sexta-feira, 25 de novembro de 2022


Isto é o que acontece a uma pintura da dupla Pichiavo sobre uma placa de gesso feita em 2020 quando nela  Vhils esculpe, isto é, "pica"...  Actualmente em exposição na Galeria Underdogs...

"TRIUMPH" - Pichiavo e Vhils - ( Foto - Jean-Charles Forgeronne)

João Plástico
(Artista de Valmedo) 

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

 

A UM PEQUENO PASSO DA EXTINÇÃO...

Um viveu há muitos milhares de anos na era do gelo, o outro, o seu descendente e o maior animal terrestre da actualidade, sobrevive a muito custo e em perigo de extinção na savana africana... Falamos claro do MAMUTE, Mammuthus primogeniuse e do ELEFANTE-AFRICANO, Loxodonta africana, separados por um pequeno passo evolutivo deste mundo-cão que leva lá 4,5 mil milhões de anos de existência...

"Extinto!" - Jean-Charles Forgeronne
Também estes dois exemplares estão a um pequeno passo um do outro, apenas 115 anos e 1240 quilómetros os separam, no Parc de la Ciutadella encontra-se o mamute reproduzido à escala natural em 1907 por membros da Junta de Ciências Naturais de Barcelona e escondido numa parede subterrânea de um viaduto pedonal no bairro de Telheiras está retratado o elefante... Esperemos não encontrar um dia destes uma réplica do extinto elefante num qualquer parque de Lisboa!

"Em extinção..." - Foto de João Andarilho

João Atemboró
(Naturalista de Valmedo)

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

 

FEITIÇO

É um artista catalão, nascido em Girona, a 100 quilómetros de Barcelona, onde estudou... SERGI CADENAS enfeitiça-nos os sentidos apresentando a realidade sob novas perspectivas... Sem mais palavras...

João Plástico
(Artista de Valmedo)

 

El PARC qui morts la CIUTADELLA...

Em 1878 a mui odiada cidadela foi finalmente demolida após 153 anos de existência, tinha sido mandada construir por Filipe V em 1715 para albergar soldados incumbidos de manter a ordem como resposta à forte oposição de Barcelona à sucessão e ao poder dos Bourbons que exalava de Madrid, tinha a cidade entretanto resistido a um cerco que durara mais de um ano... E para justificar o ódio popular pela fortaleza basta lembrar que foi transformada em prisão durante a ocupação napoleónica e onde seriam executados dezenas de patriotas catalãos...     

"Arc del Triomf" - Jean-Charles Forgeronne

Nasceu então aí um parque de 30 hectares que passados apenas dez anos seria palco da Exposição Universal de 1888, visitada então por 2 milhões de pessoas! A entrada principal tomou a forma de um Arco do Triunfo em tijolo cor-de-rosa em estilo mudejár e com esculturas  alegóricas à industria e ao artesanato locais... 

"Cascata" - Parc de la Ciutadella - Jean-Charles Forgeronne

Neste popular parque e por entre laranjais e muitos papagaios que vivem nas palmeiras destaca-se a monumental fonte que inclui uma cascata monumental inspirada pela romana Fonte de Trevi e que teve a participação do então ainda jovem estudante Antoni Gaudí...

"O lago" - Jean-Charles Forgeronne

Além disso, também o sereno lago e as tranquilas alamedas merecem um tranquilo passeio ao entardecer.... E depois, como esquecer o Floquet de Neu (Floco de Neve), o único gorila albino conhecido até hoje e que desde 1966 até 2003 viveu no jardim zoológico de Barcelona, situado na parte meridional do parque, e que era a emblemática mascote da cidade ? 

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)

terça-feira, 15 de novembro de 2022

 

O PROGRESSO, A MEMÓRIA E A HOMENAGEM...

Tinha-as já visto ao longe do alto de Monjuic e do Parc Guell mas agora ali estavam elas mesmo à minha frente, imponentes dos seus setenta metros de altura, as três chaminés da era industrial e que são a memória da central eléctrica a carvão que no principio do século passado fez da sempre modernista Barcelona a primeira cidade espanhola a ser iluminada... Àquela zona do bairro Poble Sec chamam a propósito Tres Xemeneies e actualmente está transformada numa zona de lazer à medida das tribos urbanas que cultivam os desportos radicais e a arte mural...

"Tres Xemeneies" - Jean-Charles Forgeronne

E naquele solarengo domingo muita actividade havia por ali, muita gente de volta dos muros transformados em telas virgens prontas a receber novas mensagens e novas expressões artísticas, umas já a meio e fazendo adivinhar o que dali sairia, outras ainda no início e na minha voltinha exploratória fui atraído pela pintura ainda inacabada que um jovem aí pelos vinte anos ia pincelando enquanto olhava para aquilo que parecia ser o esboço da obra e então desavergonhadamente não evitei forçar a conversa...   

"Jaume i bisabuela" - Jean-Charles Forgeronne

Chamava-se ele Jaume e tendo que repetir porque não percebi à primeira explicou à boa maneira catalã que era o equivalente a Jaime, só que ali na Catalunha trocaram o "i" pelo "u" e diz-se "jaume" e não "rrrraime" como em castelhano... "Ah! - exclamei - Como em português, eu chamo-me João". Foi um belo desbloqueador de conversa porque então ele abriu os olhos e disse : "Ah, és português, muito bom, somos muito parecidos, por aqui também dizemos "juan" e não "rrrrruan", não arranhamos como os de Madrid"... "E o que vai ser isto?", perguntei-lhe já com pena de não poder ver a obra acabada porque nessa tarde estaria de regresso a Lisboa e ele explicou que o que estava por ali a acontecer era um "Festival Internacional de Pintura Mural" e apontando ali mesmo para o lado disse "aqueles ali são colombianos"... 

"Memória" - Jean-Charles Forgeronne

E acenando para a sua pintura esclareceu que estava a homenagear a sua bisavó porque o  tema do festival era a emigração e depois mostrou a fotografia da sua bisavó no dia em que para fugir da Guerra Civil partiu para França... "Até nisso somos parecidos, de Portugal também muita gente foi para França só que foi para fugir da miséria!", "Bom, alguns também fugiram da Guerra Colonial e do fascismo - acrescentei." Trocados os votos de sorte e felicidades deixei as três chaminés para trás e entrei pelo bairro seco adentro, assim chamado porque que só no século XIX teve água com a construção de uma fonte... E ainda hoje quem se aventure por aquelas ruelas ainda sente a atmosfera do tempo da guerra civil... 

João Alembradura
(Historiador de Valmedo)

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

"Port Vell", Barcelona

Jean-Charles Forgeronne
(Fotógrafo de Valmedo) 

 

RAMBLAR AO SOM DE RAVAL...

Não são apenas más as surpresas que por vezes assaltam o viajante numa cidade estranha, quantas vezes dá ele de caras com um monumento fechado para obras ou com as fachadas cobertas com andaimes que impedem a icónica foto, ou então aqueles problemas inesperados com os transportes que impedem a visita programada para aquela manhã, por vezes também acontecem boas surpresas... Imaginem então este surpreendido escriba a retomar a descida da Rambla depois de ter feito um pequeno desvio e ter encontrado a catedral não só entaipada mas também a sugerir divinalmente para que nos conectemos com a galáxia onde mora o Criador usando o novo Galaxy Z Fold 4, que delícia, não  acham?   

"Chamada para o Céu" - Jean-Charles Forgeronne

Imaginem também que após ter pisado com gosto o Miró na calçada este escriba entra agora na Plaça Reial, construída em 1850 e que já foi considerada a mais movimentada de Barcelona, famosa pelos candeeiros de iluminação pública da autoria de Gaudí... Retrato tirado ao candeeiro nota então que ao fundo da praça uma azáfama que capta a curiosidade dos turistas que por ali deambulam, algo de especial está prestes a acontecer naquela tarde amena de sábado, mas o quê? 

"O candeeiro de Gaudí" - Jean-Charles Forgeronne

Uma curiosa orquestra preparava-se para daí a pouco entreter a populaça, vinha de muito perto, mesmo ali do outro lado da Rambla, do bairro de Raval e chamava-se, claro, RAVAL'S BAND, e como uma plateia de cadeiras convidava os passeantes a sentaram-se e a desfrutarem de um concerto inesperado debaixo das icónicas palmeiras ali se sentou este escriba para relaxar também do frenesim citadino... E que bem que soube aquela música assim caída do céu, não era nada de sinfonias eruditas, não era Ravel mas sim Raval embora se tenha ouvido também uma bela versão do Bolero, para além de jazz, blues e canções populares, tudo intercalado com o bom humor catalão... 

"Raval's band" - Jean- Charles Forgeronne


Culpa da sua banda e depois do inesperado concerto lá teve que ir este escriba dar uma voltinha pelo El Raval, bairro outrora situado fora das muralhas e cujo nome deriva do árabe arrabal e que significa subúrbio ou arrabalde em bom português moderno... Como típico bairro portuário, Raval, para além de abrigar durante séculos uma numerosa e miserável população operária que vivia sem condições de higiene tornou-se também numa concorrida zona de prostituição e de bares duvidosos que atraíam não só os noctívagos mas  também os ladrões... Mas não era tudo mau, no início do século XX no bairro também havia das salas de espectáculos mais concorridas da cidade e era lá que existia o antigo  hospital da cidade e para onde levaram a pessoa mais célebre de Barcelona depois de ter sido mortalmente atropelada por um eléctrico em 1926, Gaudí...   

"El gat", Rambla de Raval - Jean-Charles Forgeronne

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)