segunda-feira, 22 de julho de 2024

 

OS SANTOS, AS TRINAS E OS MARQUESES...


São quatro as ruas que desembocam mesmo em frente ao palácio, de noroeste a das Trinas, que desce da Lapa e assim chamada porque aí existia desde o século XII um convento da Ordem da Trindade que albergava freiras a quem o povo chamava de "trinas", de nordeste a da Esperança, quiçá assim denominada porque o povo sempre acreditou, todos os santos dias e até hoje, que o rei perdido no nevoeiro africano estaria prestes a regressar à sua última morada para pôr as coisas em ordem, de oeste a de Santos-O-Velho, rua que celebra o bairro onde, no século IV, alegadamente e jurado pela omnipotente e omniverídica Santa Igreja da Inquisição, terão sido originalmente sepultados os três santos mártires da efabulada história cristã de Lisboa e, finalmente, de leste, a calçada do Marquês de Abrantes, aquele que foi o oitavo da sua linhagem e que em 1909 vendeu o histórico edifício ao Governo francês... 


"Palácio de Santos" - Jean-Charles Forgeronne


Hoje, o Palácio de Santos, um dos mais belos palácios herdados da monarquia portuguesa, é a sede da Embaixada de França em Portugal e é classificada pelos diplomatas franceses como uma das três mais belas embaixadas francesas em todo o mundo! Surpreendido? Marque uma visita guiada e comprove, vale mesmo a pena...


João Conde Valbom
(Olisipógrafo de Valmedo)

domingo, 30 de junho de 2024

 

DE VIVA E ETERNA VOZ!


Quando soube já hà algum tempo que iria haver um espectáculo comemorativo dos 20 anos do Coro Municipal da Lourinhã, através de uma mensagem facebookiana recebida da Patrícia, colega de profissão e coralista soprano do grupo há vários anos, a coisa era então "apenas" isso, uma exibição do Coro e uma noite de homenagem à sua história e de agradecimento à dedicação dos seus membros ao longo de duas décadas... E quando ontem entrei Auditório adentro sou surpreendido pelo anúncio de um convidado especial, nada menos do que Manuel Freire, esse mesmo da "Pedra Filosofal", e que segundo o maestro da companhia, Carlos Pedro Alves, era já um sonho antigo partilhar o palco com ele, muitas vezes adiado por agendas inconciliáveis... Felizmente foi desta!



"Manuel Freire com o Coro Municipal da Lourinhã" - Foto: Jean-Charles Forgeronne


A primeira parte do concerto ficou a cargo exclusivo do Coro que presenteou o público com belas harmonias oriundas de várias latitudes, já a segunda, partilhada com Manuel Freire, demonstrou à evidência que há vozes que sobrevivem à passagem dos anos, esta então, já com oito décadas de vida, arrepia de tão cristalina e poderosa como há mais de meio século atrás quando se ouviu pela primeira vez a "Pedra Filosofal", um casamento perfeito entre as palavras mágicas de António Gedeão, a harmonia e aquela voz sublime, sem favor uma das mais belas que este país alguma vez ouviu... E eu, que então menino e moço me orgulhava de cantarolar o poema na íntegra e sem saber que a canção se tinha tornado num hino da luta contra a ditadura, saí dali de alma cheia, com os primeiros versos a querer sair boca fora: 

                                    "Eles não sabem que o sonho  é uma constante da vida,
                                       tão concreta e definida como outra coisa qualquer..."

Que venham então mais vinte anos para o Coro Municipal da Lourinhã e para o Manuel Freire também, o homem da voz eterna...
                                                                                                       
                                                                                                     Pedra filosofal - Manuel Freire

João Sem Dó
(Musicólogo de Valmedo)

sexta-feira, 28 de junho de 2024

 

ESCRITO NA PAREDE - XXXV


"Paimogo"

Jean-Charles Forgeronne
(Fotógrafo de Valmedo)

domingo, 23 de junho de 2024

THE BLUE AND YELLOW SERIES

 

AZUL E AMARELO


"The devil and the skull"


"Boy watching"


"Bird at cage"



"Pregnant woman"



"Under sea"


"Outspace"


João Plástico
(Artista de Valmedo)

sexta-feira, 21 de junho de 2024

quinta-feira, 20 de junho de 2024

 

" O optimista é um tolo. O pessimista, um chato!      Bom mesmo é ser um realista esperançoso..." 


Ariano Suassuna
(Filósofo, escritor)

 

WILLEM DAFVON GOGH


Willem Dafoe, à beira dos 70 anos de existência e com 45 anos de carreira, em muitos dos mais de 100 filmes em que participou habituou-nos a grandes desempenhos de personagens ora extravagantes, ora psicóticas, ora sombrias e de tal forma as encarnou com o seu alucinado ar que parece não haver melhor escolha para esses papéis e isso torna-se ainda mais evidente no caso de Van Gogh em "À porta da eternidade", filme que Julian Schnabel realizou em 2018... O "seu" Van Gogh mereceu até a Defoe a sua única nomeação para o Oscar na categoria de melhor actor principal, antes já tinha sido nomeado 3 vezes mas para actor secundário e claro, sem surpresa nem sucesso, como convém a um negócio que vive de estereótipos de beleza e sabe-se que a Willem não assenta bem o papel de galã... Estranha premonição alguém teve ainda nos tempos de liceu ao dar-lhe a alcunha de Willem, a versão holandesa do seu nome real, William, talvez desde então estivesse escrito nas estrelas que lhe estava destinado viver na pele do louco e genial pintor holandês...           




O filme de Schnabel, para além do grande desempenho de Dafoe, apresenta outras curiosidades que enriquecem as biografias conhecidas de Van Gogh, como por exemplo a quem ofereceu ele de facto a sua famosa orelha? Ou então as causas da sua morte, terá mesmo o pintor cometido suicídio ou, como alegam alguns investigadores, terá sido vítima de um tiro acidental?  O que é verdade e mentira em toda a história? Certo é que o conhecimento que temos do pintor deriva essencialmente das cartas que trocou ao longo de anos com o seu irmão Theo, será isso suficiente para conhecer a verdadeira história de Van Gogh?


João Película
(Cinéfilo de Valmedo)