quinta-feira, 25 de abril de 2024

 

LIVROS 5 ESTRELAS - XXXVIII


CAFÉ, CONVERSA E REVOLUÇÃO


E porque hoje se celebram por todo o lado os primeiros 50 anos da revolução do 25 de Abril de 1974 falemos então da última parte de uma trilogia fundamental da literatura portuguesa contemporânea, "Café 25 de Abril", da autoria de Álvaro Guerra, escritor, jornalista e diplomata... Editado em 1984, ou seja pela comemoração do décimo aniversário da revolução, apresenta-se-nos como um folhetim do mundo vivido em Vila Velha, cenário talvez equivalente à Vila Franca natal do autor, as vidas e os anseios das pessoas falados em surdina às mesas do café, umbigo do mundo percursor da internet onde tudo ou quase tudo se sabe, onde se noticia, se segreda, se conspira... E entretanto o mundo inteiro a girar... Claro que é obrigatório juntar a leitura dos outros dois volumes: "Café República" e "Café Central", retratos da sociedade portuguesa antes da era democrática...



"Ainda vivi um tempo em que o Café era um abrigo aberto ao conforto íntimo das palavras mais banais, dos odores mais constantes, dos fumos mais inocentemente viciados - a altura da cheia na lezíria, o café a moer, os cigarros a consumirem-se entre os dedos. Nenhum encanto especial naquela sala rectangular, onde o único brilho autêntico era o da máquina de café de saco obstinadamente areada por duas gerações de galegos. Mas, para muitos de nós, era uma espécie de segunda casa."


João Vírgula

(Leitor de Valmedo)

sexta-feira, 19 de abril de 2024

quinta-feira, 18 de abril de 2024

quinta-feira, 4 de abril de 2024

 

"Coreto de Minde" - Jean-Charles Forgeronne

 

EM BUSCA DO NINHOU E DE MESTRE MIGANÇA


"Planeta cópio, covanos e covanas", (Bom dia, senhores e senhoras), vindo de Cabaça Sem Miolo (Alcanena) estou a chegar a Ninhou (Minde) em busca  da Classe da Borra Regatinhada de Mestre Mingança (Museu de Aguarela Roque Gameiro) e facilmente encontro a Casa dos Açores que o alberga, antiga moradia da família e que emana um chamamento ao aventureiro de passagem tal a beleza da fachada do edifício, neste caso da classe já que estamos na terra da Piação do Ninhou (calão minderico) e assim temos que nos entender... Mas antes de entrar sou refém de um apelo atroz, há que verter águas, e então busco insanamente um urinol público que tragicamente não se enxerga e então, em desespero de causa, invado uma baiuca comercial com a desculpa de beber um café, coisa que já tinha feito três vezes e a manhã ainda ia a meio... Mas que importa isso se lá irei aliviar-me regatinhando?

"Museu Roque Gameiro"- Jean-Charles Forgeronne


E agora sim, estou bem (jordar cópios) , um pouco confuso por causa do piação do ninhou  (minderico), essa língua nascida no século XVIII em Minde por causa da necessidade dos fabricantes e feirantes de mantas terem um código para combinar e estabelecer preços entre si nos mercados, mas feliz por ter descoberto a essência e a necessidade dos códigos linguísticos como pilar do comércio e da convivência em sociedade... E hoje, quinto planeta (quinta-feira) deste quadrazal (mês) de cuco (Abril) vos desejo um bom José Grego de Sesta (fim-de-semana), mesmo que não haja muito neto (dinheiro)...


"Jardando neto aos zés das navalhas" - Roque Gameiro


João Plástico (ou João Regatinheiro)

(Artista de Valmedo)

 

EFEMÉRIDE # 100

PLANETA CÓPIO, MESTRE MIGANÇA!


Auto-retrato

Há precisamente 160 anos anos nascia em Minde aquele que é unanimemente considerado o maior aguarelista português de sempre, ROQUE GAMEIRO! O seu primeiro professor informou o pai que ele era uma criança pouco aplicada, que "só queria fazer bonecos", portanto o seu génio para o desenho manifestou-se bastante cedo... Aos 20 anos partiu para a Alemanha para estudar e aprender novas técnicas de desenho e pintura mas esses aperfeiçoamentos só serviram para reforçar a sua paixão sobre as coisas da sua terra e das suas gentes de que tanto sentia a falta e depois, ao regressar e pela vida fora, ao retratar essa realidade de uma forma sublime viria a ser granjeado pela fama e muitos prémios nacionais e internacionais... Além do mais, adorava a natureza e vivia fascinado pelas maravilhas e mistérios deste mundo-cão e por isso nunca se adaptou à vida na grande cidade, gostava de se exilar por aí... Sempre simples mas sempre o grande MESTRE MIGANÇA para os mindericos...




"As lavadeiras" ou "As covanas que esgardulhem as do mestre grosso" - Roque Gameiro

João Plástico

(Artiste de Valmedo)

domingo, 31 de março de 2024