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| "Napoleão retira de Moscovo" - Adolph Northen |
quarta-feira, 7 de março de 2018
LIVROS CINCO ESTRELAS - I
A MISERÁVEL CONDIÇÃO HUMANA
Há livros assim, pequenos mas grandiosos... Arturo Pérez-Reverte, em 1993, foi publicando sob a forma de folhetim no diário El País uma narrativa, simultâneamente sinistra e hilariante, baseada num acontecimento real ocorrido durante a invasão napoleónica da Rússia, em 1812. A história narra as aventuras de um batalhão constituído por soldados espanhóis, antigos prisioneiros alistados compulsivamente no exército gaulês e que, durante um combate claramente favorável aos cossacos e em que se anunciava uma chacina de muita carne para canhão, tenta desertar e passar para o lado dos Russos, logrando apenas salvar a pele...
Ironicamente, do alto da sua colina e através do seu óculo, o grande Napoleão, que era esperto mas também baralhava as ideias por vezes, induz-se em erro e transforma aquele acto de traição em heroísmo, fazendo dele um exemplo para as suas tropas e decide enviar a sua cavalaria em auxílio daquele bando de heróis que, julgava ele, se sacrificava em nome da grande pátria francesa...
Certo é que, imprevisivelmente, o rumo da batalha muda e os franceses obrigam os russos a recuar, para descontentamento dos espanhóis que viram a sua fuga abortada e para gáudio do Imperador que vê o caminho mais aberto para avançar sobre Moscovo... Saíram menções honrosas e medalhas para o pescoço dos espanhóis mas de pouco lhes valeriam, a eles mas também a Bonaparte que entraria numa cidade deserta, sem ninguém para lhe prestar honras e vassalagens, parece até que o pequeno grande homem amuou por causa disso, os russos tinham debandado e com requintes de malvadez pegaram fogo àquilo tudo, para os franciús nem palácios, nem ouro, nem mulheres, nem comida, nem nada, apenas a triste desolação duma cidade em chamas...
Mas o pior ainda estava para vir, numa retirada desastrosa a Grand Armée, do seu meio milhão de homens inicial ficaria reduzida a 27000, aqueles que conseguiram sair da Rússia e que milagrosamente escaparam à fome, ao frio, à doença, aos ataques de camponeses e bandidos, aos lobos... Entretanto Napoleão regressaria a Paris para acautelar o seu cargo, agora que perdera a aura de invencível, abandonando os seus soldados aos humores do destino... De pouco lhe serviu, nunca mais voltaria a ser o mesmo, imperial não seria o seu futuro e a história da Europa seria outra bem diferente daquela que o corso tinha idealizado...
Pelas páginas de "A Sombra da Águia" perpassa sobretudo uma visão cínica mas bem-humorada da condição humana e das suas vicissitudes, do miserável valor que toma a vida sob condições extremas, como a guerra ou o abuso de poder, num quotidiano de desespero...
João Pena-Seca
(Escritor e Crítico Literário de Valmedo)
sábado, 3 de março de 2018
"Estava ali como nas estampas coloridas, tranquilo e frio como a mãe que o pariu, dando ordens sem se voltar, em voz baixa, com o chapéu enfiado, enquanto marechais, secretários, ordenanças e mensageiros se inclinavam respeitosamente à sua volta. (...) Mas ele não se alterava: continuava imóvel no topo da sua colina como quem está no topo do mundo. Ele lá em cima e nós cá em baixo vendo-as chegar de todas as cores e tamanhos. Le Petit Caporal, o Pequeno Cabo, chamavam-lhe os veteranos da sua Velha Guarda. Nós chamávamo-lo de outra maneira. O Anão Maldito, por exemplo. Ou Le Petit Cabrão.
(...) De repente deteve-se, fixo num ponto. O Anão afastou por momentos o olho da lente, esfregou-o, incrédulo, e voltou a olhar.
- Alguém pode dizer-me que diacho é aquilo?
E apontou para o vale com um dedo imperioso e imperial, aquele que tinha utilizado para indicar as PIRÂMIDES aquando daquilo dos quarenta séculos..."
in "A Sombra da Águia" , Arturo Pérez-Reverte
João Alembradura
(Historiador de Valmedo)
João Alembradura
(Historiador de Valmedo)
sexta-feira, 2 de março de 2018
VÍDEOCHAMADA # 25
A PROVA DOS NOVES FORA...
Tudo igual na frente do campeonato, amigo Rui, quando faltam disputar 30 pontos apenas, mas muitas contas se começam já a fazer...Desde logo aquelas lançadas pela SAD que orgulhosamente anunciou lucros e uma surpreendente redução de passivo, continuando pelas mudanças que se avizinham no plantel e que já são conhecidas (guarda-redes Vlachodimos contratado, Grimaldo prometido ao Nápoles, regresso de Iuri Ribeiro, promoção de jovens promessas, etc) e acabando tudo num clima já de rescaldo desta longa e agonizante época... Fala-se de contas futuras para alimentar o ego e a esperança e de contas passadas que te são favoráveis (ninguém te poderá tirar uma réstia de mérito aos teus dois títulos de campeão nacional conquistados) mas a contabilidade do presente ainda não está fechada: apesar das dificuldades que se enxergam, o PENTA ainda é possível! E na teoria, as contas que se podem fazer ao que falta disputar são-te favoráveis:
Jogarás 6 jogos na Luz e apenas 4 em recinto alheio, um dos quais, o de Alvalade, decidirá, a meu ver, ou o título ou o 2º lugar (do mal o menos) e, como as coisas vão, com 12 golos à maior no goal-average, basta empatares lá com golos para garantires vantagem sobre a coreana equipa do cérebro... É caso para dizer que, se ganhares todos os teus jogos em casa (com o nosso apoio incondicional, amigo Rui, e nomeadamente os próximos dois, amanhã com o MARÍTIMO e depois com o AVES), beneficiando de inevitáveis perdas alheias, a coisa fica mais séria e perto de se realizar!!! E é caso para dizer, se for necessário o recurso à prova dos noves fora nada, então o nosso 9, o RAÚL, decidirá....
Para que este vaticínio possa surtir efeito, amigo Rui, só tens que dar um passo de cada vez, NOVENTA minutos vitoriosos, jornada após jornada, começando amanhã com um difícil e incómodo MARÍTIMO... Mas aqui também as contas te ajudam: em 37 jogos na Luz, só por uma vez o teu adversário de amanhã ganhou, de resto contam-se 32 vitórias nossas e 4 empates! E já vão 7 vitórias seguidas nossas, porquê estragar essa linda sequência?
E já sabes, amigo Rui, se a coisa se complicar, tudo fora e aposta no 9, o RAÚL...
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Jogarás 6 jogos na Luz e apenas 4 em recinto alheio, um dos quais, o de Alvalade, decidirá, a meu ver, ou o título ou o 2º lugar (do mal o menos) e, como as coisas vão, com 12 golos à maior no goal-average, basta empatares lá com golos para garantires vantagem sobre a coreana equipa do cérebro... É caso para dizer que, se ganhares todos os teus jogos em casa (com o nosso apoio incondicional, amigo Rui, e nomeadamente os próximos dois, amanhã com o MARÍTIMO e depois com o AVES), beneficiando de inevitáveis perdas alheias, a coisa fica mais séria e perto de se realizar!!! E é caso para dizer, se for necessário o recurso à prova dos noves fora nada, então o nosso 9, o RAÚL, decidirá....
Para que este vaticínio possa surtir efeito, amigo Rui, só tens que dar um passo de cada vez, NOVENTA minutos vitoriosos, jornada após jornada, começando amanhã com um difícil e incómodo MARÍTIMO... Mas aqui também as contas te ajudam: em 37 jogos na Luz, só por uma vez o teu adversário de amanhã ganhou, de resto contam-se 32 vitórias nossas e 4 empates! E já vão 7 vitórias seguidas nossas, porquê estragar essa linda sequência?
E já sabes, amigo Rui, se a coisa se complicar, tudo fora e aposta no 9, o RAÚL...
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