quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

"Santuário de Covadonga" - Jean-Charles Forgeronne

 

 
A RUTA DEL CARES

O caminho acaba em Caín, dali em diante não há carro ou mota que passe e quem quiser continuar só caminhando por caminhos de cabras ou então, o principal objectivo de quem demanda este fim-de-mundo, fazer a famosa Ruta del Cares, um desafiante percurso pela chamada "Garganta Divina", um impressionante desfiladeiro que acompanha o curso de água, atravessando túneis e passando pontes a 1000 metros acima do rio... A rota liga Caín, na província de Léon, a Poncebos, nas Astúrias, e tem 12 Kms de extensão mas como é linear  muitos são obrigados a fazer ida e volta, o que valerá a pena pois o deslumbramento será a dobrar... A Ruta del Cares, à semelhança do seu irmão do sul, o Caminito del Rey, foi aberta na rocha em meados do século XX com o intuito de permitir a manutenção do canal de abastecimento de uma central hidroeléctrica, neste caso a de Camarmeña... 


"Por entre falésias..." - Jean-Charles Forgeronne

Aqui entalados nestas paredes abruptas de calcário sentimo-nos noutro mundo, como se tivéssemos atravessado um portal para outra dimensão, aqui não há tempo nem espaço para notícias de guerra, da economia ou de mais catástrofes ambientais ou humanitárias, aqui, com excepção das cabras montanhesas que por aqui vivem, somos só nós literalmente dentro da majestosa e incrível natureza...  Aproveite-se então este cenário magnífico para o deslumbramento e para a reflexão, talvez até para calibrar e priorizar o que é mais importante nesta nossa muito breve passagem por este planeta ainda magnífico... 

"Obrigado, Natureza!" - Jean-Charles Forgeronne

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

"Picos da Europa"- Jean-Charles Forgeronne


 
CURIOSIDADES DO MUNDO-CÃO - LXIII

ALPERGATAS E PÉ DESCALÇO 

No fim do caminho, chegados a Caín, uma pequena povoação à beira de um tranquilo rio e rodeada por imponentes picos calcários, ainda que não conheçamos a história do mítico lugar o nosso olhar é magneticamente atraído para o Pico Urriellu, também conhecido como Naranjo de Bulnes, lá está ele dominando o horizonte, com a lua sobre o ombro, afinal nem é o pico mais alto com os seus 2519 metros de altura mas devido às suas paredes lisas e verticais com mais de 500 metros sempre foi e continua a ser considerada a montanha mais inacessível de toda a Espanha!

"Urriellu com a lua" - Jean-Charles Forgeronne

E foi inacessível até ao dia 5 de Agosto de 1904 quando um aristocrata, Pedro Pidal, marquês de Villaviciosa, um asturiano de gema e então um jovem de 35 anos com a mania e o obcessivo patriotismo de que teria de subir ao cimo daquela montanha antes que algum estrangeiro o fizesse, e o seu companheiro de várias aventuras, Gregório Pérez, pastor de Caín conhecido como "El Cainejo" e já com 51 anos, chegaram ao cume do Naranjo escalando a vertente norte, a partir de Caín...  E percebe-se o porquê da escolha do marquês para seu companheiro de aventura, quem melhor do que o pastor mais experiente e hábil que conhecia todos os caminhos, atalhos, dificuldades, perigos e outra manhas daquelas montanhas, qual cabra montanhesa? Por isso se diz que "Quem é de Caín não morre, cai de penhascos!".

"Escrito na parede em Caín" - Jean-Charles Forgeronne

Consta que para a expedição o marquês mandou vir de Inglaterra a melhor corda de cânhamo e de Paris umas alpergatas, de facto as primeiras sapatilhas de escalada conhecidas, já o nosso pastor de Caín, a quem chamavam também "El Atrevíu", o ousado, aventurou-se descalço!

"O cemitério mais pequeno do mundo?" - Jean-Charles Forgeronne

Outra curiosidade de Caín, aldeia agora deserta exceptuando os cafés e restaurantes que durante o dia recebem os turistas e caminheiros que ali chegam para desafiar a Rota do Cares, é o seu cemitério, uma espécie de quintalzinho mesmo ao lado da pequenina Igreja de S. Tomás e da escultura que homenageia o seu filho mais famoso, e que a ver pela meia dúzia de lápides bem pode ser o cemitério mais pequeno do mundo! Afinal já ninguém morre em Caín, embora ainda haja quem caia dos penhascos...

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

 
FINALMENTE! OS PICOS DA EUROPA!

Após uma noite tranquila e um retemperador desayuno, animados pelo dia límpido e solarengo e pela simpatia e hospitalidade dos caseiros do El Caserío, uma tradicional casa de montanha a meio caminho entre Potes e Fuente Dé, lá iniciamos a etapa tão aguardada: em busca dos majestosos Picos da Europa! Estes, formando a parte central da cordilheira Cantábrica, estendem-se por três províncias: Astúrias, Cantábria e Castela e Leão.

"Memórias teleféricas"- Jean-Charles Forgeronne

Chegados a Fuente Dé é hora de controlar a ansiedade e as vertigens pois o teleférico que nos aguarda para subirmos ao Miradouro do Cabo, a 1800 metros de altitude, supera um desnível superior a 700 metros em apenas 4 minutos!

"A pique" - Jean-Charles Forgeronne

Lá em cima as vistas são simplesmente sublimes, sentimo-nos literalmente nas nuvens, no topo do mundo, e à nossa frente estendem-se incontáveis Picos até perder de vista, alguns deles com mais de 2500 metros de altitude! Olho em volta e sinto que valeu a pena o esforço para aqui chegar, como será a visão deste horizonte recortado com neve, interrogo-me...

"Picos e picos e picos..." - Jean-Charles Forgeronne

João Palmilha
(Viajante de Valmedo)