sexta-feira, 24 de outubro de 2025

 
RUFO, O CÃO DE OVIEDO...

Saídos da Ópera e porque passeando o mais lentamente possível na Calle Uría, a principal rua pedonal de Oviedo, a rua das lojas e que leva esse nome em homenagem ao político José Francisco Uría y Rego, vou cantarolando baixinho a "2000 A.D" enquanto me interrogo sobre a hipótese de um dos meus preferidos cantautores lusitanos, o Samuel, dever o seu invulgar apelido a ancestrais raízes asturianas:

                                                "Dormi no feno crasso da cidade,
                                                 um sono justo, sono urbanizado.
                                                 Desincho.
                                                 Relincho."

Mas eis que algo me chama a atenção, estanco o passo, observo com mais atenção, ali numa esquina está um cão, imóvel, sentado, de ar humilde mas simultaneamente nobre como todos os cães podem ter, aproximo-me, tenho de o conhecer...

"A RUFO, el perro de Oviedo" - Jean-Charles Forgeronne

É o RUFO, aqui eternizado nesta estátua de bronze desde 2015, 18(!) anos depois do seu falecimento, o que diz bem como marcou os cidadãos de Oviedo ao ponto de nunca ter sido esquecido; era um cão vadio, fruto de um cruzamento de pastor alemão com mastim, desconhece-se a sua origem, talvez tivesse sido abandonado, o certo é que viveu em liberdade pelas ruas de Oviedo nas décadas de 80 e 90 do passado século, especialmente nesta esquina e no Campo San Francisco, ali agora onde a Mafaldinha se senta, e tornou-se o cão mais amado da cidade, um verdadeiro ícone...
RUFO adorava as pessoas e participava em tudo o que era evento ou festa, assistia aos jogos de futebol do Real Oviedo, chegou a participar em cerimónias públicas e de vez em quando dava umas voltas pelas ruas dos bares e da animação nocturna, talvez gostasse de sidra, quem sabe? Houve várias tentativas de adopção mas ele sempre fugia e regressava às ruas e quando um dia foi capturado e levado para o canil houve um levantamento popular exigindo a sua libertação, e assim aconteceu... Consta que a este herói canino que cativava as pessoas nunca faltou alimento, nem cuidado, nem carinho...  O mundo, de vez em quando, não é assim tão cão! 

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)

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