ESCRITO NA PAREDE - L
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
A HISTÓRIA DE PAPEL E A HISTÓRIA VIVA - II
TORDESILHAS, ONDE METADE DO MUNDO FOI PORTUGUÊS!
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| "Livro de História de Portugal" |
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| "Casas del Tratado", Tordesilhas - Jean-Charles Forgeronne |
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| "Cópia doTratado" - Torre do Tombo |
No Museu do Tratado de Tordesilhas, de entrada gratuita, pode ser vista uma réplica do histórico documento e curioso é o facto de o original castelhano se encontrar no Arquivo da Torre do Tombo, em Lisboa, enquanto que o original português se encontra no Arquivo Geral das Índias, em Sevilha! E para apimentar a história do Tratado há muitos especialistas que salientam a hipótese de D. João aquando das negociações finais do acordo estar na posse de secretos conhecimentos de que haveria existência de terras na parte sul da sua metade, nomeadamente as costas daquilo que mais tarde viria a ser o Brasil, falta saber quem foram os seus misteriosos informadores!
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| "Cópia do Tratado", Tordesilhas - Jean-Charles Forgeronne |
João Alembradura
(Historiador de Valmedo)
domingo, 18 de janeiro de 2026
CURIOSIDADES DO MUNDO-CÃO - LXIII
A PONTE QUE VAI E VEM
E se a ponte não for uma simples via de passagem para a outra a margem? E se em vez disso, se em vez de atravessarmos a ponte for a ponte a levar-nos ao colo até à outra margem e depois a trazer-nos de regresso se necessário? Confuso? Pois é mesmo isso que acontece há 133 (!) anos a cerca de uma dezena de quilómetros de Bilbau: a Ponte da Biscaia, inaugurada em 1893, foi a primeira ponte suspensa transportadora a ser construída neste planeta e une as margens do rio Nervíon entre Portugalete e Getxo!
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| "Ponte da Biscaia", gravura do séc.XIX |
A ponte em ferro, uma obra de engenharia notável, foi idealizada e construída pelo engenheiro Alberto Palácios, um discípulo de Gustave Eiffel, tem 160 metros de comprimento e 45 de altura e surgiu para dar resposta à necessidade de transporte de mercadorias e trabalhadores entre as duas margens do rio naquela que era a zona central da indústria do país basco, bem como permitir à burguesia do final do século XIX o acesso às maravilhosas praias de Getxo...
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| "Ponte da Biscaia" - Jean-Charles Forgeronne |
O transporte de veículos, mercadorias e pessoas é feito numa cabine suspensa por cabos e essa ideia genial permitiu desde o início que não houvesse qualquer interferência no intenso tráfego de navios e veleiros que demandavam o movimentado porto de Bilbau... Além disso, hoje também é possível a qualquer pessoa ou turista atravessar a ponte caminhando através do tabuleiro superior... Outras pontes suspensas foram depois construídas seguindo o modelo da Ponte da Biscaia, mas esta é, verdadeiramente, a ponte!
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| "A Ponte" - Jean-Charles Forgeronne |
João Palmilha
(Viajante de Valmedo)
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
SÉTIMO INCIDENTE TRANSFRONTEIRIÇO
ARTE DENTRO, ARTE FORA
Estávamos no alto do Monte Artxanda ainda a recuperar o fôlego após a íngreme subida de funicular (impossível não pensar na recente tragédia do Elevador da Glória) quando recebi a mensagem: o Guggenheim informava-me que devido a uma greve que estava agendada para o dia seguinte poderia haver constrangimentos na entrada do museu ou mesmo não ser garantido o acesso ao mesmo, no entanto, para minorar o incómodo dispunham-se a reembolsar ou a facilitar o reagendamento da visita para uma data futura, e eu que tinha chegado a Bilbau tranquilo e sereno com dois ingressos comprados seis meses antes via agora o chão e o museu lá em baixo fugirem-me debaixo dos pés!
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| "Bilbau vista do Artxanda" - Jean-Charles Forgeronne |
Após sonoro palavrão que afastou dois ou três pássaros com ar de frequentadores assíduos do parque informo a N. da má notícia e à sua reacção -"Oh! Que pena! E agora?" respondo tentando disfarçar a irritação -"Olha, vamos visitar o museu na mesma, só que por fora, também é interessante e além disso existem umas esculturas famosas à volta que vale a pena ver...". Mas claro que não seria a mesma coisa, mas que fazer? E para enegrecer ainda mais o cenário teríamos que seguir viagem em direcção a Santander o mais tarde depois de almoço, não dava mesmo para adiar a visita, havia que seguir o plano e havia alojamento reservado bem longe dali...
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| "Máman" - Jean-Charles Forgeronne |
Este era mais do que outro comum azar de viajante, era mesmo um azar do caraças, bilhetes no bolso há meses e expectativa de visitar um dos museus mais famosos do mundo e agora nada, ali estava ele em baixo, belo e apelativo escondendo-se debaixo de uma poeira de neblina descida das montanhas cantábricas e enquanto o mirava só pensava nos milhares de quilómetros feitos para o visitar e na catastrófica possibilidade de afinal nunca o vir a conhecer por dentro, tudo por culpa de uma estúpida greve... As greves nunca são estúpidas, eu próprio nunca faltei a uma greve, mas aquela, naquele momento, era para mim a greve mais estúpida do mundo!
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| "Puppy" - Jean-Charles Forgeonne |
Descemos então do monte um pouco angustiados e lá fomos passear em volta do Museu, cruzámo-nos com as "Sirgueras" de Dora Salazar, pusemo-nos debaixo da Mamán, a aranha de 9 metros de altura de Louise Bourgeois, fizemos uma festa ao Puppy, o florido cão gigante de Jeff Koons e tentamos decifrar os reflexos nas esferas da obra de Anish Kapoor, "El Gran árbol y el Ojo", e só isso valeu a viagem...
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| "El Gran árbol y el ojo" - Jean-Charles Forgeronne |
E foi então que ao nos cruzarmos com um grupo de visitantes saído do museu me ocorreu uma ideia que automaticamente me saiu boca fora: "Espera lá, porque não pensei nisto antes? Ainda falta uma hora para o museu fechar, e se nos deixassem entrar ainda hoje?"... E assim foi, nem foi preciso justificar com a partida do dia seguinte nem pelo facto de sermos portugueses e termos feito milhares de quilómetros para ali vir, bastou mostrar a mensagem ao simpático recepcionista e ele lá trocou a data dos ingressos para aquele instante, e lá fomos, afinal estivemos dentro do Guggenheim, embora sinceramente tenha valido mais pela arquitectura do edifício que só por si é uma monumental obra de arte do que pelas exposições pois as os obras de que gostei mais foram mesmo aquelas que estão lá fora...
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| "Sirgueras" - Jean-Charles Forgeronne |
João Plástico
(Artista de Valmedo)
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
BILBAO, A INDÚSTRIA E A ARTE...
Quando penso em Bilbau a primeira coisa que me vem à cabeça é o Guggenheim, evidente ícone da cidade e uma das mais importantes obras da arquitectura do século XX, mas depois, ao entrar caminhando pela primeira vez pelo coração da cidade adentro e ainda sem o famoso museu no horizonte fico esclarecido à primeira impressão: aquilo que desde sempre molda a alma da cidade e assim continua a ser é o rio, ou antes a Ría de Bilbao, como é chamada a confluência dos rios Nervion e Ibaizábal, dois pequenos rios, 72 e 42 Km respectivamente de comprimento que descem das montanhas para se abraçar e dividir ao meio a cidade até desaguarem no Golfo da Biscaia...
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| "Ría de Bilbao" - Jean-Charles Forgeronne |
E claro, torna-se obrigatório até porque é irresistível o apelo de percorrer o amplo passeio ribeirinho da Ría de Bilbao e se faltassem motivos para tal bastaria pensar que à sua beira ancorou não só o Guggenheim mas também o Mercado de La Ribera, um símbolo da Art Déco e um dos maiores mercados cobertos de toda a Europa com 10000 metros quadrados de área, onde tudo se pode encontrar, especialmente os famosos pintxos (por ali não se fala em tapas que isso é castelhano), e para a digestão das iguarias bascas nada melhor do que passear a pé e sem pressa à beira da ria...
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| "La Ribera" - Jean-Charles Forgeronne |
Aqui no centro da cidade não transparece que Bilbau é a capital da indústria basca, com um dos maiores portos comerciais de toda a Espanha, talvez porque a nossa atenção é canalizada para tanta outra coisa a descobrir, sejam as ruelas do Casco Viejo e outras praças históricas, a catedral, a colina de Artxanda e o seu funicular, o San Mamés, casa do orgulhoso Athletic, ou a curiosa ponte suspensa da Biscaia...
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| "Artes"- Bilbau - Jean-Charles Forgeronne |
João Palmilha
(Viajante de Valmedo)
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