quinta-feira, 14 de setembro de 2023

 

FLORES, LAGOAS E...ARCO-ÍRIS!


Já sabia que na ilha verde havia flores para todos os gostos e lagoas para muitos olhares, o que não esperava era encontrar o arco-íris mais perfeito e brilhante que alguma vez vi...


Ilhéu de Vila Franca

O ilhéu não tem hortênsias nem outras flores, o ilhéu não tem nada e no entanto tem tudo o que a alma precisa para revigorar...


Lagoa do Fogo

Vulcões de água que não apagam o fogo que brota da terra encantada...



Momento de sorte e magia, ali mesmo à frente, muito pertinho, bastaria estender a mão para o agarrar mas cuidado, não passa de uma ilusão... E no entanto ele estava à minha espera...


Jean-Charles Forgeronne

(Fotógrafo de Valmedo)

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

 

A ILHA DO ARCANJO


Eu vos direi da ilha que na dorna

do Arcanjo é eterna em chão escasso.

Fulva de gado ao dia. À noite morna.

Embebida no verde. E o mar colaço.


Ilhado alumbramento em tempo torna

a unção de contemplar. Um ténue traço

de garça entre água e céu. A paz encorna

em lagoa e lavoura o tempo e o espaço.


Tanto silêncio confiado à luz!

Treme um nenúfar se um trilo tremeluz.

Caiam o sol de azul os agapantos.


Na cevadeira a broa luminosa,

Romeiros nos persignam com uma rosa.

Suas rezas joeiram pombos santos.



in "O dilúvio e a pomba"

Natália Correia
(13-9-1923 / 16-3-1993)

 

LENDAS E NARRATIVAS - XVII


AMOR MÁGICO NA ATLÂNTIDA


Há muito tempo, numa das sete cidades do mágico reino da Atlântida vivia uma solitária e sonhadora princesa que sempre que podia se evadia das muralhas do seu castelo e deambulava pelos campos admirando as árvores, os pássaros e o mar... Um dia deu de caras com um jovem e humilde pastor e depois de uma longa conversa em que descobriram que tinham os mesmos ideais nasceu entre os dois um amor sem limites, passaram então a encontrar-se todos os dias e por entre juras de amor eterno iam idealizando um futuro feliz...


"Sete Cidades" - Jean-Charles Forgeronne

Mas o rei e a rainha tinham há muito traçado o destino da bela princesa, estava condenada a casar-se com um príncipe de uma cidade vizinha. O rei, ao saber dos namoros secretos da princesa com o pastor, tratou de proibir qualquer contacto entre os enamorados mas ainda lhes concedeu um derradeiro encontro de despedida e aí os infelizes apaixonados choraram tanto que foi nascendo uma lagoa aos pés de cada um, uma azul criada pelas lágrimas dos olhos azuis da princesa e outra verde originada pelas lágrimas dos olhos verdes do pastor... Ainda hoje e talvez para todo o sempre ainda se encontram unidas as duas lagoas...


"7 Mágico" - Jean-Charles Forgeronne

João das Boas Regras

(Sociólogo deValmedo)

terça-feira, 12 de setembro de 2023


 

Jean-Charles Forgeronne

(Fotógrafo de Valmedo)

 

A BELEZA QUE TUDO INVADE...


A sensação é que somos conduzidos através de um enorme jardim, por vezes parece estarmos mergulhados nos caminhos de um enorme labirinto de tão altas serem as bermas ornamentadas das estradas da ilha por hortênsias e conteiras, e curva após curva a beleza extasia... Mas esta beleza que entretanto se apropriou de quase toda a ilha de São Miguel e que deslumbra os visitantes tem um custo, ao não parar de se expandir descontroladamente asfixia a velha flora autóctone que vai lutando pela sobrevivência, como são exemplos de entre muitos outros a ginja-do-mato, o trovisco, o azevinho ou o pau-branco... 




A hortênsia (Hydrangea macrophilla), originariamente da China e Japão, foi trazida para os Açores para ser plantada em sebes ao longo das estradas e assim ornamentar o que já de si era bonito, o problema é que gostou tanto do clima que desatou a invadir as florestas nativas, chegando a interferir até com os cursos das ribeiras... O problema tem sido atacado ao longo dos últimos anos pelo governo açoriano que já investiu milhões de euros em contratos com empresas privadas para o corte de toneladas de hortênsias em alguns locais mais sensíveis mas a situação parece muito longe de estar resolvida.... 




Por todo o lado se encontra também a conteira (Hedychium gardnerianum), planta trazida dos Himalaias e que gostou tanto de São Miguel que há-perdurar até ao fim dos tempos... Mas as ameaças não se restringem à hortênsia e à conteira já que a velha mania de trazer plantas dos quatro cantos do mundo para os Açores resultou no seguinte diagnóstico: estão referenciadas no arquipélago pelo menos 27 espécies exóticas invasoras!




João Atemboró

(Naturalista de Valmedo)

terça-feira, 5 de setembro de 2023

 

AGUENTA QUE ÉS CÃO!


Já me tinha cheirado que estava para breve mais uma ausência da família para breve e que não era daquelas curtas originadas pelo trabalho ou idas à capital, algo em grande estava prestes a acontecer... Os sinais começaram quando o J.C e a N. foram buscar aquelas caixas com rodas onde eles metem roupas e outras coisas e que fazem um barulho tão irritante que se me eriça o pêlo...


A confirmação absoluta não tardou quando numa das minhas incursões não autorizadas ao escritório encontrei o J.C. concentrado numas imagens de umas ilhas distantes e com um guia de viagens à ilharga... "Que fazes aqui, bicho?", largou ele sem desviar os olhos daquela coisa diabólica que as pessoas inventaram e que parece ter como função principal roubar-lhes tempo e atenção, e quando eu esperava uma ordem militar para retirada que geralmente surge quando ele me chama bicho, sou surpreendido: 



"Olha só, James, lindas estas flores, não achas?" - e eu concordei enquanto me sentava. "São hortênsias, como aquelas que temos ali no nosso jardim, embora de outras cores. Pronto, agora já sabes que vamos estar fora uns dias mas passa rápido, vais ver, não tarda nada estamos de volta, como sempre." - e tive direito a uma festa... E depois saímos para ir ver as nossas hortênsias, "Vês, quando as saudades te apertarem vens aqui e é como se estivesses nos Açores connosco!"...



Treta, claro que não é a mesma coisa, não é amigos caninos? Não basta imaginar que estamos lá, muito mais do que eles imaginam vai-me custar não ir também a essas ilhas distantes e depois não entendo outra coisa, porque raio vão para tão longe para ver flores que temos cá em casa?


James

(Cão de Valmedo)

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

 

QUAL HIGIENE, QUAL QUÊ!!!!?


Eu sabia, ó se sabia! Quando as duas mulheres cá de casa se juntam e me aparecem pela frente depois de terem mudado ambas repentinamente de indumentária, roupa normal trocada por vestimentas velhas a precisar de reciclagem, cheiro imediatamente o sarilho, amigos caninos, ou seja,  aquilo a que elas chamam de banho!  "Precisas mesmo de um banho, James!", lança a N., "Ai James, cheiras tão mal, cheiras tanto a cão!", carrega a L., como se um cão devesse cheirar a outra coisa qualquer que não a cão, percebem? E claro, depois de ter conseguido fugir a várias investidas dou-me  finalmente por vencido e deixo-me banhar, coisa que não sendo assim tão má também não é agradável por aí além... E depois também já percebi que banho tomado mimos a dobrar, um biscoitinho extra, uma permissão especial para me refastelar bem cheiroso com elas na sala e por aí fora... 



Hoje tive direito a um novo shampô e até a uma água de colónia bem cheirosa mas, amigos caninos, não sei se acontece convosco também mas é-me estranho e custa-me durante algum tempo a habituar-me à falta do nosso cheiro natural... Bem, do mal o menos, ouço dizer que faz bem à pele e ao pêlo...




E ainda bem que não viram a minha figura ensopada depois do banho a andar para cá e para lá num abananço frenético a tentar expulsar a maldita água do meu pêlo, aquela sensação tira-me do sério e da compostura, o que vale é que o próximo banho ainda vem longe...


James

(Cão de Valmedo)