segunda-feira, 30 de janeiro de 2017



A CAÇA AO POKERMAN - XIX


O POKECOUCEIRO


Então como é que explicas o castigo de quinze dias de suspensão, amigo Rui? Dizem que por colocares em causa a honra e reputação de um dos árbitros de um jogo em que tens mais queixas dos teus jogadores do que da terceira equipa? Justo ou injusto, não interessa, o que é mais preocupante não é o castigo em si mas as ocorrências que lhe deram efeito e na minha distanciada leitura podem significar que andas um bocadinho nervoso e preocupado com os últimos acontecimentos... Lá que te tenhas passado com o Inácio (o pirata da televisão) e tenhas recusado cumprimentá-lo só te fica bem, não era de esperar outra coisa de ti, não és hipócrita e tens mais nível e dignidade do que toda aquela tropa terrorista do verbo junta... ele, mais o Grande Líder, o Octávio, o Jesus e o Saraiva, juntinhos e atados com um baraço, colocados na debulhadora e bem espremidinhos, não davam mais que um belo fardo de palha e umas sementes podres e odientas! Por isso, amigo Rui, depois da campanha que fizeram contra ti fazes tu agora muito bem em não lhes passares cartão, se o cérebro já tem menos importância que o homem das pipocas então os outros devem ter menos importância ainda do que aquele rafeiro que urinou nas flores do jardim da tua casa de campo, eras tu ainda criança.... E ninguém te levaria a mal se um dia destes, e se fosses tu um fumador electrónico, ao te cruzares com eles lhes desses com uma valente baforada com algum cuspo à mistura, sabemos bem que são percalços que acontecem todos os dias por aí! Quem diria que essas personagens são do mesmo clube do POKEMON que hoje vais defrontar, a outra face da mesma moeda, (educação, credibilidade, honradez, respeito) um senhor do futebol... 




Já mostraste na época passada que lidas muito bem com a pressão mas como, assim no futebol como na vida, não existem receitas infalíveis para os problemas e nem sempre as coisas acontecem da maneira como desejamos e achamos merecer, aconselho-te vivamente, amigo Rui, a deixares as críticas à arbitragem no baú ainda que possas sentir-te prejudicado.... digamos, o árbitro poderá vir, em termos de importância, lá para o septuagésimo lugar, logo a seguir à análise escatológica sobre a reeincarnação de Mr. Scrooge em Passos Coelho e nas suas ideias optimistas para o país, por exemplo! Antes do árbitro, a culpa do insucesso será sempre da tua equipa e se for caso disso só te resta uma solução: colocá-la a produzir o futebol suficiente para que um ou outro erro de arbitragem não impeçam a vitória e justifiquem desaires...  e se tiveste essa postura o ano passado, que aliás te granjeou o respeito de quem gosta de futebol, porque não mantê-la agora? Seria bom para a equipa e para os adeptos e traria a serenidade e confiança necessárias para manter bem viva a chama na conquista do POKERMAN! Mas para que não caias em crise efectiva de resultados e confiança é imperioso que hoje a equipa jogue os 90 minutos com concentração e atitude e não faça desperdício da primeira (Boavista e Tondela) ou da segunda parte (Moreirense)!



Portanto não é surpresa que a imprensa de hoje te mostre com aquele ar pouco sereno e faça alarde da pressão que o jogo de hoje transporta, e tendo eu para mim que o que te preocupa mesmo é o descalabro defensivo que a equipa tem apresentado nos últimos jogos, (8 golos sofridos e para todos os gostos, Boavista 3, Leixões 2 e Moreirense 3) tens que matar já hoje e de forma inequívoca essa desconfiança e instabilidade que de repente se abateu sobre a nossa capacidade defensiva e qualidade de jogo! Não podem os adversários entrarem em campo conscientes que também podem facilmente marcar-nos 2 e 3 golos como tem acontecido! Mas aí a culpa é de toda a equipa e não apenas dos defesas, e quando colocas o CARRILLO (o flop da época) que não mexe um pé para defender seja o que for e quando juntas o SAMARIS (muito longe da qualidade de outras épocas) ao PIZZI (que vai rendendo no ataque mas que também defende mal), o que esperas? Felizmente que já poderás contar hoje com o FEJSA mas cuidado com quem metes nas alas porque, sem o SALVIO, a coisa pode tornar-se confusa e não apenas defensivamente....  
E como te tenho aconselhado nas últimas semanas, se apostares no ZIVKOVIC ainda vá, agora se quiseres teimar no peruano  preguiçoso e indolente antevejo mais uma catástrofe!



O POKECOUCEIRO



Bom, mas o POKECOUCEIRO, JOSÉ PEYROTEU COUCEIRO como se apresentou em 2013 como candidato a presidente às eleições do seu clube do coração (tendo surpreendentemente sido derrotado pelo actual presidente, felizmente para os clubes adversários!) não será um POKEMON nada fácil de caçar pelo conhecimento abrangente que tem do mundo do futebol... Curiosamente, e depois de uma carreira despercebida como futebolista, em 2002 iniciou uma aventura enquanto administrador da SAD do Alverca, tendo assumido depois o cargo de treinador e conseguiu a subida à I Divisão...  Em 2004, ao serviço do Vitória de Setúbal, e depois de uma primeira volta fantástica, seria considerado o treinador português do ano, título que esteve talvez na origem da sua contratação por Pinto da Costa, com a história de uma gravata pelo meio! No PORTO não teve sorte nem sucesso  e depois de passagens pelo Belenenses, pela selecção de sub-21 e pelo estrangeiro (Lituânia, Turquia e Roménia) voltaria ao SPORTING para assumir o cargo de director-geral da SAD e responsável por toda a coordenação do futebol do clube. Acabaria por ser ainda treinador interino do clube após a saída de Paulo Sérgio mas as circunstâncias não eram favoráveis e após a derrota nas eleições aconteceu o natural afastamento do clube que traz inscrito no ADN.... Voltaria a Setúbal, passaria ainda pelo Estoril e de novo Setúbal, definitivamente o seu porto de abrigo e onde é feliz! E um rival de respeito no jogo de logo à noite...


Que mais para dizer, amigo Rui? Acalma-te e trata de transmitires serenidade para o universo benfiquista, exige empenho e concentração máxima aos jogadores e fala para dentro do balneário, tudo o resto é acessório.... Relaxa, dorme uma sestinha, calibra o GPS e caça lá esse tramado POKEMON-GOLFINHO para manter acesa a chama do tetra...


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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

GALÁXIA






Título: Galáxia

Material - vidro; espuma

Ano - 2017



João Plástico
(Artista de Valmedo)

terça-feira, 24 de janeiro de 2017



EFEMÉRIDE # 12


OS ETERNOS PEQUENOS VAGABUNDOS



Quis o destino que PHILIPPE NORMAND fosse o primeiro dos sete pequenos vagabundos a desaparecer, passam hoje precisamente 4 anos (24 de Janeiro de 2013).  Jean-Loup, o menino de abastada família parisiense que, à última da hora, vê alterados os planos da suas férias e é enviado para um campo de férias nas Ardenas belgas. A sua personagem era a mais felizarda porque no meio de todas aqueles aventuras ainda foi premiada com as atenções da Marion-des-Neiges, a loira canadiana de olhos doces...
Para além de actor também fez carreira como cantor de estilo romântico mas sem alguma vez ter repetido o sucesso obtido em 1969 com "OS PEQUENOS VAGABUNDOS", à semelhança do que aconteceu com os seus colegas de filmagens que prosseguiram as suas vidas profissionais nas áreas mais diversas...
A série foi um megasucesso por cá e por toda a Europa e as razões para isso são fundamentalmente duas: a característica dos protagonistas e heróis serem miúdos como nós e depois também apresentava um enredo de aventura e mistério assente na busca do mítico ouro dos TEMPLÁRIOS...    Quando um dos rapazes diz a certa altura "não podemos confiar nos adultos" delimita esse mundo à parte que habitava em cada um de nós, com muitas imitações dos mais velhos, é certo, mas também com regras muito próprias, típicas de quem queria descobrir coisas novas, penetrar nos mistérios e ser herói em tantas aventuras... Nós, que éramos miúdos de aldeia sem amarras nem limites físicos, com carta branca para explorar e descobrir, identificávamo-nos com os pequenos vagabundos, éramos uns pequenos vadios em busca de uma qualquer verdade oculta, quiçá um fabuloso tesouro....




Claro que havia outras séries de culto dedicado: BONANZA, LANCERO SANTO,  MAIORAL, O CASAL MCMILLANVINGADORES, ROBIN DOS BOSQUES ou o fantástico DANIEL BOONE  (BÓNE, no nosso inglês da época....) mas, quando chegava ao conhecimento público a exibição dos Pequenos Vagabundos na Tarde de Cinema da RTP, o frenesim e a expectativa eram tão grandes que não se falava de mais nada naqueles dias que antecediam o grande acontecimento... E nesses dois domingos à tarde consecutivos (4 episódios por domingo) era preciso chegar cedo ao café porque não iria haver cadeiras suficientes....





E naqueles dias mais próximos todas as aventuras dos pequenos vadios andavam à volta do "tesouro do castelo sem nome", nós, exploradores de um mundo oco feito de calcário e familiarizados com o fascinante ambiente das grutas (Alvados, Santo António ou Mira de Aire) desatávamos a explorar qualquer buraco subterrâneo de dez palmos de profundidade à cata da entrada para o maravilhoso mundo oculto dos tesouros... Chegámos até a a pendurar uma resistente corda no cimo da ponte do OLHO DA LAJE e descer até aos fundos da ribeira, palmo a palmo, proeza tão igual àquela que fizeram o cowboy e o Jean-Loup quando subiram ao cimo do castelo sem nome....
E durante anos, sempre que ia à vila em dia de mercado ou mais tarde já aluno no liceu, dava por mim a olhar para o maravilhoso castelo lá no alto e imaginava um cavaleiro templário de guarda a um tesouro imenso, à espera que alguém descobrisse o segredo...



E até dei por mim a cogitar um dia se a minha infantil preferência pelas loiras não se devesse à Marion-des-Neiges, essa musa intemporal que com o quente pulsar do seu coração permitiu o deciframento do enigma...  Mais tarde preferi as morenas, mas isso são outras aventuras....

Hoje, Les Galapiats, depois da demanda do tesouro templário, teria outras infindáveis temporadas, Jean-Loup tinha ido ter com Marion ao Quebéc, talvez tivessem casado e tido filhos, talvez não, mas andariam todos em busca da Arca da Aliança, tentariam decifrar o enigma das Pirâmides, descobrir a localização da Atlântida ou do Santo Graal....


João Breve
(Cronologista de Valmedo)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017


EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO - II


O domingo dividia-se em duas categorias: ou era dia de futebol e seus derivados ou então era apenas um domingo sem programação. Se era época de bola, e se havia jogo importante do Benfica, o rádio lá de casa era o mensageiro do que mais importante acontecia no mundo... ligava-se, esperava-se que a válvula aquecesse e sintonizava-se no relato das jogadas magistrais de Eusébio e companhia...


Naquele tempo ouvir o relato era uma autêntica festa, havia cobertura integral de todos os jogos, 2ª divisão incluída e todo o golo que acontecia em qualquer estádio era cantado durante minutos que parecia impossível alguém ter fôlego para tanto! A todo o minuto o relato principal era interrompido porque havia golos a acontecer e por vezes em simultâneo, era deveras um exercício maravilhoso tentar adivinhar de quem era o golo porque tudo ficava suspenso e só quando aquele mágico grito de  GOOOOOOOOOOOOOOOOOLO 
deixava de ecoar é que se ouvia... é do Vitória
E havia outra razão para que eu acompanhasse religiosamente a tarde desportiva radiofónica, eu tinha direito a fazer uma aposta no boletim familiar do TOTOBOLA e assim, enquanto imaginava o que faria à fortuna que me poderia calhar, lá ia eu fazendo figas para que uns marcassem e outros sofressem para que se compusesse a minha chave... Apostava sempre em grandes surpresas mas nunca consegui o 13, apenas um 12 e, para grande desilusão, num dia em que foram mais os que acertaram do que os que falharam!
Mas o dia da rádio não acabava com o relato dos jogos, a seguir era obrigatório ouvir os resultados das 2 e 3ª divisões, muito especial era conferir o desempenho dos AMARELOS (Clube Desportivo de Torres Novas), o clube do concelho...


Depois das emoções da rádio era altura de ir então até ao café, ponto de encontro para as actividades desportivas da malta, havia sempre algum evento especial a acontecer, às vezes um torneio de BONECOS  outras um campeonato de CARICAS....
Os bonecos, assim chamávamos aos matraquilhos, causava um entusiasmo tal e uma disputa tão inflamada que levava ao êxtase a plateia domingueira, grandes e miúdos à mistura, mano a mano ou por equipas, roda bota fora e os vencedores aclamados não sem alguma crítica à roleta que era proibida ou ao varão que não estava convenientemente oleado... E eu, ainda miúdo e jogando contra malta já barbeada, ia aprendendo e deleitava-me com o Ronaldo dos matrecos, o Fernandito, filho do dono do café, a cada jogo apresentava ele uma finta nova e desconcertante... As reviengas e as simulações eram brilhantes e, depois de ter executado uma série de fintas com uma rapidez desconcertante que por mais que nos esforçássemos não conseguíamos acompanhar a bola com os olhos, só se ouvia.. PLOOOC!, a bola tinha entrado e massacrado a madeira do fundo da baliza, quando todo o mundo pensava que, de bola colada ao pé dos bonecos extremos direito e esquerdo, ele iria fazer a finta supersónica eis que a fazia tão lenta e disfarçadamente que o adversário que jogava à defesa se mijava todo (linguagem da época) enquanto a bola desaparecia na baliza em câmara lenta....




Claro que havia um segredo por detrás dessa extraordinária capacidade para os bonecos, treino, treino e mais treino, aquelas fintas não nascem connosco, têm que ser aperfeiçoadas e trabalhadas e claro, descobri esse segredo quando um dia de semana, mandado por minha mãe à mercearia fazer um recado, eis que ouço por detrás das portas do café fechado o inconfundível barulho dos matrecos e a voz do Fernandito a relatar as suas próprias fintas à Sporting! Somando ao jeito inato a vantagem de ter os bonecos sempre à disposição para treinar aqueles movimentos desconcertantes só poderia resultar numa diferença abismal para os adversários... E ainda hoje, quando calha ser desafiado para uma matraquilhada tento pôr em campo aquelas fintas que nunca esqueci, e às vezes lá saem, com um bocadinho de treino ainda lá ia....


Eusébio prepara-se para rematar perante a oposição de Octávio (esse mesmo)

E depois havia a febre das caricas, tardes e dias inteiros a disputar jogos e campeonatos renhidos... Primeiro havia que descobrir junto dos cafés as melhores caricas, as mais redondinhas e lisas e as quais eram equipadas a preceito... cartolina, lápis de cor e tesoura bastavam e uma equipa completa estava pronta a competir!  As balizas tinham que obedecer a certas normas, tamanho igual e resistência suficiente para aguentar o impacto da bola-berlinde... felizmente o Joãozito encarregava-se disso e aparecia com umas balizas feitas a ponteiro e esquadro na oficina que o pai tinha em casa, com soldadura eterna e tudo, uma perfeição...
Havia uma hierarquia, os mais velhos escolhiam as melhores equipas e geralmente ganhavam sempre aos benjamins como eu, mas tive a sorte de ter começado a minha carreira com a equipa do Vitória de Setúbal que me deu algumas alegrias (José Maria e Jacinto João marcavam golos que se fartavam). E os jogos que decidiam campeonatos eram um grande acontecimento, ainda me recordo de ter pago 2 tostões para assistir, com pompa e circunstância, a um Benfica-Sporting, logo depois da missa e no solo imaculado da sala da sacristia, espectadores em bancos corridos, tudo graças a um grau de parentesco de um dos finalistas com a catequista...
Com o tempo fui evoluindo de forma que, juntando aos abandonos dos mais velhos que já desfrutavam de outros passatempos, acabei por alcançar o meu maior desejo: ser o Benfica! Felicidade...

O jogo das caricas também acompanhava a evolução dos tempos e uma segunda geração contemplava já uma fotografia dos jogadores, havia que investir em cromos mas o jogo tornava-se ainda mais real... E, revestidas com fita-cola, permitiam ainda que se pudesse jogar à chuva, afinal o futebol-carica  também é um desporto de inverno!


O meu Vítor Baptista marcava golos que se fartava

J.C

sábado, 21 de janeiro de 2017





ARANHA VESTINDO MENINA CALÇANDO A MEIA



Tecedura de aranha sobre "Menina calçando a meia" 


Leopoldo de Almeida, 1966

"Menina calçando  a meia"


Estufa fria, Lisboa


                                                                                                  Jean Charles Forgeronne
                                                                                                  (Fotógrafo de Valmedo)



EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO - I


O tempo não é exacto, nem imutável, nem definitivamente passado...o tempo antes é relativo, sinuoso e ondulante, misteriosamente moldável... Se EINSTEIN já tinha teorizado no século XX todas estas e algumas outras qualidades do tempo eis que, há poucas semanas, Pedro Rolo Duarte e João Gobern evidenciaram a maravilhosa elasticidade do espaço-tempo ao mostrarem-me como um singelo minuto se pode transformar em horas ou dias!...


HOTEL BABILÓNIA 
Por puro acaso, numa deslocação de automóvel à capital ligo o rádio e busco algo de interessante para entreter, eram exactamente 10 horas da manhã de um sábado luminoso e fiquei sintonizado no noticiário da Antena 1... Nem me ocorreu naquele momento que surgiria de seguida um dos mais interessantes programas da actualidade radiofónica nacional, o HOTEL BABILÓNIA, o qual nos últimos tempos raramente consigo acompanhar devido a horários de trabalho desconchavados... Mas este em boa hora o apanhei! O convidado era o Mário Augusto, conhecido crítico de cinema, a propósito do lançamento de "A sebenta do tempo", uma viagem alucinante às memórias de quem nasceu nos anos 60 e cresceu nos 70, desde leituras, televisão, divertimentos ou curiosidades do dia-a-dia de então.
Ia decorrendo o programa de forma escorreita e deleitante, não fossem os intervenientes de excelente conversatória, e já algumas das memórias ali evocadas me faziam recuar à minha infância e adolescência de uma forma tão sensorial que mais parecia ser eu o condutor de uma já inventada máquina de viajar pelo tempo, tão depressa estava no recreio da escola primária a lançar o pião como no minuto seguinte estava rastejando de lanterna na mão a explorar a gruta da Fonte Vale! E pensava para comigo como tinha sido possível ter esquecido completamente certas coisas que tão importantes tinham sido na minha vida, como por exemplo certas séries que passavam na RTP como os Pequenos Vagabundos, até a música que tantos vezes tinha assobiado teimava em não me vir à ideia.... Agora que, passados 30 anos, acabei de ver novamente e desta vez a cores os 8 episódios da série, (abençoada Internet) com mais prazer ainda do que então porque mais atento a pequenos pormenores que na altura passaram despercebidos constato que afinal eu era mesmo um desses esquecidos que precisavam de revisitar as memórias, sem manual nem guião mas com a ilusão de que recordar é poder ser feliz outra vez, livre e inocente, de peito aberto para o misterioso mundo do futuro...



Aquele minuto em que me liguei ao Hotel Babilónia transformou-se desde então em horas de puro prazer e (re)descoberta, quer na visualização de séries, quer em releituras ou até na recriação de brincadeiras estou revivendo aquela gloriosa época e surpreendo-me a cada "visita"... Embora me falte a inigualável arte de MARCEL PROUST (a quem "roubei" aquele maravilhoso título de romance) para transmutar o pensamento em sensação e para transportar das lembranças para o papel a beleza do gesto, a harmonia do movimento ou as impressões da mente e da natureza, queiram acompanhar-me então nesta busca do tempo perdido em que o protagonista é um jovem inocente mas intrépido aventureiro, de olhar sonhador e timidez disfarçada, habitante de um pequeno reino encantado do interior ribatejano, entre o Almonda e o Alviela, à beira da Serra d'Aire...

E porque teimou ele em se apresentar aqui de fato domingueiro comecemos pelo domingo na aldeia, um dia tão especial e solene que recriá-lo à boa maneira proustiana ocuparia vários volumes de uma extensa obra... Domingo, para além do dia da missa era o dia do café! Nem toda a gente ia à missa mas todo o mundo passava pelo café, poder-se-ia chamar CENTRAL como em milhares de outros sítios, mas era apenas o do Fernando, café e mercearia, o estabelecimento mais amplo e confortável das redondezas, reconhecido também pela sua modernidade, tudo o que era novidade aparecia primeiro aí, as cadernetas de cromos mais recentes, os gelados de última geração, a primeira bica a sair ou os melhores matraquilhos, até o primeiro mini-snooker com pinos do mercado era lá que tudo despontava... E também era lá que havia a maior televisão do burgo, como se poderia ver bem o TARZAN se não fosse ali? E depois, enquanto punham conversas de uma semana em dia e alinhavavam negócios de produtos e serviços agrícolas, os adultos jogavam à sueca ou à malha no largo enquanto nós assistíamos, bando de miúdos curiosos, isto se não fosse dia de uma grande cowboyada ou de grandes aventuras na Tarde de Cinema.....


O largo do café


J.C

A CAÇA AO POKERMAN - XVIII


O POKEPEPA



           Amigo Rui, virou-se a primeira volta do campeonato e ficarão para a história duas coisas: a nossa liderança ao fim de 17 jornadas e o VOLTEIO danado que foi o jogo com o Boavista, aquilo foi um rodopio infernal dos jogadores para recuperar de um impensável 0-3 à meia hora de jogo e que provocou um carrocel de emoções nos espectadores! Mal menor, conseguiu-se um empatezito mas a equipa, qual equilibrista no arame, correu riscos despropositados e só não se estatelou com estrondo por acaso! Repetiu-se o mesmo de outros jogos em casa: entrada lenta, falta de intensidade e desconcentrações gritantes na DEFESA, parece claro que a dupla Luisão-Lindeloff não está a dar garantias, talvez abaixamento de forma no primeiro e cabeça à roda com o interesse inglês no segundo... Mais uma vez te aconselho a mexeres no eixo central quanto antes porque se não o fizeres mais golos anormais sofrerás e os dissabores poderão ser bem mais custosos! Porque não investes agora na dupla Lizandro-Jardel se até na área adversária são bem mais acutilantes e goleadores? E ainda para mais porque a falta do Fejsa dificulta ainda mais a tarefa da equipa na zona central, o Samaris não tem a mesma qualidade posicional....
Mas eis que para limpar o susto e a má imagem (valeu apenas a entrega e o espírito dos jogadores) aí está mais uma final e novamente na Luz, certamente cheia outra vez de ânimo e crença numa vitória que não pode voltar a fugir! 



POKEPEPA, eis o próximo POKEMON que te vai querer complicar a vida, ele que é um muito jovem treinador (36 anos) mas que desde muito cedo conviveu com a grandiosidade e a excelência do grandioso... Torrejano como o imortal JOSÉ TORRES quis seguir-lhe as pisadas e ingressou no Benfica com apenas 14 anos e é já depois de amanhã, 23 de Janeiro, que passam 18 anos sobre o maior momento que teve na sua curta carreira como jogador: com 18 anos estreia-se na equipa principal e logo com um golo ao Rio Ave, o único que conseguiria de encarnado pois passado pouco tempo seria emprestado aos belgas do GENT e, depois de ter passado a fase de jovem promessa foi assolado por várias lesões no joelho que lhe acabaram com a carreira, tinha apenas 26 anos.... Perdeu-se um jogador, ganhou-se um treinador, é caso para dizer, voltaria ainda à Luz para treinar as camadas jovens durante duas épocas mas rumou ao Norte e por lá tem trabalhado: Sanjoanense, Feirense, Moreirense e agora, há apenas 12 dias, substituiu Petit no comando do TONDELA...  Começamos a habituar-nos à sua presença entre os grandes e para consolidar esse estatuto vai ter que alcançar resultados e a permanência na I Liga, tarefa gigantesca pois herdou o último lugar da tabela; será pois com esse intuito que te aparecerá pela frente amanhã, estratégia ultradefensiva preparada para roubar nem que seja um pontinho que seria oiro, acalentado pelas fragilidades defensivas que viu  na nossa equipa nos últimos jogos...


  Cheira-me que com o POKEPEPA, conhecedor das artes e das manhas atacantes, talvez os tondelenses percam alguma agressividade petitiana nos métodos defensivos mas ganhem algum esclarecimento ofensivo, daí ser necessária ainda mais concentração no nosso reduto atrasado, não concordas, amigo Rui? Para além dos centrais que, repito, deviam mudar, é importantíssimo que nos jogos em casa e em que jogamos em cima do adversário haja na frente um homem mais fixo na área (MITROGLOU), erro que emendaste no último sábado mas que te fez perder muito tempo! No resto, começa a ser uma necessidade evidente, como também tenho bastas vezes referido, a titularidade do ZIVKOVIC, não só era merecido como seria decerto uma mais valia para a equipa (fez bem mais nos poucos minutos que dispôs até agora do que outros em todos os jogos!)... O miúdo tem classe e, mais importante ainda, tem garra, é um jogador virtuoso e de fibra que não dá uma bola por perdida, que exemplo para outros que por lá andam desgarrados (CARRILLO) e inconstantes (CERVI)... 
Onze que deverias alinhavar: Ederson, Semedo, Jardel, Lizandro, Almeida, Salvio, Samaris, Pizzi, Zivkovic, Jonas, Mitroglou, e muita, muita entrega e velocidade desde o primeiro minuto! Não te esqueças que o Tondela, apesar de ser um grande candidato à descida, felizmente tem conseguido provocar dissabores aos outros candidatos! 






E neste mês ingrato, amigo Rui, em que o presidente parece necessitar de vender alguém à viva força (primeiro Jimenez, agora o Guedes) e não sabendo tu que plantel terás em Fevereiro, não podes vacilar na caça ao POKERMAN, há que conseguir nova e longa série de vitórias neste ciclo terrível e sobrecarregado de finais em curso! Calibra pois o GPS, baterias em cima do POKEPEPA e mesmo que este roçe a perfeição não abuses dos adeptos que já sofreram o bastante com o  surpreendente POKEPANTERA.... 



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