sexta-feira, 21 de novembro de 2025

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

 
BELEZA E ENCANTO A POTES!

Santillana del Mar e Altamira visitadas lá fomos descendo por curvas e contracurvas cantábricas até chegarmos em boa hora a POTES, era tempo de o sol se pôr e os contrastes entre a luz já mortiça e as sombras contribuíam para realçar a beleza e o encanto da pequena vila aninhada no sopé dos Picos da Europa... Rodeada de montanhas e abençoado ponto de convergência de quatro vales, a vila medieval de Potes é um paraíso escondido da modernidade, por ali, pelas suas seculares ruas empedradas, um pequeno e descontraído passeio pode muito bem significar uma maravilhosa viagem no tempo...

"Potes" - Jean-Charles Forgeronne

Potes é atravessada pelo rio Quiviesa, um dos muitos cursos de água que abundam por estes vales e não é de espantar que os ex-libris da vila sejam as suas pontes medievais, atravessá-las e mirar os picos ao longe foi qualquer coisa que me soube a místico, e garanto-vos, para isso, para alcançar a transcendência, não é preciso pensar nem em deuses nem em mitologias, basta olhar, respirar e sentir...

"Potes e Picos" - Jean-Charles Forgeronne

E que melhor forma de acabar o dia do que reconfortar o estômago e a alma no El Trenti, um abençoado bar-tasca à beira do rio e cujos petiscos nos deixam simplesmente à beira do paraíso...


João Palmilha
(Viajante de Valmedo)

sábado, 15 de novembro de 2025

 
A HISTÓRIA DE PAPEL E A HISTÓRIA VIVA - I

ALTAMIRA, A OBRA-PRIMA DA PRIMEIRA ARTE 

Uma coisa é visionar um documentário ou ler um tratado sobre História, neste caso específico sobre a Pré-história, e abundantes são as enciclopédias, as revistas e os livros repletos de explicações detalhadas, fotografias, cronologias, infografias e ilustrações de grande qualidade e apelo visual mas, quero bem crer depois desta minha aventura, nada é melhor do que viver a História, isto é, estar lá onde tudo aconteceu, sentir por dentro, entender o que se sabe e o que se imagina fazendo parte do cenário, reviver o passado com todos os sentidos bem despertos...




De Santillana del Mar ao Museu de Altamira é um instante e por isso fizemos o percurso em ritmo tranquilo até porque tinha no bolso os bilhetes previamente comprados há meses e tranquilo foi o cenário com que nos deparamos quando a estrada acabou: um edifício térreo, simples e encaixado na paisagem, avistam-se os bosques além onde algures se esconde a famosa gruta e ainda se imaginam lá muito mais ao longe os primeiros Picos da Europa...

"O Bisonte" - Jean-Charles Forgeronne

Abençoados os 3(!) euros que se pagam para entrar no museu (comparando com as fortunas que se pedem nas Catedrais Católicas) e especialmente para ter acesso à Neocueva, uma reconstituição fantástica ao pormenor da protegida e praticamente inacessível gruta original de Altamira, umas centenas de metros mais abaixo e onde habitaram vários grupos humanos do Paleolítico, talvez entre 36000 e 12000 a.C, quando uma derrocada de rochas tapou definitivamente a sua entrada principal... Toda a gruta foi utilizada para gravar animais e símbolos misteriosos e quando em 1879 se tornou na primeira caverna decorada a ser descoberta numa aventura digna de um argumento para romance ou filme isso revolucionou a forma como se entendia os nossos antepassados... 

"Animais e Signos" - Jean-Charles Forgeronne

Património da Humanidade desde 1985, à deslumbrante Cueva de Altamira alguém já apelidou de "Capela Sixtina da Arte Rupestre", mas para ter essa noção é preciso ir lá, não se deixar ficar pelas gravuras dos livros, viver a História... E vale mesmo muito a pena!

João Alembradura
(Historiador de Valmedo)

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

 
ESCRITO NA PAREDE - XLVIII

SARAMAGO, CIDADÃO DO MUNDO...



Primeiro fico surpreso, depois inquieto, estou à porta de Santillana del Mar, uma das aldeias históricas mais belas de Espanha, na Cantábria, a 800 Kms de Lisboa e a 700 da Azinhaga, e as boas-vindas são dadas por José Saramago! Que orgulho...

"Torre de Don Borja" - Jean-Charles Forgeronne

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)

terça-feira, 11 de novembro de 2025

"Gijón" - Jean-Charles Forgeronne

 
UMA VOLTINHA POR... - V

Gijón... Ou Xixón, como dizem os asturianos locais... E a primeira boa dica a seguir é estacionar a viatura o mais perto possível do centro histórico e aí a experiência correu bem, atravessámos a cidade e estacionamos no parque junto ao porto desportivo, não confundir com o porto comercial, ali ao lado e um dos mais importantes de Espanha e que deu a fama de grande cidade marítima a Gijón ou não fosse ela abraçada pelo mar Cantábrico...

"Árbol de la Sidra" - Jean-Charles Forgeronne

E meia dúzia de passos dada à beira dos barcos e deparamo-nos com uma gigantesca escultura que se tornou um símbolo da cidade, chamam-lhe "Árbol de la Sidra", é formada por 3200 garrafas de sidra usadas, tem 3 metros metros de altura por 5 de largura e pesa 8 toneladas! É uma homenagem às nobres macieiras que alimentam a produção e consumo de sidra, a bebida por excelência das Astúrias e que se tornou num marco cultural e económico da região... Dizem que deslumbra à noite, iluminada...

"Plaza Mayor de Gijón" - Jean-Charles Forgeronne

Mais uns passitos, atravessámos a movimentada avenida e passando debaixo de uma das suas muitas arcadas deparamo-nos com a Plaza Mayor, pequeno mas sedutor coração da cidade com os seus edifícios do século XIX muito bem conservados e dos quais sobressai o do Ayutamiento de Gijón; aqui tudo pode acontecer e acontece, desde espectáculos musicais a mercados de Natal, desde feiras a outras manifestações... E claro, ali bate forte a gastronomia, em cada esquina e em cada ruela abundam restaurantes, bares e sídrerías,  prontos para a prova de tapas, petiscos e claro, da omnipresente sidra, servida do alto de um metro bem medido por cima do ombro e que, para não ofender a tradição, deve ser bebida de um trago...  E já que está na hora de almoço...

"Tapas & Sidra" - Jean-Charles Forgeronne

E é com o estômago e alma regalados que se deve enfrentar a segunda parte deste breve mas intenso passeio, atravessa-se a praça em direcção ao Paseo del Muro de San Lorenzo, aí chegados contemplamos à direita a formosa baía e a famosa praia mas não é para aí que vamos, pelo menos desta vez, tornamos à esquerda e atravessando o bairro de pescadores de Cimavilla subimos ao Cerro de Santa Catalina para mirar e elogiar o horizonte cantábrico... E lá está ele, o "Elogio do Horizonte", uma monumental escultura com 10 metros de altura e que apesar das 500 toneladas de peso será talvez mais leve do que a maravilhosa impressão que provoca... Agora, depois de saciados os olhos, resta descer pela outra encosta até ao porto...  

"Elogio do Horizonte" - Jean-Charles Forgeronne

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)

domingo, 9 de novembro de 2025



"A luz em Cudillero"- Jean-Charles Forgeronne

 
LA SEXTO TERRE ESTÁ EN ASTÚRIAS!

E se numa cena de suspense digna de um filme de Woody Allen, armados em Javier Bardem,  colocarmos uma venda em alguém e transportarmos em segredo essa nossa vítima de rapto emocional até Cudillero, na costa asturiana, o que é suposto acontecer? Claro que o "rapto" foi consentido e evidentemente que o desafio foi aceite sem reservas, de outra forma não valeria a pena nem surtiria o efeito desejado, mas quando devolvermos a luz à nossa cobaia e o mundo lhe voltar a entrar pelos olhos adentro, por supuesto, o mais provável é que ela ache que se encontra numa das famosas Cinque Terre da Riviera Italiana!


"Cudillero" - Jean-Charles Forgeronne

Às Cinque Terre, um conjunto de vilas da Ligúria que se caracterizam pelas suas casas coloridas e vinhedos dispostos pelas encostas íngremes formando belos anfiteatros e cada uma com o omnipresente porto lá em baixo, repleto de barcos, é justo juntar uma sexta parte, a bela e encantadora vila de Cudillero... E se tiver dúvidas, amigo leitor, experimente descobrir o circuito de miradouros lá no alto e a cada passo lento que der vai ficando cada vez mais extasiado, nem que seja pela inebriante baía de águas azul-turquesa... 

"La Plaza" - Jean-Charles Forgeronne

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)