A NATURAL LEVEZA DA VIDA
Com a sua partida a vida fica mais pesada, lembro as suas vindas ao "Livros a Oeste" durante anos seguidos, a noite em que participava era obrigatória para mim, bola vermelha na agenda e se fosse necessário lá trocava eu a escala de serviço para poder estar presente porque quaisquer que fossem os outros participantes na conversa sobre livros e sobre a vida ele era garantia de histórias e curiosidades incríveis, o homem, como alguém disse hoje, era um museu ambulante, memórias e mais memórias, conhecimento e experiência, tudo regado com um sentido de humor desarmante que levava a plateia às gargalhadas e um perene sorriso desconcertante, mesmo quando o assunto era demasiado sério...
Do Mário Zambujal "oficial" sabe-se a sua mestria enquanto jornalista, escritor e, acima de tudo, conversador, um observador peculiar do mundo e da sociedade com um saber estar por vezes desalinhado que o tornou uma figura incontornável da cultura lusitana, especialmente depois da publicação da "Crónica dos Bons Malandros" em 1980, e da qual disse o insuspeito Fernando Namora: "Eis um livro ágil, hábil, matreiro, povoado de enleadoras surpresas - uma lufada de despretensão, quer na escrita, quer no recheio."
![]() |
João Vírgula
(Leitor de Valmedo)

Sem comentários:
Enviar um comentário