sábado, 15 de novembro de 2025

 
A HISTÓRIA DE PAPEL E A HISTÓRIA VIVA - I

ALTAMIRA, A OBRA-PRIMA DA PRIMEIRA ARTE 

Uma coisa é visionar um documentário ou ler um tratado sobre História, neste caso específico sobre a Pré-história, e abundantes são as enciclopédias, as revistas e os livros repletos de explicações detalhadas, fotografias, cronologias, infografias e ilustrações de grande qualidade e apelo visual mas, quero bem crer depois desta minha aventura, nada é melhor do que viver a História, isto é, estar lá onde tudo aconteceu, sentir por dentro, entender o que se sabe e o que se imagina fazendo parte do cenário, reviver o passado com todos os sentidos bem despertos...




De Santillana del Mar ao Museu de Altamira é um instante e por isso fizemos o percurso em ritmo tranquilo até porque tinha no bolso os bilhetes previamente comprados há meses e tranquilo foi o cenário com que nos deparamos quando a estrada acabou: um edifício térreo, simples e encaixado na paisagem, avistam-se os bosques além onde algures se esconde a famosa gruta e ainda se imaginam lá muito mais ao longe os primeiros Picos da Europa...

"O Bisonte" - Jean-Charles Forgeronne

Abençoados os 3(!) euros que se pagam para entrar no museu (comparando com as fortunas que se pedem nas Catedrais Católicas) e especialmente para ter acesso à Neocueva, uma reconstituição fantástica ao pormenor da protegida e praticamente inacessível gruta original de Altamira, umas centenas de metros mais abaixo e onde habitaram vários grupos humanos do Paleolítico, talvez entre 36000 e 12000 a.C, quando uma derrocada de rochas tapou definitivamente a sua entrada principal... Toda a gruta foi utilizada para gravar animais e símbolos misteriosos e quando em 1879 se tornou na primeira caverna decorada a ser descoberta numa aventura digna de um argumento para romance ou filme isso revolucionou a forma como se entendia os nossos antepassados... 

"Animais e Signos" - Jean-Charles Forgeronne

Património da Humanidade desde 1985, à deslumbrante Cueva de Altamira alguém já apelidou de "Capela Sixtina da Arte Rupestre", mas para ter essa noção é preciso ir lá, não se deixar ficar pelas gravuras dos livros, viver a História... E vale mesmo muito a pena!

João Alembradura
(Historiador de Valmedo)

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