TASCAS E ANTROS DE PRAZER - XL
116 PEIXES DO RIO
A coisa não tinha corrido bem na véspera, até tínhamos sido os primeiros clientes a chegar, meio-dia quase em ponto, não fosse haver haver constrangimentos por não termos reserva e por causa da fama do café e restaurante, o 116, onde o peixe do rio é rei, mas o despiste de um camião ocorrido de madrugada a duas centenas de metros dali, em plena avenida em Carvalhos de Figueiredo, tinha deixado metade da freguesia sem água e outra metade sem luz, ora sem água torna-se difícil cozinhar e nada de peixe frito, a única opção disponível era entrecosto grelhado acompanhado de arroz, batata frita e uma deliciosa e refrescante salada... Apesar do azar e do desgosto de o peixe frito ficar adiado para as calendas tomarenses, porque iríamos partir para outras paragens na manhã seguinte, o almoço valeu a pena...
Mas as voltas imponderáveis do destino iriam alterar outra vez os nossos planos, a meio da manhã seguinte, depois uma visita ao Aqueduto dos Pegões, arriscámos uma difícil excursão até à Praia Fluvial do Agroal e aí chegados a custo, pasmados, deparámos com o local transformado num estaleiro de obras... Ora, era suposto depois de uns belos e refrescantes banhos seguirmos viagem para norte mas assim, novamente desconsolados e apelando ao meu optimismo incondicional, e com uma pitadinha de vingança à mistura, confesso, ala que se faz tarde, para salvar o dia rumamos novamente ao 116, talvez já tivessem água e peixe frito! E não é que havia as duas coisas?
Havia até lampreia e enguias das quais sou apreciador mas optei por uma mista-do-rio, ou seja, fataça, achigã, lúcio, truta e pimpão, peixe frito no ponto e sequinho, estaladiço como convém e melhorado ainda com um molho vinagrete do qual não desdenharia ter a receita, acompanhado por batata frita e umas migas ribatejanas de se lhes tirar o barrete... Quanto à N., indecisa na escolha por estar mais habituada a peixe de mar, por sugestão do mestre Delfim, alinhou numa dose de lúcio por ser um peixe com sabor menos intenso que os demais, e não se arrependeu...
Falta referir que os vinhos da casa, quer o branco quer o tinto, servidos a jarro como é de bom tom ali pelo Ribatejo, são uma excelente opção, e quanto às sobremesas, bem, meus amigos, quer a mousse de chocolate quer o pudim da casa são... divinais! Bom apetite para quando passarem pelo 116...
João Ratão
(Chef de Valmedo)



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