um personalizado autógrafo melhor fica a cerimónia...
(Leitor de Valmedo)
quinta-feira, 30 de abril de 2026
UMA VOLTINHA POR... - VIII
ÓBIDOS, em modo aeroporto global... Todas as latitudes convergiram neste Abril para Óbidos, reconhecida cidade literária por excelência e daqui depois viajou-se para qualquer lado ou para outra ponta de mundo através da literatura, era só escolher o destino e a porta de embarque...
De passaporte na mão, apenas necessitamos de dar azo à imaginação e à curiosidade e com elas, ao mesmo tempo que se partilham histórias e experiências com escritores viajantes, tentamos perceber este mundo tão vasto, tão estranho e tão maravilhoso...
Exposições (com destaque para a de Nadir Afonso), ateliers e workshops, conversas com escritores, animação de rua e música, tanta coisa boa para tornar estes dias mais belos...
Visito este aeroporto ainda deserto, o sol nasceu há pouco nesta latitude e inspiro ao máximo a serenidade da vila ainda adormecida, logo será bem diferente, especialmente ali na Porta G05, onde um acontecimento extraordinário terá lugar e eu teria vindo de qualquer parte do mundo para estar presente... E sorte a minha, já cá estou e pertinho de casa...
João Vírgula
(Leitor de Valmedo)
segunda-feira, 13 de abril de 2026
QUANDO OS MOINHOS CONTAM HISTÓRIAS...
São cinco os moinhos mas para a história contam apenas quatro porque um deles, apesar dos esforços feitos para reverter o processo, foi transformado num anexo de uma habitação, talvez uma questão de vazio legal e de oportunidade e com isso tudo ficou a perder o património histórico e social da região... Mas ganha-se muito mais do que se perde ali no alto da Pinhoa, dali vê-se Montejunto e em dias claros um linha de Atlântico à beira da Areia Branca mas o que interessa mesmo não está na linha do horizonte, está mesmo à nossa frente: quatro magníficos moinhos, todos bem conservados e estimados e de portas abertas a visitas, não só em datas especiais como o Dia do Moinho mas também a visitas de estudo por parte das escolas ou simplesmente por marcação prévia, basta contactar a Vera, que para além ser descendente dos originários moleiros e proprietários dos moinhos é uma apaixonada e dedicada defensora da preservação da historia e da tradição do parque eólico...
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| "Pinhoa" - Jean-Charles Forgeronne |
Recuperados há 25 anos, três dos moinhos estão em funcionamento e um outro foi transformado em bar, por isso mesmo apelidado de "MOINHO BAR" embora hoje já não sirva bebidas e o espaço atrás do balcão seja mais uma loja de artesanato...
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| "Moinho-Bar" - Jean-Charles Forgeronne |
Depois temos o moinho do "Francisco da Antónia", o mais antigo de todos, construído na última década do século XIX, a seu lado está o moinho do "Xico", com 104 anos de idade e depois, mesmo em frente ao bar, o moinho "Santa Maria", da primeira década do século XX e assim baptizado desde 1961 porque reza a história que no mesmo dia em que o paquete Santa Maria foi sequestrado por um grupo armado que queria chamar a atenção internacional para as injustiças perpetradas pela ditadura então vigente o moinho foi seriamente danificado por um temporal e as pessoas da terra, olhando para a desgraça que era ver o moinho destruído, começaram a dizer "parece o Santa Maria", e a coisa pegou... Pormenor curioso, o moinho ostenta hoje na sua parede uma imagem da Santa, considerada a sua madrinha...
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| "Molino" - Jean-Charles Forgeronne |
Depois, lá mais em baixo na vila de Moita dos Ferreiros ainda há para ver o "Moinho do Boneco" assim chamado porque o moleiro era mesmo pequenino, parecia um bonequinho... E se a fome apertar não seja passarinho, procure conforto no dito cujo, cozinha típica de excelência e em boa conta...
(Historiador de Valmedo)
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