FOTOBIOGRAFIA DE UM RIO - VIII
QUANDO OS RIOS FECHAM PARA OBRAS...
Saio da cidade subindo bem em direcção à Sabacheira para depois, num frenesim de curvas e contracurvas, me aventurar numa perigosa descida às profundezas desta danada orografia, operação nada fácil e cansativa devido ao abrasador calor que se faz sentir mas só a ideia de uns mergulhos nas prometidas águas frescas e límpidas resgata-me um sorriso e devolve-me a esperança, "o dia ainda se irá compor", digo de mim para comigo...
Carro estacionado a custo, de tralha às costas percorro a pé a centena e meia de metros e esperava eu, depois de atravessada a ponte encarar com a prometida e maravilhosa Praia Fluvial do Agroal mas o cenário com que me deparo é o de um autêntico estaleiro de obras, máquinas no leito do rio e funcionários em plena laboração, piscinas secas e um rio de pedra porque a água foi aprisionada ou desviada algures, café encerrado e apenas uns curiosos a analisar a marcha das obras...
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| "O Nabão em obras..." - Jean-Charles Forgeronne |
O rio Nabão nasce no concelho de Ansião, num sítio que não se poderia chamar senão Olhos de Água e até desaguar no Zêzere após um percurso de 63 quilómetros é alimentado por várias nascentes, como é o caso desta do Agroal, situada a 10 Km da cidade templária... Regresso a Tomar matutando num plano alternativo para preencher o resto da tarde e aí o cenário de obras mantém-se, máquinas a retirar terras, entulho e areias do leito do rio, parece que ele já não corria como deve ser há muito e era imperioso fazer-lhe esta limpeza, qual cateterismo, para lhe devolver fluxo e vida...
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| "A Ponte Velha... seca!" - Jean-Charles Forgeronne |
Certamente que melhores dias virão para o visitante que demanda Tomar e arredores, aliás penso regressar entretanto para desfrutar do renovado Nabão, mas ainda assim hoje é possível descobrir recantos à beira-rio que mantêm o seu esplendor...
João Palmilha
(Viajante de Valmedo)



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