terça-feira, 13 de outubro de 2026

"Fragas de São Simão" - Jean-Charles Forgeronne

 

ESCRITO NA PAREDE - LVI


"Tomar", Convento São Francisco - Foto: Jean-Charles Forgeronne


 TASCAS E ANTROS DE PRAZER - XL

116 PEIXES DO RIO

A coisa não tinha corrido bem na véspera, até tínhamos sido os primeiros clientes a chegar, meio-dia quase em ponto, não fosse haver haver constrangimentos por não termos reserva e por causa da fama do café e restaurante, o 116, onde o peixe do rio é rei, mas o despiste de um camião ocorrido de madrugada a duas centenas de metros dali, em plena avenida em Carvalhos de Figueiredo, tinha deixado metade da freguesia sem água e outra metade sem luz, ora sem água torna-se difícil cozinhar e nada de peixe frito, a única opção disponível era entrecosto grelhado acompanhado de arroz, batata frita e uma deliciosa e refrescante salada... Apesar do azar e do desgosto de o peixe frito ficar adiado para as calendas tomarenses, porque iríamos partir para outras paragens na manhã seguinte, o almoço valeu a pena... 


Mas as voltas imponderáveis do destino iriam alterar outra vez os nossos planos, a meio da manhã seguinte, depois uma visita ao Aqueduto dos Pegões, arriscámos uma difícil excursão até à Praia Fluvial do Agroal e aí chegados a custo, pasmados, deparámos com o local transformado num estaleiro de obras... Ora, era suposto depois de uns belos e refrescantes banhos seguirmos viagem para norte mas assim, novamente desconsolados e apelando ao meu optimismo incondicional, e com uma pitadinha de vingança à mistura, confesso, ala que se faz tarde, para salvar o dia rumamos novamente ao 116, talvez já tivessem água e peixe frito! E não é que havia as duas coisas?



Havia até lampreia e enguias das quais sou apreciador mas optei por uma mista-do-rio, ou seja, fataça, achigã, lúcio, truta e pimpão, peixe frito no ponto e sequinho, estaladiço como convém e melhorado ainda com um molho vinagrete do qual não desdenharia ter a receita, acompanhado por batata frita e umas migas ribatejanas de se lhes tirar o barrete... Quanto à N., indecisa na escolha por estar mais habituada a peixe de mar, por sugestão do mestre Delfim, alinhou numa dose de lúcio por ser um peixe com sabor menos intenso que os demais, e não se arrependeu...


Falta referir que os vinhos da casa, quer o branco quer o tinto, servidos a jarro como é de bom tom ali pelo Ribatejo, são uma excelente opção, e quanto às sobremesas, bem, meus amigos, quer a mousse de chocolate quer o pudim da casa são... divinais! Bom apetite para quando passarem pelo 116...

João Ratão
(Chef de Valmedo)

quarta-feira, 7 de outubro de 2026



"A janela das janelas", Tomar - Jean-Charles Forgeronne

 UMA VOLTINHA POR... - XI

...Tomar templário... Começa-se a voltinha na margem esquerda do Nabão, junto da Igreja de Santa Maria do Olival, belíssimo templo mandado erigir por Gualdim Pais por volta de 1160 e que se viria a tornar panteão dos Mestres da Ordem... E sim, existem oliveiras por ali ao redor do templo e que, por sinal divino com certeza, ainda dão azeitona... E claro, dali, desde a torre, apontando o olhar para oeste só se poderia ver a magnificente silhueta do castelo templário lá no alto, o nosso destino final...

"Santa Maria do Olival" - Jean-Charles Forgeronne

Mas para chegar ao destino é necessário que atravessemos a ponte para a outra margem do rio e duas centenas de metros lentamente percorridas entramos no imenso largo onde impera o Convento de São Francisco, e aí, se houver tempo e interesse, é obrigatória uma visita ao Museu dos Fósforos, provavelmente a maior colecção de caixas de fósforos do mundo...! Seguimos depois para a entrada da Mata dos Sete Montes e aí só há uma opção: subir até ao castelo por entre frondosas árvores de estimação...


E depois, lá em cima, recuperando o fôlego e castelo à beira, é imperioso visitar o Convento de Cristo, obviamente fundado por Gualdim Pais em 1160 e que hoje é Património Mundial da Humanidade... Um monumento deslumbrante e que tem muito mais para descobrir para além da janela mais famosa de Portugal e arredores...

"Castelo templário" - Jean-Charles Forgeronne

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)
"Algures em Tomar templário..." - Jean-Charles Forgeronne



 

 UMA VOLTINHA POR... - X

...Tomar... O centro histórico de Tomar merece não uma mas várias visitas ao longo do dia, só assim será possível captar os diversos cambiantes de luz incidindo sobre os edifícios centenários, as impressões da atmosfera e os sentimentos que o cenário natural desperta, à boa maneira do que Monet fez com a catedral de Rouen e com os nenúfares do seu lago... Não há só um Tomar, há vários Tomares, e que bom é poder descobri-los a todos...  

"A Corredoura ao lusco-fusco" - Jean-Charles Forgeronne

Deixámos o Nabão atrás das costas e percorremos lentamente a Rua Serpa Pinto, popularmente conhecida como a "Corredoura", via que os Cavaleiros Templários corriam de alto a baixo treinando tácticas de combate e que, missão cumprida, os levava depois até casa, o castelo lá em cima...  A luz do entardecer espelhada nas vidraças e no pavimento transportam-nos a outra dimensão e, se fecharmos os olhos, quase ouvimos os cavalos em debandada...

"Igreja de São João Baptista, Tomar"- Jean-Charles Forgeronne 

Num breve passeio que nos transporta muitos séculos atrás chegámos depois à Praça da República, o coração do Tomar medieval, de um lado a Igreja de São João Baptista e do outro os Paços do Concelho e a estátua de Gualdim Pais, o fundador da cidade e Grão-Mestre da Ordem... Depois podemos sempre perdermo-nos pelas inúmeras ruelas e becos que ainda preservam o ambiente de antanho, até visitar a sinagoga da cidade, a mais antiga existente no país...

"Praça da República, Tomar" - Jean-Charles Forgeronne

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)