quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Livraria Lello

Jean Charles Forgeronne
(Fotógrafo de Valmedo)
"Nunca acredites em tudo o que ouves e nunca digas tudo o que pensas..."

Provérbio chinês

Yuehan Kaluosi
(Filósofo Taoísta de Valmedo)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018



VÍDEOCHAMADA # 20


ANTES REINAR POR HORAS DO QUE NÃO IR AO MARQUÊS...



Amigo Rui, eis-nos naquela fase da época em que tudo é decisivo e onde qualquer precalço pode acarretar um tombo que deitaria todas as aspirações ao título a perder... Voltamos ao lema das épocas passadas: cada jogo é uma final, e depois do jogo de logo com um BELENENSES de cara lavada (parece sina tua apadrinhares trocas de treinadores ) ficarão a faltar apenas 14 jogos...  E se o VAR continua no topo das polémicas (mais um descalabro que se viu na Taça da Liga, (aquele caneco que parece ser masturbatório para quem não conquista o que mais interessa - o título de campeão), também ficaram, ao que parece, mais dois penalties por marcar a nosso favor no último jogo... Não é que isso importe agora porque não criou mossa numa exibição de nível elevado, mas fica o registo para notar a quem alardeia terem sido sonegados dezenas de grandes penalidades! Fica a curiosidade: será que as queixas chegará à centena? Entraria para o GUINESS certamente! 

Bem o que realmente importa é o jogo desta noite e a importância que seria
trazer de lá os três pontos e alcançarmos o  lugar isolados, caso inédito nesta época peculiar, nem fosse apenas por umas horas! Não te faz lembrar, amigo Rui, aquela famosa expressão de D. Luísa de Gusmão: "Antes ser rainha uma hora do que marquesa todo a vida"? Pelo menos serviria para provocar comichões e outras azias arreliadoras aos teus rivais e, pelas últimas exibições da equipa, a esperança que tal aconteça é legítima (a tua equipa atravessa a melhor fase desde Setembro e já apresenta futebol de qualidade), mas fica o desalento pela perda do KROVINOVIC e a curiosidade em quem vais apostar para o substituir... Parece que o JOÃO CARVALHO parte na frente e a ter fé no que dizem aqueles que o conhecem de perto, o miúdo promete capacidade para o desafio, assim seja e boa sorte para ele!
Traz então lá vitória do Restelo que a nação começa a acreditar que ainda pode haver penta....



28666

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018



"... concluiu que a única vantagem de envelhecer era, graças à experiência, dominar todas as paixões e poder observá-las sob todos os ângulos de luz. Afinal, era justamente aí que residia a magia suprema da existência. Tratava-se de uma confissão terrível mas agora, com 53 anos anos, deixara de sentir a falta de outras pessoas. Bastava-lhe a vida em si mesma, todos os movimentos que a constituíam, todas as gotas que a compunham, por exemplo, aquele instante precioso à luz do Sol..."

Virgínia Woolf
(Mrs Dalloway)


EFEMÉRIDE # 37


A REVOLTA, A MODERNIDADE E O GÉNIO...


Decorrem hoje 136 anos sobre o nascimento de uma das mais extraordinárias mulheres que o mundo já conheceu! VIRGÍNIA WOOLF foi, antes de mais, rebelde e temerária, e tentou, no limite, mudar o o mundo e dar asas aos sonhos....
Revoltou-se contra os valores pasmacentos e castradores da Era Vitoriana, abominou os valores instituídos da rigidez política, social e, especialmente, literária.... E não contente com isso, ainda desenvolveu a técnica do monólogo interior, ou seja, a exposição do pensamento da personagem...




Filha de boa mas podre família, aproveitou o seu espaço na sociedade para conhecer, analisar e discorrer sobre a  enigmática selva humana em obras como Mrs Dalloway, Orlando, As Ondas ou  Rumo ao Farol.... Alguns psicanalistas e biógrafos seus atestam que Virgínia terá sido abusada, na infância, pelos seus dois meio-irmãos e que esse atentado lhe terá moldado a personalidade e que  terá estado na origem dos seus episódios maníaco-depressivos.... Agarrou-se à escrita como uma náufraga à deriva e felizmente teve dinheiro e um tecto só seu para ficcionar porque nunca se veria livre dessas crises depressivas, das dores de cabeça, das insónias e da ansiedade, e de tal forma assim foi que a levou, muitas décadas depois, farta da vida, a lançar-se ao rio OISE da sua infância, amarrada a pedregulhos....
O seu corpo só viria a ser encontrado três semanas depois por crianças que brincavam na margem daquele mesmo rio...




É exactamente o mesmo rio Ouse, o protagonista do seu intemporal conto "A viúva e o papagaio", em que o psittaciforme, deliberadamente ou não, lança fogo à casa e permite à viúva, perdida e à beira do abismo, orientar-se e salvar-se...  A mesma história que agora faz parte do ensino curricular das crianças do ensino secundário... Adorável ironia!

River OUSE - Yorkshire


João Vírgula
(Leitor de Valmedo)

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

"Repara só, James, se pensavas que o teu nome era só apenas mais um entre tantos então desengana-te! Para além de ser desde tempos imemoriais um título de linhagem nobre e real, até no mundo animal se revela ser um epíteto de distinção!" - dizia-me o J.C, de livro na mão e olhos brilhantes, naquela pose que o caracteriza quando pensa que está a tornar pública alguma ideia de grande importância.
Nessas ocasiões, e esta não foi excepção, amigos caninos, coloquei o meu ar mais puro e revelador de atenciosa disponibilidade... Levantei uma orelha e fiz-me de interessado:
 - Epi..quê?
 - Epíteto, meu cão, o nome, uma designação, uma alcunha, aquilo que nos apresenta perante os outros! Eu sou o João e tu és o James!. E quando alguém ouve a palavra James logo pensará em ti, ou naquele célebre espião, o 007, ou num dos muitos reis assim chamados....
E então reparei na capa do livro que o J.C agarrava com fervor e agitava nervosamente no ar, como se fosse a pedra filosofal, a verdadeira compilação das verdades universais... Mas eu só via uma ave colorida e estranha....



  - É o papagaio JAMES! - gritava o J.C, de olhos abertos, apontando com um dedo ameaçador e frenético para a capa do livro... - James não é apenas nome de cão mas também de uma personagem deveras interessante do mundo animal, sabias?
Claro que não sabia, assim como muitos de vós provavelmente também não sabiam, amigos caninos, que existiu um dia um papagaio chamado James e que... E que o quê, afinal qual a importância desse bicho que também tinha o meu nome?
  - Ouve só: 
     "A criatura tem mais nexo no que faz do que os humanos pensam -  disse ela de si para consigo-. Muito bem, James - continuou em voz alta, falando com ele como se fosse uma pessoa - Vou acreditar em ti. Espera só um minuto para me compor."

  - ?
   - Estás a ver, James, tal como eu falo contigo, como se fosses uma pessoa, ou melhor até, como se fosses melhor amigo que a maioria das pessoas... 
   - Tiveste um dia mau no trabalho? - perguntei eu com o olhar. Mas o J.C nem reparou e continuava:
   - Podes não saber onde está um tesouro escondido como aquele que o James papagaio revelou à viúva mas já é muito bom poder conversar uns minutinhos contigo, não é bicho?
E então, quando eu já salivava pelo resto da aventura do papagaio James, alguém tocou à campainha , o J.C virou costas e morreu a conversa... Ficai sabendo, amigos caninos, que tudo o que se chama James é curioso e, por isso, tenho andado às escondidas a ler a história da viúva e do papagaio James. E garanto-vos, vale a pena, se o fizerem também ficarão a conhecer melhor o mundo cão das pessoas e da bicharada...


James
(Cão de Valmedo) 

domingo, 21 de janeiro de 2018







"(...) Os livros dizem: "Ela fez isto porque". A vida diz: "Ela fez isto". É nos livros que as coisas nos são explicadas; na vida não são. Não me surpreende que algumas pessoas prefiram os livros. Os livros dão um sentido à vida. O único problema é que a vida a que eles dão sentido são as vidas dos outros, nunca é a nossa. (...)"


Julian Barnes
in "O papagaio de Flaubert"