quinta-feira, 19 de março de 2026

 
A ÁRVORE MEDIÚNICA


Porque foi o cedro de Runa eleito a "Árvore do Ano" de 2026?  Não foi pela sua idade já que é uma árvore com apenas 75 anos, não foi pela sua altura, apenas 10 metros, pela beleza também não terá sido porque apesar de ser bela muitas outras árvores também o são, talvez tenha sido mais pela sua história e pela sua importância na vida da comunidade, afinal parece ser esse também o espírito do concurso, não valorizar apenas tamanhos e imponências que não passam de números... Agora que estou diante dela tenho para mim que esta árvore é sagrada para os runenses assim como os carvalhos eram para os celtas e debaixo dos quais os druidas comunicavam com o além e com os mistérios, também aqui, à sombra do enorme caramanchão que as suas ramadas formam, muita reflexão e introspecção, muita oração às forças da natureza, muita conversa e desabafo, juras de amor e rezas de ódio, muitos encontros e desencontros, alegrias e desesperos, tudo o o que a humanidade carrega aqui foi conversado com esta árvore, sim, as árvores escutam, as árvores, por vezes, também falam e aconselham, para além de guardarem segredo...   

"O cedro de Runa" - Jean-Charles Forgeronne

Afinal estamos em Runa, e runas, afinal, não são apenas caracteres alfabéticos mas são também sinais mágicos que vêm desde os tempos dos vikings e que significam "segredos" e mistérios", uma ligação entre este mundo-cão e o além, entre o passado e o futuro...  E só de pensar que esta magnífica árvore chegou a não ter futuro porque rebentou enfezada e fraca e que só graças ao amor e à dedicação de um tal Sr. Alfredo, que não só a plantou como dela cuidou sempre, apetece-me dizer que à beira de um grande homem faz falta sempre uma grande árvore, e vice-versa também...

"Oráculo de Runa" - Jean-Charles Forgeronne

João Atemboró
(Naturalista de Valmedo)

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