quinta-feira, 28 de maio de 2026

 A ILHA DOS 2 BORDALOS

Chego ao Corvo e sinto-me como se tivesse chegado ao fim do mundo, ao fim e ao cabo esta é a derradeira ilha e tanto assim é que é a mais difícil de alcançar, geralmente é a última do arquipélago a ser explorada e nem todos conseguem aqui chegar pois é preciso haver uma conjuntura meteorológica favorável e nem sempre se tem essa sorte, aqui acabam os Açores, depois dela apenas a imensidão do oceano...

"Cagarro", Bordalo II - Foto: Jean-Charles Forgeronne

Mas apesar de ser a mais pequena ilha dos Açores e de apenas ter uma localidade, Vila do Corvo, o Corvo tem muito para descobrir e o visitante pode ser surpreendido a cada curva do caminho, basta, por exemplo, dar de caras com 2 obras de Bordalo II feitas a partir de lixo marinho: o cagarro, na vila, e o mero, na Praia da Areia, já em plena Reserva da Biosfera da ilha... E vale muito a pena procurá-los!

"Mero", Bordalo II - Foto: Jean-Charles Forgeronne

João Plástico
(Artista de Valmedo)

sábado, 16 de maio de 2026

 
ORA BOLAS! MALDITO FUTEBOL...

Tinha sublinhado no programa e até escrito na agenda a data e a hora do evento que não queria perder por nada (ou quase nada) deste mundo: o João Gobern voltava aos Livros a Oeste, depois de anteriores passagens dele por aqui em que não pude estar presente!  Seria a minha merecida desforra, teria a oportunidade de lhe agradecer pessoalmente tantas e boas sugestões musicais e literárias que foi dando ao longo de décadas em programas de rádio ou em jornais e claro, já tirei da estante o seu último livro que serve de mote a esta sua visita, "Tira o Disco e Toca ao Vivo", uma interessantíssima, necessária e oportuna abordagem sobre a indústria musical na Lusitânia desde os anos 80 do século passado até aos dias de hoje... E um pormenor delicioso que me agrada de sobremaneira neste ensaio é o facto de que cada capítulo ter tomado o título de uma canção emblemática da considerada música moderna portuguesa no período de tempo em análise, seja, por exemplos, "A vida num só dia", dos Rádio Macau, 1985, ou "Amor digital", de Jorge Palma, 2023...




E com alguma dificuldade também trouxe à luz do dia o CD de Thomas Dybdahl, "One day you'll dance for me, New York", com a fabulosa homónima canção que numa manhã ancestral e de sorte calhou eu ouvir o João sugerir num programa de rádio, penso que num saudoso "Hotel Babilónia", e o meu mundo foi diferente para melhor desde então, uma das canções a eleger para a minha colectânea de vida... Só por isso, mas também por muito mais, obrigado, Gobern! Mas eis senão quando na hora da verdade o Gobern aparece apenas em vídeo, a porcaria do futebol obrigou-o a ficar retido para comentários naqueles painéis de especialistas da bola para os quais já não há ponta de pachorra... Compromissos são compromissos, de acordo, mas logo haveria o último jogo do glorioso ser marcado para este mesmo dia? E ainda por cima com diminutas possibilidades de êxito? Imperdoável, Gobern! E o tão ansiado autógrafo? Vais ter que pagar com juros quando voltares aos Livros a Oeste... Cá te espero...

João Sem Dó
(Musicólogo de Valmedo)

sexta-feira, 15 de maio de 2026

 
O POETA DO JARDIM...

"Livros a Oeste"
E se de repente à nossa passagem as árvores desatassem a falar? Reacções diversas podem acontecer, depende de cada um e dos seu estado de espírito, eu cá não me livrei de um pequeno susto quando ao entrar no Parque da Cegonha para a corrida matinal ouço uma árvore dizer-me "Psssst!...Psssst"... "Que porra é esta? Por acaso caí no buraco do País das Maravilhas onde as árvores e outras estranhas criaturas falam?" - interroguei-me de boca aberta e olhar confuso... É então que a árvore, depois de me ter chamado a atenção, começa a declamar um poema, a voz, reparo então, sai de uma pequena caixa de madeira que faz lembrar uma daquelas casotas para pássaros que encontramos por jardins e florestas, e dizia assim:

O poeta do jardim
não é flor que se cheire
mas dá bom perfume a mim
e amor a quem se abeire...

O poeta do jardim
é uma voz que dá flor
e ecoa ao som do clarim
soprando prosas de amor...

O poeta do jardim
traz ao jardim mais beleza
e o poema não tem fim
se a língua é portuguesa...

O  poeta é uma flor secreta
que enche o jardim de cor
porque um jardim sem poeta
é como um jardim sem flor...

"Caixa-falante" - Jean-Charles Forgeronne

E depois, continuando ao longo do parque descubro, ou antes, sou atraído pelo "Psssst! Psssst!" de mais oito caixas idênticas, cada uma em sua árvore e cada qual com o seu poema... Mais tarde descobrirei que tudo faz parte de uma instalação chamada "O poeta no Jardim", inserida no programa dos Livros a Oeste 2026 e cujo autor é David Santos, aka Noiserv, um habitué daquele festival literário... Já em 2024, no Festival que comemorava os 50 anos do 25 de Abril, o artista tinha apresentado outra desconcertante instalação chamada "Três luzes acenderam ao mesmo tempo em três janelas diferentes"...

"Parque da Cegonha", Lourinhã - Jean-Charles Forgeronne

E assim a corrida se transformou em caminhada poética, aliviaram-se os músculos pelo menor esforço mas inspirou-se a alma e ganhou-se o resto do dia...

J.C
(Poeta de Valmedo)

quarta-feira, 13 de maio de 2026

sexta-feira, 8 de maio de 2026

EFEMÉRIDE# 113

OS CEM ANOS DO HOMEM-PLANETA



Chegar bem vivo aos 100 anos não é para todos, merecer esses 100 anos e mais uns quantos é só para alguns, e de todos esses ainda alcançar a eternidade é raríssimo, mas é o caso de Sir David Attenborough, exemplo de uma vida a ensinar e a mostrar a beleza extraordinária que ainda existe neste mundo-cão... Só não partilho com ele a fé e a esperança que tem no ser humano, por vezes penso até que este planeta necessitava de uma profunda desintoxidesumanização!  Parabéns, Sir, e obrigado...

João Atemboró
(Naturalista de Valmedo) 

O MUNDO-CÃO PELO OLHO DO ARTISTA - IV


"Aqueduto" - Ana Rita Manique, aguarela sobre papel


"Óbidos" - Jean-Charles Forgeronne, 2026

 
LIVROS 5 ESTRELAS - XLIII

À VOLTA DE BORGES...

Em 1964, em Buenos Aires, um escritor cego convidou um jovem livreiro de apenas 16 anos para lhe ler em voz alta. E foi assim que durante quatro anos Alberto Manguel, o jovem, hoje um dos mais conceituados bibliófilos do mundo, frequentou o apartamento de Jorge Luís Borges, o escritor, e com ele conviveu intimamente...


Este maravilhoso livro, pequeno em tamanho mas enorme em essência, é não só um livro de memórias mas também uma homenagem à personagem desconcertante que foi Borges, nele se divulgam  a partilha de momentos domésticos, de leituras, de conversas e reflexões, sobre livros e sobre a vida... E há tantas curiosidades a descobrir sobre sobre o autor de "A Biblioteca de Babel"...

João Vírgula 
(Leitor de Valmedo)