![]() |
| "Íbis negra" - Tiago Hacke - Ponte 25 de Abril |
Planando no Mundo Cão
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
domingo, 23 de agosto de 2026
A SURPRESA DESTE VERÃO
![]() |
| "Ao sol do Oeste" - Jean-Charles Forgeronne |
Ao primeiro e impactante encontro com estas aves de majestoso bico longo e curvo pensei tratarem-se de garças mas depois uma publicação da associação ambiental Lourambi esclareceu-me: trata-se da Íbis Preta, de nome científico Plegadis falcinellus, uma ave de médio porte com uma altura de meio metro e uma envergadura de asas à volta de um metro e cujos habitats são locais húmidos como margens de rios, paius, lagoas e outros, desde que a água seja pouco profunda e haja vegetação aquática...
Curioso é o facto de apesar de se chamar Íbis Preta (ou Negra) esta ave, vista ao perto e sob a incidência dos raios solares, reflectir lindíssimos tons de verde, azul e violeta; quanto à sua alimentação ela consta de peixes, rãs e outros animais aquáticos e também, por vezes, de insectos... É uma espécie migratória, rara em Portugal mas que nos últimos anos tem sido avistada com mais frequência e se esta colónia que foi avistada pela primeira vez pelas bandas da Lourinhã veio para ficar ou não há que esperar, quem sabe se constroem ninhos naqueles plátanos onde hoje pernoitam e desatam a pôr ovos, seria bom sinal, por aqui ficariam, nesta terra amena e tranquila...
João Atemboró
(Naturalista de Valmedo)
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
terça-feira, 4 de agosto de 2026
LENDAS E NARRATIVAS - XXIX
A TRAGÉDIA DUMA MORTE ESTÚPIDA
A estranha morte de Ésquilo, o famoso autor de tragédias gregas, para uns não passará de uma lenda mas para outros constituirá um acontecimento histórico credível muito por culpa de Plínio, o Velho, o também famoso naturalista e escritor romano que descreveu a curiosa ocorrência na sua gigantesca obra "História Natural", uma autêntica enciclopédia do conhecimento... Assim, segundo Plínio, andando Ésquilo pela Sicília gozando já em idade de reforma a sua fama de grande dramaturgo, uma águia que tinha capturado uma tartaruga andava em voos circulares pelos ares com o réptil recolhido na sua couraça entre as garras e com uma estratégia em mente: quebrar a carapaça da presa deixando-a cair lá do alto sobre uma rocha e assim bicar o petisco... E assim fez, só que aquilo que lhe pareceu ser uma rocha era a cabeça careca e brilhante de Ésquilo, o qual não resistiu à terrível pancada!
O irónico da história é que Ésquilo evitava estar por casa e andava o mais que podia pela natureza porque queria fugir ao seu destino, é que tempos antes tinha-lhe sido dito numa profecia que o tecto de uma casa lhe cairia sobre a cabeça, nada mais certo então, acabou morto pela casa de uma tartaruga! Ele que foi mestre em criar tragédias, obras em verso em que figuram ilustres personagens e que geralmente acabam com uma morte, talvez nunca tivesse sonhado que a sua própria morte seria digna de uma tragédia surreal...
Mas passados séculos também Plínio acabou os seus dias de forma trágica e irónica, vitima da sua curiosidade infindável e enquanto não só liderava uma missão de salvamento mas também enquanto investigava o fenómeno, acabou por morrer devido à inalação de cinzas e de gases vulcânicos libertados pela erupção do vulcão Vesúvio no ano 79 d.C...
João Alembradura
(Historiador de Valmedo)
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
A MISTERIOSA ORIGEM DAS PALAVRAS - XXV
A TRAGÉDIA DE ÉSQUILO E DO ESQUILO
![]() |
| Foto: Milvoz |
Quanto ao nome Ésquilo ele tem origem no grego aiskhúlos, por sua vez um diminutivo de aiskhos e que significa "vergonha"; assim, o grande dramaturgo era conhecido como o tímido, o envergonhadito... Mas para além do nome muito parecido há uma outra coisa que aproxima o poeta e o mamífero, a tragédia: no caso do primeiro, a quem foram atribuídas mais de sessenta obras, apenas sete (!) se conservaram, quanto ao segundo, especialistas colocam-no na lista de espécies em extinção a curto prazo, o que aliás não seria novidade pois o "Sciurus vulgaris", o esquilo vermelho que vemos por aí, já esteve extinto em Portugal desde o século XVI até cerca de 1990 devido ao corte de árvores e perda de florestas...
João Portugal
(Linguísta de Valmedo)
Subscrever:
Mensagens (Atom)









