domingo, 25 de outubro de 2026

 
A MISTERIOSA ORIGEM DAS PALAVRAS - XXVI

QUANDO O SOL SE ALBURRICA...

São três os moinhos de Alburrica, construídos há 164 (!) anos e há muito desactivados: o Nascente e o Poente, de tipologia lusitana comum, e o Gigante, belo exemplar de traça holandesa... O sítio de Alburrica, uma pequena península ribeirinha do Barreiro onde o rio Coina desagua no Tejo e outrora um importante centro moageiro, para além dos moinhos tem uma praia fluvial e constitui um belo cenário para uns bons e inspirados passeios, românticos ou não, para além de oferecer uma singular vista do perfil de Lisboa lá ao longe...

"Alburrica" - Foto: Grilos

"Ah! E um pôr-do-sol magnifico, temos de vir cá ver o pôr-do-sol, é único!" - disseram em uníssono os Grilos, o João e a Isabel, barreirenses de gema e nossos queridos anfitriões... E na minha mais sincera e inocente ignorância pergunto-lhes: "Porque se chama a isto Alburrica?"... Ninguém sabia...

"Esplendor em Alburrica" - Foto: Grilos

Pois bem, pesquisa aturada feita, o nome ALBURRICA deriva do  árabe al-barriqâ, que significa brilho ou esplendor... E tudo ganha sentido quando assistimos a um pôr-do-sol em Alburrica e desfrutamos do magnífico reflexo dos últimos raios solares sobre a baía...

João Portugal
(Linguísta de Valmedo)

sábado, 24 de outubro de 2026

 
OBRAS DE ARTE NATURAL - III

"Darth Vader vindo do futuro..." - Lourinhã - Jean-Charles Forgeronne

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

 
APANHADO NA REDE - VIII

Querem ver que um dia destes ainda descobrem que o Rio Almôndega alimenta o Paúl do Hambúrguer e que desagua no Rio Rolo de Carne Picada, o qual, por sua vez, desagua em pleno estuário de Lisboa?



 UMA VOLTINHA POR... - XII

Lisboa, Rua de Santa Marta... e imediações...  Ainda sob o efeito da revolta popular contra o estado caótico do panorama habitacional português e que se revelou em toda a sua pujança na manifestação ocorrida em pleno Rossio, por exemplo, umas centenas de metros abaixo do sítio por onde agora deambulo, constato que de facto as coisas não estão bem, por ali tresanda a especulação imobiliária...

"Rua de Santa Marta" - Jean-Charles Forgeronne

Por estes dias ouvi na radio alguém dizer que a última moradora na Praça D. João IV, vulgo Rossio, já tinha sido despejada há pouco tempo, ou seja, não mora lá absolutamente ninguém! E o mesmo deve acontecer por outras zonas de Lisboa, veja-se a Rua de Santa Marta, onde estou agora, a meia dúzia de passos da Avenida da Liberdade, são mais os prédios devolutos, entaipados ou em ruínas do que os habitados por gente comum, talvez à espera de um fundo imobiliário que invista em luxo ou em hotéis...

"Rua de Santa Marta" - Jean-Charles Forgeronne 

E tanta gente, tanta família e tanto jovem sem oferta de casa para comprar ou arrendar a preços decentes nesta cidade cada vez mais descaracterizada e a saque, uma autêntica capital-fantasma!...

"Rua Rodrigues Sampaio" - Jean-Charles Forgeronne
 
João das Boas Regras
(Sociólogo de Valmedo)

domingo, 18 de outubro de 2026

 
TASCAS E ANTROS DE PRAZER - XLI

VIAJAR NO ELÉTRICO DO MARQUES

Não havendo tragédia no Teatro D. Maria II nem sequer muito drama na manifestação no Rossio contra o caos da habitação, trocados os planos e orfãos de cultura, decidimos sair de cena pela porta dos fundos e afogar as mágoas à mesa do Restaurante Marques, na Travessa do Forno, mesmo por detrás do teatro, a salvo da algazarra e da confusão, sugestão da Leonor e do Tom que já conheciam o antro... 

"O elétrico" - Jean-Charles Forgeronne

É inevitável chegar a pé, lá não chegam os carros, embora noutros tempos já tenha passado por ali o elétrico 15, os carris ainda lá estão no interior do Marques e a paragem é absolutamente obrigatória! O espaço é pequeno e embora quando em dias secos e amenos se instalem umas mesas cá fora em plena rua é sempre aconselhável chegar bem cedo ou fazer reserva ou não tivéssemos nós, nesta visita não programada, ter esperado quase uma hora por mesa, embora fruto também da presença de alguns manifestantes inflamados em pausa reaccionária... 


Casa de comida tradicional e popular portuguesa servida generosamente e à boa maneira antiga, embora houvessem outras opções deliciamo-nos com as boas carnes, por exemplo o Bife à Marques, de molho ímpar, houve quem optasse por bife grelhado e até bitoque ou naco na pedra, tudo a preceito... Quanto a sobremesas o bolo de bolacha fez sucesso... Experiência a repetir em dia menos agitado, o Marques é um segredo bem escondido no coração da capital... 

"Enquanto isso..." - Jean-Charles Forgeronne

João Ratão
(Chef de Valmedo)
 
A TRAGÉDIA DA MALFADADA CULTURA

Desconfio bem que esta tragédia só ocorreu por maliciosa interferência das três feiticeiras pois tudo neste sábado 17 de Outubro estava programado segundo as leis normais do universo para que fosse um dia perfeito, bilhetes comprados com larga antecedência porque desde o início se antevia que os espectáculos iriam esgotar, viagem precoce desde o longínquo Oeste devido aos esperados e propalados constrangimentos previstos para a baixa pombalina por causa das manifestações populares contra o custo de vida e contra o caótico estado do acesso à habitação, senão quando, já chegados a boa Lisboa e apenas a uma hora do início do evento, somos confrontados com a recepção de um mail por parte da organização a informar que a peça MacBeth que iria ter lugar na Sala Garret do Teatro Nacional D. Maria II tinha sido cancelada devido a uma greve convocada pelo CENA-STE, um sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos, e para piorar o trágico cenário ainda éramos alertados para o facto de, visto que a carreira da peça estava esgotada até ao seu final a 31 de Outubro, não seria possível trocar os ingressos para outra sessão! E depois mais nos solicitava a missiva a nossa melhor compreensão para o facto...   
Pois não compreendemos, apesar de nos termos esforçado para isso, a tal greve por certo que estava anunciada algum tempo antes, pelo menos assim diz a lei, e apelando à razão e ao respeito pelos espectadores não teria ela nascido por geração espontânea no próprio dia, então porque raio saiu o comunicado apenas em cima do evento, a apenas 1(!) hora do início do espectáculo?! Como diz o outro, também artista: "Isto é gozar com quem trabalha!", ou, pelo menos, com quem fez 200 Kms de viagem ao preço a que estão os combustíveis e com portagens incluídas... E depois ainda dizem que ninguém liga à cultura, que o povo não se interessa, blá, blá, blá... Ou será que a greve, para quem a decretou, quiçá por profecia das feiticeiras, teve impacto mínimo no seu orçamento porque tinham a bilheteira esgotada até ao final da peça? No mínimo é uma malvadez macbethiana! E que belo enredo seria este para a genial pena de Shakespeare...
Mas entretanto, teatro  fechado e de fachada embelezada pelos carros da polícia de intervenção, ali mesmo defronte já decorria a manifestação contra o estado da habitação em Portugal e, meus amigos, diz quem vive o caso na pele, essa tragédia não fica a dever muito ao drama de MacBeth...


"Tragédias no Teatro" - Jean-Charles Forgeronne

João das Boas Regras
(Sociólogo de Valmedo)

terça-feira, 13 de outubro de 2026