ESCRITO NA PAREDE - XLVII
UM MERGULHO NA POESIA
Descobri que os poemas gostam de nadar, que gostam de mergulhar na água, que gostam das braçadas de crawl, que gostam das chapinhadas de bruços ou do alívio de costas, desconfio que, tal como eu, não gostarão tanto assim do estilo excêntrico da mariposa, que é tudo menos suave como o adejar das borboletas, mas garanto-vos, há um sítio onde a poesia vai prazenteiramente ao banho...
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| "Nas Piscinas Municipais de Óbidos" - Jean-Charles Forgeronne |
E a cada braçada, a cada borbulhante expiração e a cada sôfrega inspiração, deparo-me com palavras e mais palavras que constituiriam um belo poema mas que chegado ao balneário já delas não me recordo... Poesia instantânea que desaparece num ápice, mas que não deixando de ser poesia me parecem mais poemas em pó aos quais seria preciso juntar mais água ...
J.C
(Poeta de Valmedo)



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