E ALFONSO XIII CAMINHOU UM POUCO...
E ALFONSO XIII CAMINHOU UM POUCO...
CURIOSIDADES DO MUNDO-CÃO - XLIX
O QUILATE DA ALFARROBA
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| "Algarrobo del Rey" - Jean-Charles Forgeronne |
E que extraordinário tudo isto é, pensei enquanto olhava para as negras e secas vagens de alfarroba que ameaçavam cair a qualquer instante, foi preciso demandar corajosamente o mítico Caminito del Rey para tirar muitos quilates ao peso da minha ignorância acerca deste mirabolante e incrível mundo-cão... E renitente lá continuei o percurso, já o guia lá ia muito à frente contando outras histórias...
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| "Pelo caminho real" - Jean-Charles Forgeronne |
ESCRITO NA PAREDE - XXXII
LEVAR A CIDADE CONNOSCO
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| "Não acharás outra terra nem outro mar. A cidade irá sempre contigo" - Foto- J.C.Forgeronne |
E as cidades, tal como os livros e os poemas levam-nos a outros lugares, a outras cidades, a outros livros e a outros poemas, numa infinita viagem por este mundo-cão, e ali, olhando aquela singelo escrito na parede, viajei até outras cidades que carrego dentro de mim, algumas delas sem sequer lá ter estado, por exemplo a Alexandria de Lawrence Durrel:
Cavafis
(Tradução de Daniel Gonçalves) em "Justine", de Lawrence Durrel
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| "Málaga" - Jean-Charles Forgeronne |
EL AMOR DE LOS POETAS ANDALUCES
Muito antes de por Verona ter acontecido a mais famosa história de amor deste mundo-cão também Córdoba teve o seu Romeu e a sua Julieta, ele Ibn Zaydum e ela a princesa Wallada, dois grandes poetas do século XI... Como convém, foi uma história de amor intenso e trágico, para além de proibido já que a princesa pertencia a um clã rival e segundo a lenda tudo se complicou quando Wallada descobriu uma traição do amado com uma escrava; a coisa não ficou nada fácil para Zaydum já que, pelos vistos, para além dos dotes literários a princesa tinha carácter rebelde, era uma mulher corajosa e ousada que terá chegado até a desafiar as regras sociais dos imãs, uma autêntica feminista à época e a sua vingança chegou de duas formas: primeiro encheu os seus poemas de censuras ao amado e depois, não satisfeita, iniciou uma relação amorosa com um inimigo do poeta... Zaydum bem tentou ser perdoado mas depois de muito sofrimento não teve outro remédio que sair de Córdoba e exilar-se em Sevilha, onde acabaria os seus dias, já a princesa consta que nunca chegou a casar...
AO SABOR DE UM SALMOREJO
De vez em quando olha-se o Guadalquivir que a custo arranja caminho por entre as ilhotas de vegetação e atravessa-se a ponte romana o mais lentamente possível de modo a abarcar os contornos centenários do casco histórico e no seu final duas opções se oferecem ao viajante: ou vira à direita e continua fluindo em ritmo desprendido ao longo do Paseo de la Ribera, embalado pelos aromas que já se desprendem das esplanadas e pelo voo das aves ao longo das margens do rio, ou então segue em frente e mergulha a fundo em séculos de história de uma cidade que outrora foi visigoda, mourisca, judia ou cristã e que agora é tudo isso ao mesmo tempo...
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| "Córdoba vista da ponte" - Jean-Charles Forgeronne |
Não faltam visitas obrigatórias em Córdoba, à cabeça de todas a deslumbrante mesquita-catedral, seguida da sinagoga para que não surjam invejas religiosas e depois, claro, pelo templo romano... Então para quem for apreciador de templos religiosos está no sítio certo, para além da catedral pode percorrer o circuito das 12 Igrejas Fernandinas da cidade, por entre relíquias e devoção...
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| "Pátio cordobés" - Jean-Charles Forgeronne |
Mas o encanto de Córdoba não se restringe aos monumentos ou aos palácios, as suas ruas, as suas pequenas praças escondidas e os seus afamados pátios chegavam só por si para encher a alma, tudo semeado de buganvílias e flores como a Calleja de las Flores ou a estreita Calleja del Pañuelo ou então de histórias e lendas como aquelas arrepiantes da Calle de las Cabezas... Não se admire também, amigo viajante, se der de caras com desesperados apelos à tranquilidade e ao descanso que essa coisa de se viver num sítio pejado noite e dia de turistas não deve ser pêra doce...
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| "Derecho al descanso" - Jean-Charles Forgeronne |
Por entre tantas voltas a dar é certo o estômago dar horas, tal como o relógio da Plaza de las Tendillas que o faz ao som de uma guitarra, e então nada melhor do que abancar numa esplanada da Plaza de la Corredera, a única praça central rectangular de toda a Andalúzia, e saciar os sentidos com um imperdível salmorejo cordobés, tão macio e saboroso que não há palavras para o descrever...
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| "Salmorejo cordobés"- Jean-Charles Forgeronne |